sábado, 26 de junho de 2004


[inverno]

[tenho andado com preguiça de escrever, sem ânimo pra estudar, com vontade de viver, e sem tempo pra pensar]

O frio diminuiu, olha o paradoxo, mas é verdade, metafórica e não-metaforicamente falando. Ainda existem heranças da infância, e o sofrimento por antecipação ainda é uma constante. Mas aí, vem logo aquele instante, aqueles momentos de uma realidade ainda tao difícil de acreditar, e toda a preocupação se vai. Porque os momentos fazem os pensamentos, os pensamnetos fazem as palavras, e as palavras fazem os atos. Mas para que um momento se torne ato, demora tanto, que até lá o momento já é outro. E isso se torna um ciclo vicioso de passividade libriana-adolescente.

[Nobody knows it but I´ve got a secret smile
And I use it only for you]

Não se sabe do que se reclama. Não se sabe ao certo o que se deve agradecer, ou a quem. Tem-se evitado os "eu's" do texto, por motivos sutis. Por vontade de experimentar também. Escrever pouco não agrada, pois se sente que ainda há o que expressar, mas a lei do sono anda ganhando até da lei de Murph.
Posted by Hello

sexta-feira, 18 de junho de 2004

Reverenciando àqueles que sabem o que dizem

Milágrimas

em caso de dor, ponha gelo
mude o corte de cabelo
mude como modelo
vá ao cinema, dê um sorriso
ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo

se amargo foi já ter sido
troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério, deixe os critérios
siga todos os sentidos
faça fazer sentido

[a cada mil lágrimas sai um milagre]

caso de tristeza, vire a mesa
coma só a sobremesa, coma somente a cereja
jogue para cima, faça cena
cante as rimas de um poema
sofra penas, viva apenas

sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura, ninguém sabe o que procura
faça uma novena, reze um terço
caia fora do contexto, invente seu endereço

[a cada mil lágrimas sai um milagre]

mas se apesar de banal
chorar for inevitável
sinta o gosto do sal, do sal, do sal
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas, três, dez, cem, mil lágrimas
sinta o milagre

[a cada mil lágrimas sai um milagre]

[Alice Ruiz e Itamar Assumpção]


-> Carinhosamente roubado de www.fotolog.net/boysdontcry que carinhosamente (eu acho) roubou de www.fotolog.net/sweetiedreamer

-> Sexta-feira à tarde, ótimo dia pra assistir bons filmes. E em um deles, "A vida de David Gale", viu-se o texto que segue abaixo, na voz do personagem principal

"...A idéia de Lacan é de que as fantasias tem que ser irreais. Porque no momento, no segundo que se consegue o que quer...não quer, não pode querer mais. Para poder continuar a existir o desejo tem de ter os objetos eternamente ausentes. Vocês não querem “algo”, querem a fantasia desse “algo”. O desejo apóia fantasias desvairadas.
Foi essa a idéia de Pascal ao dizer que somos realmente felizes quando sonhamos acordados com a felicidade futura.
Daí o ditado: “O melhor da festa é esperar por ela”, ou “cuidado com seus desejos”, não pelo fato de poder conseguir o que quer, mas pelo fato de não querer mais depois de conseguir.
Então, a lição de Lacan é: viver de desejos não traz felicidade. O verdadeiro sentido do ser humanos é a luta por idéias e ideais, e não medir a vida pelo que obtivemos em termos de desejos...mas pelos momentos de integridade, compaixão, racionalidade...e até auto-sacrifício. Porque, no final, a única forma de medir nossas vidas, é valorizando a dos outros!..."

sexta-feira, 11 de junho de 2004



[sorriso maroto, modesto e feliz]

E em toda sua perdição, ela acabou encontrando uma alternativa diferente da desistência.
O frio vem diminuindo gradualmente (e sim, há metáforas na construção). Ela anda sorrindo bem assim, como Amelie nessa foto. Ela decidiu tentar. Por que não?
(e quem me dera ao menos uma vez não ser atacada por ser inocente) Sim, música voltou a fazer diferença. Quanto às falas atrasadas e perdidas nos caminhos da garganta, acredito que aos poucos, elas estão achando o caminho para os ouvidos certos. [mas ela ainda se pergunta: "why can't you just read my mind"?] Ela percebeu que a vida é incerta mesmo, mas as situações podem se tornar sempre um pouco mais tranquilas de repente. [não mais que de repente] Ela ainda não aprendeu, e venho me perguntando se não seria melhor que ela nunca aprendesse. Que ninguem nunca aprendesse. Não essa lição. Essa que nos deixaria amargos, descrentes, e estáticos. Fica assim. Não aprende não. Faz de boba e vive a vida como ela vier. Finge que acredita no teste da Atrevida, aquele que voce fez na aula, e que "deu certinho". E viva o que é bom, na certeza do que acontece agora. Pois, as coisas ruins a gente nem precisa fazer força pra lembrar, e sim pra nao se entregar.

Ah, acordar de manha sem medo do incerto [nao-assim-tão-certo], ela diz que é muito bom.
"Porque, embora quem quase morre esteja vivo,quem quase vive já morreu."

(coisa mais estranha ela sentir pena de alguém que a atrapalha não acham? pode até parecer nobre da parte dela [ó pretensão],mas não é algo comum não)

Ela pediu pra te contar,que tem memória de elefante,e não se esquece assim tão facil. Não quando é importante.

[+ou- um diálogo de mim comigo mesma]
[Porque eu realemtne gostei dessa história de terceira pessoa]
[também gostei, é claro, dos elogios]
[mas nem ficou tão assim terceira pessoa]
[está tudo muito bagunçado nessas linhas, mas não me preocupo nesse instante, sei que são apenas linhas bagunçadas pelo sono]
[senti falta das madrugadas, mas agora já ta na hora de dormir, de verdade]
[DORMIR FELIZ!]


Posted by Hello

sexta-feira, 4 de junho de 2004




Eu vi Amelie Poulain! Sinceramente, não muitos comentários sobre o filme, ainda. Apenas que, pelo que me falavam eu imaginei outro tipo de filme, algo triste, melancólico, e bem meloso. Mas nao, é uma deliciosa comédia-romântica, boa de se ver em tardes chuvosas, que sutilmente te dá lições importantíssimas sobre a vida. Enfim, é preciso ver de novo, e de novo, e de novo...

[mudando de assunto]

Ela anda meio sem como escrever tudo aquilo que gostaria de expressar -(por que ela expressa. sentimentos, pensamentos o que for, ela nao conta pra alguém, ela escreve e quem queiser que venha ler). Ela já não sabe o que fazer. Ela nunca soube dizer adeus ( no máximo forçá-lo sem mais explicações, mas ela não o fez, enfim). Ela se preocupa demais com a imagem que está passando, o que não adianta muito, já se sabe, pois ela não passa a melhor das imagens, mas mesmo assim, ela não fala. È, ela não consegue falar, a lingua faz questão de prender aquele texto-quase-pronto-e-decorado, e não o solta, mas nao é a só a língua, o coração também insiste em guardar certas palavras. Ela sente frio, toda manha, enquanto pensa no que poderia acontecer; e também quando volta pra casa, enquanto olha os relógios e os termômetros da avenida e calcula possibilidades; ela sente frio à tarde, na hora em que mais se poderia mudar as coisas, mas algo nao a deixa agir; e vai dormir à noite, ainda com frio, enquanto, ao deitar a cabeça no travesseiro, ela pensa.
Suas gargalhadas e risos, escondem, mas nao eliminam as marteladas (seja no coraçao ou na cabeça). Seus números nao são úteis à ninguém, seu endereço ninguém lembra, seu rosto foi esquecido. [ela acha] [mas é o que a deixam achar]

-Ela mandou dizer que só serve se for você-
(-Óh-)

Nem mesmo música, nem mesmo vento, nem mesmo os fatos a fazem agir. Acho que ela tem medo da recriminação. Acho que ela não está pronta pra consequencias desagradáveis. È, ela ainda não aprendeu, será que um dia irá aprender? Não se sabe.

Mas, sabe o que é mais estranho? Ela não chorou, nem mesmo está sofrendo. Ela só não mais concorda com essa vida (entenda-se situação) incerta. Mas no fundo ela sofre.

È triste pra ela, e pra qualquer um, chegar à conclusão de que mesmo tendo, é preciso largar mão. Mas ela não admite desistir. Não sem antes tentar de tudo, mesmo que assim ela sofra e sinta de tudo também. Diz ela que ainda faltam alternativas, então...ela vai tentar. Não sei quando , mas vai.

"...você corre o risco de chorar, um pouco, quando se deixou cativar..."


Posted by Hello