Aviso da Lua que Menstrua
Elisa Lucinda
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
sexta-feira, 23 de dezembro de 2005
Underneath Your Clothes
Shakira
You're a song
Written by the hands of God
Don't get me wrong 'cuz
This might sound to you a bit odd
But you own the place
Where all my thoughts go hiding
And right under your clothes
Is where I find them
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey
Because of you
I forgot the smart ways to lie
Because of you
I'm running out of reasons to cry
When the friends are gone
When the parties' over
We will still belong to each other
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey
I love you more than all that's on the planet
Movin' talkin' walkin' breathing
You know it's true
Oh baby it's so funny
You almost don't believe it
As every voice is hanging from the silence
Lamps are hanging from the ceiling
Like an old lady tied to her manners
I'm tied up to this feeling
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey
Underneath your clothes
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey
...
Shakira
You're a song
Written by the hands of God
Don't get me wrong 'cuz
This might sound to you a bit odd
But you own the place
Where all my thoughts go hiding
And right under your clothes
Is where I find them
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey
Because of you
I forgot the smart ways to lie
Because of you
I'm running out of reasons to cry
When the friends are gone
When the parties' over
We will still belong to each other
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey
I love you more than all that's on the planet
Movin' talkin' walkin' breathing
You know it's true
Oh baby it's so funny
You almost don't believe it
As every voice is hanging from the silence
Lamps are hanging from the ceiling
Like an old lady tied to her manners
I'm tied up to this feeling
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey
Underneath your clothes
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey
...
sábado, 3 de dezembro de 2005
O que é que ele vê nela?
Martha Medeiros
E o que é que ela vê nele? Nossos amigos se interrogam sobre nossas escolhas, e nós fazemos o mesmo em relação às escolhas deles. O que é, caramba, que aquele Fulano tem de especial? E qual será o encanto secreto da Beltrana? Vou contar o que ela vê nele: ela vê tudo o que não conseguiu ver no próprio pai, ela vê uma serenidade rara e isso é mais importante do que o Porsche que ele não tem, ela vê que ele se emociona com pequenos gestos e se revolta com injustiças, ela vê uma pinta no ombro esquerdo que estranhamente ninguém repara, ela vê que ele faz tudo para que ela fique contente, ela vê que os olhos dele franzem na hora de ler um livro e mesmo assim o teimoso não procura um oftalmologista, ela vê que ele erra, mas quando acerta, acerta em cheio, que ele parece um lorde numa mesa de restaurante mas é desajeitado pra se vestir, ela vê que ele não dá a mínima para comportamentos padrões, ela vê que ele é um sonhador incorrigível, ela o vê chorando, ela o vê nu, ela o vê no que ele tem de invisível para todos os outros.
Agora vou contar o que ele vê nela: ele vê, sim, que o corpo dela não é nem de longe parecido com o da Daniella Cicarelli, mas vê que ela tem uma coxa roliça e uma boca que sorri mais para um lado do que para o outro, e vê que ela, do jeito que é, preenche todas as suas carências do passado, e vê que ela precisa dele e isso o faz sentir importante, e vê que ela até hoje não aprendeu a fazer um rabo-de-cavalo decente, mas faz um cafuné que deveria ser patenteado, e vê que ela boceja só de pensar na palavra bocejo e que faz parecer que é sempre primavera, de tanto que gosta de flores em casa, e ele vê que ela é tão insegura quanto ele e é humana como todos, vê que ela é livre e poderia estar com qualquer outra pessoa, mas é ao seu lado que está, e vê que ela se preocupa quando ele chega tarde e não se preocupa se ele não diz que a ama de 10 em 10 minutos, e por isso ele a ama mesmo que ninguém entenda.
PS: recebi isto no email, de uma pessoa muito especial pra mim, né Nati?! Muito obrigada, achei linda a mensgaem, tanto que postei.
Martha Medeiros
E o que é que ela vê nele? Nossos amigos se interrogam sobre nossas escolhas, e nós fazemos o mesmo em relação às escolhas deles. O que é, caramba, que aquele Fulano tem de especial? E qual será o encanto secreto da Beltrana? Vou contar o que ela vê nele: ela vê tudo o que não conseguiu ver no próprio pai, ela vê uma serenidade rara e isso é mais importante do que o Porsche que ele não tem, ela vê que ele se emociona com pequenos gestos e se revolta com injustiças, ela vê uma pinta no ombro esquerdo que estranhamente ninguém repara, ela vê que ele faz tudo para que ela fique contente, ela vê que os olhos dele franzem na hora de ler um livro e mesmo assim o teimoso não procura um oftalmologista, ela vê que ele erra, mas quando acerta, acerta em cheio, que ele parece um lorde numa mesa de restaurante mas é desajeitado pra se vestir, ela vê que ele não dá a mínima para comportamentos padrões, ela vê que ele é um sonhador incorrigível, ela o vê chorando, ela o vê nu, ela o vê no que ele tem de invisível para todos os outros.
Agora vou contar o que ele vê nela: ele vê, sim, que o corpo dela não é nem de longe parecido com o da Daniella Cicarelli, mas vê que ela tem uma coxa roliça e uma boca que sorri mais para um lado do que para o outro, e vê que ela, do jeito que é, preenche todas as suas carências do passado, e vê que ela precisa dele e isso o faz sentir importante, e vê que ela até hoje não aprendeu a fazer um rabo-de-cavalo decente, mas faz um cafuné que deveria ser patenteado, e vê que ela boceja só de pensar na palavra bocejo e que faz parecer que é sempre primavera, de tanto que gosta de flores em casa, e ele vê que ela é tão insegura quanto ele e é humana como todos, vê que ela é livre e poderia estar com qualquer outra pessoa, mas é ao seu lado que está, e vê que ela se preocupa quando ele chega tarde e não se preocupa se ele não diz que a ama de 10 em 10 minutos, e por isso ele a ama mesmo que ninguém entenda.
PS: recebi isto no email, de uma pessoa muito especial pra mim, né Nati?! Muito obrigada, achei linda a mensgaem, tanto que postei.
domingo, 13 de novembro de 2005
da arte de ensinar às tartarugas
...existem pessoas, que não tem um pingo de paciência pra ficar mais de uma hora e meia ensinando uma criança a fazer qualquer coisa que seja, pessoas como eu, que nao aguentam por muito tempo os porquês, pra quês, ondes e quandos das crianças ate 12 anos. mas existe gente que fica simplesmente fascinada com a capacidade de uma criança de 5 anos de escrever: "o hipopótamo é grande e não cabe na minha casa". porque, meu deus, pra ela ter pensado isso, é um gênio, um pré-gênio! e nessa hora, as pessoas como eu dizem: "claro que ele não cabe na sua casa, isso é óbvio". pessoas como eu, se divertem quando a criança diz "você não me pega cara de meleca", enquanto existem pessoas que vão lá, perto dela, na mesma hora, pra ensinar que aquilo pode chatear o coleguinha, fazendo do pequeno pirralho uma criança melhor, pelo menos nos próximos cinco minutos, até ela empurrar a menina do lado que pegou o lápis rosa dela sem querer. pessoas como eu ficam extremamente irritadas com a idéia de passar o dia rodeada de crianças de 5 anos, superativas, com sede de perguntar pular e, principalmente, gritar. mas tem gente que acorda de manhã cedo, todos os dias, só por saber que vão ter a presença alegre daqueles anjinhos durante o dia todo. essas pessoas, são chamadas p r o fe s s o r a s, tias pra falar a verdade, mulheres que apesar das dores de cabeça diárias, e de tudo o que possa atrapalhar, simplesmente tem paixão por ensinar, simplesmente ficam fascinadas, todos os dias, com as peripécias de seus pupilos...
...porém, o fato de nós (se é que você se junta à mim nessa) não termos vocação pra tia, não nos impede de ainda nos sentir fascinados com pequenas coisas.
e observar a vida das quatro tartarugas de um pequeno chafariz de mais ou menos 500 litros, é algo realmente...intrigante podemos dizer. elas podem nos distrair, pois ficar esperando o mergulho do alto da pedra mais alta de sustentaçao do cano até a água, ou a grande, e demorada, escalada das pedrinhas inferiores, e até mesmo a brusca queda de casco n'água após uma tentativa frustada de cortar caminho até as alturas, bem, pode demorar bastante e uma expectativa nos distrai da outra. mas elas também podem nos entediar sabe, porque é uma vidinha tão parada, é um nada pra lá, nada pra cá, sobe daqui, pega um ar dali, mergulha de novo, abre as patas traseiras, impulsiona as dianteiras e aff! isso cansa! o divertido mesmo, é quando o chafariz está ligado e você pode sentir a aflição das coitadinhas sentindo as gostas frenéticas e repetitivas. elas nao sabem, coitadas, se ficam nas pedras tentando se esconder e recebendo uns respingos, ou se mergulham de vez, pois já que tá ruim, piora de vez!! e aquela agonia dura séculos na curta meia hora em que o chafariz se exibe. o barulho das gotas, rápidas, fortes, a água espirrando nas folhas ao redor...e as coitaidnhas lá, sofrendo. quando tudo volta à calmaria corriqueira do dia-a-dia, parece que elas já tiveram aventura o suficiente pelo resto de suas vidas...mas só parece...pode ver que no dia seguinte, naquela mesma hora, o chafariz vai ser ligado e tudo acontece de novo. mas que é uma boa distração a tal vida das tartarugas, isso é!
...porém, o fato de nós (se é que você se junta à mim nessa) não termos vocação pra tia, não nos impede de ainda nos sentir fascinados com pequenas coisas.
e observar a vida das quatro tartarugas de um pequeno chafariz de mais ou menos 500 litros, é algo realmente...intrigante podemos dizer. elas podem nos distrair, pois ficar esperando o mergulho do alto da pedra mais alta de sustentaçao do cano até a água, ou a grande, e demorada, escalada das pedrinhas inferiores, e até mesmo a brusca queda de casco n'água após uma tentativa frustada de cortar caminho até as alturas, bem, pode demorar bastante e uma expectativa nos distrai da outra. mas elas também podem nos entediar sabe, porque é uma vidinha tão parada, é um nada pra lá, nada pra cá, sobe daqui, pega um ar dali, mergulha de novo, abre as patas traseiras, impulsiona as dianteiras e aff! isso cansa! o divertido mesmo, é quando o chafariz está ligado e você pode sentir a aflição das coitadinhas sentindo as gostas frenéticas e repetitivas. elas nao sabem, coitadas, se ficam nas pedras tentando se esconder e recebendo uns respingos, ou se mergulham de vez, pois já que tá ruim, piora de vez!! e aquela agonia dura séculos na curta meia hora em que o chafariz se exibe. o barulho das gotas, rápidas, fortes, a água espirrando nas folhas ao redor...e as coitaidnhas lá, sofrendo. quando tudo volta à calmaria corriqueira do dia-a-dia, parece que elas já tiveram aventura o suficiente pelo resto de suas vidas...mas só parece...pode ver que no dia seguinte, naquela mesma hora, o chafariz vai ser ligado e tudo acontece de novo. mas que é uma boa distração a tal vida das tartarugas, isso é!
domingo, 30 de outubro de 2005
quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Passado, presente e futuro, são as partes da vida de uma pessoa com as quais ela passa todos os seus dias se preocupando. Inevitavelmente. Quando não estamos nos perguntando "por que fiz aquilo?" ou mesmo "o que faço agora?" estamos querendo saber "o que vou fazer daqui pra frente?". Viver de passado não faz bem, isso todo mundo sabe, mas viver sem passado faz pior ainda! Não se deve querer adivinhar o futuro, isso causaria estragos. Mas a dúvida nos faz errar tantas vezes! O ideal seria, realmente, viver cada dia como se fosse o último, aproveitando a vida. Mas quem diz que sabe viver assim está mentindo! Então o que fazer? Pois é, dificil responder.
O negócio então, é aprendermos a viver com as dúvidas, vibrarmos a cada acerto, e aceitar os erros para nao cometê-los novamente.
Qundo o passado se confunde com o presente, e o presente tenta fazer parte do futuro, tudo fica confuso, e a mente pode querer saltar pra 4ª dimensão e fugir de tudo isso, ao mesmo tempo que quer se agarrar às lembranças e esperanças, sem perder por lado nennhum. Mas isso é quase impossível.
Heart, mind and soul.
É como se fossem "cabeça, tronco e membros", sabe?! Talvez não nessa ordem. Mas nesse nível de importância!
É, quando um dos três não está bem, o resto todo se afeta, é automático. Um coração partido, uma mente bagunçada ou uma alma cansada, podem até mesmo soltar faíscas, e atingir a pobres inocentes que por acaso, destino ou falta de sorte, cruzarem seu caminho.
O negócio então, é aprendermos a viver com as dúvidas, vibrarmos a cada acerto, e aceitar os erros para nao cometê-los novamente.
Qundo o passado se confunde com o presente, e o presente tenta fazer parte do futuro, tudo fica confuso, e a mente pode querer saltar pra 4ª dimensão e fugir de tudo isso, ao mesmo tempo que quer se agarrar às lembranças e esperanças, sem perder por lado nennhum. Mas isso é quase impossível.
Heart, mind and soul.
É como se fossem "cabeça, tronco e membros", sabe?! Talvez não nessa ordem. Mas nesse nível de importância!
É, quando um dos três não está bem, o resto todo se afeta, é automático. Um coração partido, uma mente bagunçada ou uma alma cansada, podem até mesmo soltar faíscas, e atingir a pobres inocentes que por acaso, destino ou falta de sorte, cruzarem seu caminho.
terça-feira, 11 de outubro de 2005
Feliz Aniversário
É aniversário, e ela se pergutna se os parabens devem ser direcionados à ela, ou aos seus pais. Não num acesso de egocentrismo de se achar tanto assim, mas por serem eles os responsáveis pela existência. Mas aí ela se dá conta, que talvez, todos os parabéns recebidos, sejam nao por ter nascido há 17 anos, mas por ter sobrevivido 17 anos, por vivido 17 anos!
17 anos de muita indecisão, choro, medo, mas também de muitas amizades, muita alegria, muitas risadas e muitas histórias pra contar!
Enfim,
Parabéns pra mim !
17 anos de muita indecisão, choro, medo, mas também de muitas amizades, muita alegria, muitas risadas e muitas histórias pra contar!
Enfim,
Parabéns pra mim !
sexta-feira, 7 de outubro de 2005
Aos Apaixonados
Rubem Alves
Dedico esta crônica aos apaixonados, mesmo sabendo que servirá para nada: é inútil falar aos apaixonados. Os apaixonados só ouvem poemas e canções. A paixão, experiência insuperável de prazer e alegria, pelo fato mesmo de ser uma experiência insuperável de prazer e alegria, coloca o apaixonado fora dos limites da razão. Todo apaixonado é tolo. Pode ser que ele escute a fala da razão. Escuta mas não acredita. Diz ele: "O meu caso é diferente!" Tolo mesmo é quem tenta argumentar com os apaixonados.
Começa, pois, assim, minha inútil meditação com um verso terrível de T. S. Eliot. Ele está rezando. Ele sabe que somente Deus tem poder para lidar com a loucura da paixão. Ele reza assim: : . . livra-me da dor da paixão não satisfeita e da dor muito maior da paixão satisfeita".
Todo mundo sabe que paixão não satisfeita dói. Mas poucos sabem que a paixão só existe se não for satisfeita. A paixão é fome. Ela só floresce na ausência do objeto amado. Mais precisamente, ela vive da ausência do objeto amado. Não se trata de ausência física, do objeto amado distante, longe. A dor da ausência física tem o nome de saudade.
Saudade tem cura. A saudade é curada quando o seu objeto volta. A dor da paixão é diferente. Não tem cura. A saudade do objeto amado, mesmo quando ele está presente, é o perfume característico da paixão. Cassiano Ricardo sabia disso e escreveu. "Por que tenho saudade / de você, no retrato, ainda que o mais recente? / E por que um simples retrato /mais que você, me comove, se você mesma está presente?"
Que coisa mais esquisita! Como pode ser isso? Como se pode sentir saudade de algo que está presente? A resposta é simples: a gente sente saudade de uma pessoa presente quando ela está se despedindo. Cecilia Meireles, desenhando sua avó morta, a quem ela muito amava, disse: "Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se". Dirão "É natural; um dia ela possuirá o objeto da sua paixão. Mas a 'dor muito maior', da paixão satisfeita, não tem mais esperanças. O objeto se desfez. Ela vive na tristeza do objeto perdido".
Escrevi uma história sobre isso. A Menina era apaixonada pelo Pássaro Encantado. Mas ela sofria porque o Pássaro era livre, O Pássaro Encantado era sempre uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se. O Pássaro lhe disse que era preciso que fosse assim, para que eles continuassem apaixonados. Ele sabia que a paixão não ama pássaros em vôo. Mas a Menina não acreditou. Prendeu-o numa gaiola.
Gaiola? Há as feitas com ferro e cadeados. Mas as mais sutis são feitas com desejos. Esquisito o que vou dizer: a alma é uma biblioteca. Nela se encontram as estórias que amamos "Romeu e Julieta", "Abelardo e Heloisa", "O paciente Inglês", 'As Pontes de Madison", "O Amor nos Tempos Cólera", "A Menina e o Pássaro Encantado". As estórias que amamos revelam a forma do nosso desejo. Delas escolhemos uma, é a nossa gaiola. Gaiola na mão, saímos pela vida à procura do nosso Pássaro. Quando imaginamos havê-lo encontrado, uh, que felicidade!" Ficará feliz em nossa gaiola. Será o amante da nossa estória de amor: eu prá você, você prá mim. . . Nós colocamos lá dentro e pedimos que nos cante canções de amor.
Acontece que o Pássaro também tinha a sua estória. E era outra. Todo Pássaro deseja voar. Ele bate suas asas contra as grades, suas penas perdem as cores e o seu canto se transforma em choro. E, de repente, ele se transforma. Não mais o reconhecemos, é um outro. Essa é a razão por que a dor da paixão satisfeita é muito maior.
Contada assim, a estória parece ter um vilão e uma vítima. A verdade é que os dois são vilões, os dois são vítimas. O desejo da gente é sempre engaiolar o outro e levá-lo pelos caminhos que são nossos. Isso vale para tudo: marido-mulher, pai-filha, mãe- filho, patrão-empregado, professor-aluno... Não admira que Sartre tenha dito que "o inferno é o outro" Não haverá uma saída.
Lembro-me de um pequeno poema de Perls, que sugere uma relação sem gaiolas:
"Eu sou eu.
Você é você.
Eu não estou nesse mundo para atender às suas expectativas
E você não está nesse mundo para atender às minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos
É muito bom".
[levemente tirado do fotolog da minha prima Bárbara. bom a crônica é linda por isso decidi postar]
Rubem Alves
Dedico esta crônica aos apaixonados, mesmo sabendo que servirá para nada: é inútil falar aos apaixonados. Os apaixonados só ouvem poemas e canções. A paixão, experiência insuperável de prazer e alegria, pelo fato mesmo de ser uma experiência insuperável de prazer e alegria, coloca o apaixonado fora dos limites da razão. Todo apaixonado é tolo. Pode ser que ele escute a fala da razão. Escuta mas não acredita. Diz ele: "O meu caso é diferente!" Tolo mesmo é quem tenta argumentar com os apaixonados.
Começa, pois, assim, minha inútil meditação com um verso terrível de T. S. Eliot. Ele está rezando. Ele sabe que somente Deus tem poder para lidar com a loucura da paixão. Ele reza assim: : . . livra-me da dor da paixão não satisfeita e da dor muito maior da paixão satisfeita".
Todo mundo sabe que paixão não satisfeita dói. Mas poucos sabem que a paixão só existe se não for satisfeita. A paixão é fome. Ela só floresce na ausência do objeto amado. Mais precisamente, ela vive da ausência do objeto amado. Não se trata de ausência física, do objeto amado distante, longe. A dor da ausência física tem o nome de saudade.
Saudade tem cura. A saudade é curada quando o seu objeto volta. A dor da paixão é diferente. Não tem cura. A saudade do objeto amado, mesmo quando ele está presente, é o perfume característico da paixão. Cassiano Ricardo sabia disso e escreveu. "Por que tenho saudade / de você, no retrato, ainda que o mais recente? / E por que um simples retrato /mais que você, me comove, se você mesma está presente?"
Que coisa mais esquisita! Como pode ser isso? Como se pode sentir saudade de algo que está presente? A resposta é simples: a gente sente saudade de uma pessoa presente quando ela está se despedindo. Cecilia Meireles, desenhando sua avó morta, a quem ela muito amava, disse: "Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se". Dirão "É natural; um dia ela possuirá o objeto da sua paixão. Mas a 'dor muito maior', da paixão satisfeita, não tem mais esperanças. O objeto se desfez. Ela vive na tristeza do objeto perdido".
Escrevi uma história sobre isso. A Menina era apaixonada pelo Pássaro Encantado. Mas ela sofria porque o Pássaro era livre, O Pássaro Encantado era sempre uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se. O Pássaro lhe disse que era preciso que fosse assim, para que eles continuassem apaixonados. Ele sabia que a paixão não ama pássaros em vôo. Mas a Menina não acreditou. Prendeu-o numa gaiola.
Gaiola? Há as feitas com ferro e cadeados. Mas as mais sutis são feitas com desejos. Esquisito o que vou dizer: a alma é uma biblioteca. Nela se encontram as estórias que amamos "Romeu e Julieta", "Abelardo e Heloisa", "O paciente Inglês", 'As Pontes de Madison", "O Amor nos Tempos Cólera", "A Menina e o Pássaro Encantado". As estórias que amamos revelam a forma do nosso desejo. Delas escolhemos uma, é a nossa gaiola. Gaiola na mão, saímos pela vida à procura do nosso Pássaro. Quando imaginamos havê-lo encontrado, uh, que felicidade!" Ficará feliz em nossa gaiola. Será o amante da nossa estória de amor: eu prá você, você prá mim. . . Nós colocamos lá dentro e pedimos que nos cante canções de amor.
Acontece que o Pássaro também tinha a sua estória. E era outra. Todo Pássaro deseja voar. Ele bate suas asas contra as grades, suas penas perdem as cores e o seu canto se transforma em choro. E, de repente, ele se transforma. Não mais o reconhecemos, é um outro. Essa é a razão por que a dor da paixão satisfeita é muito maior.
Contada assim, a estória parece ter um vilão e uma vítima. A verdade é que os dois são vilões, os dois são vítimas. O desejo da gente é sempre engaiolar o outro e levá-lo pelos caminhos que são nossos. Isso vale para tudo: marido-mulher, pai-filha, mãe- filho, patrão-empregado, professor-aluno... Não admira que Sartre tenha dito que "o inferno é o outro" Não haverá uma saída.
Lembro-me de um pequeno poema de Perls, que sugere uma relação sem gaiolas:
"Eu sou eu.
Você é você.
Eu não estou nesse mundo para atender às suas expectativas
E você não está nesse mundo para atender às minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos
É muito bom".
[levemente tirado do fotolog da minha prima Bárbara. bom a crônica é linda por isso decidi postar]
sexta-feira, 23 de setembro de 2005
So Unsexy
Alanis Morissette
Oh these little rejections how they add up quickly
One small sideways look and I feel so ungood
Somewhere along the way I think I gave you the power to make
Me feel the way I thought only my father could
Oh these little rejections how they seem so real to me
One forgotten birthday I'm all but cooked
How these little abandonments seem to sting so easily
I'm 13 again am I 13 for good?
I can feel so unsexy for someone so beautiful
So unloved for someone so fine
I can feel so boring for someone so interesting
So ignorant for someone of sound mind
Oh these little protections how they fail to serve me
One forgotten phone call and I'm deflated
Oh these little defenses how they fail to comfort me
Your hand pulling away and I'm devastated
When will you stop leaving baby?
When will I stop deserting baby?
When will I start staying with myself?
Oh these little projections how they keep springing from me
I jump my ship as I take it personally
Oh these little rejections how they disappear quickly
The moment I decide not to abandon me
Alanis Morissette
Oh these little rejections how they add up quickly
One small sideways look and I feel so ungood
Somewhere along the way I think I gave you the power to make
Me feel the way I thought only my father could
Oh these little rejections how they seem so real to me
One forgotten birthday I'm all but cooked
How these little abandonments seem to sting so easily
I'm 13 again am I 13 for good?
I can feel so unsexy for someone so beautiful
So unloved for someone so fine
I can feel so boring for someone so interesting
So ignorant for someone of sound mind
Oh these little protections how they fail to serve me
One forgotten phone call and I'm deflated
Oh these little defenses how they fail to comfort me
Your hand pulling away and I'm devastated
When will you stop leaving baby?
When will I stop deserting baby?
When will I start staying with myself?
Oh these little projections how they keep springing from me
I jump my ship as I take it personally
Oh these little rejections how they disappear quickly
The moment I decide not to abandon me
terça-feira, 6 de setembro de 2005
¬¬
e ri-se ela da desgraça alheia de não tê-la ao lado. e riem todos da desgraça dela de não ter lado. porque se sentir bem não é assim tão fácil quanto chorar entende. e nem todo mundo sofre da facilidade de saber o que se passa em cada célula do seus pensamentos. já viu quando alguém fica parado, olhando pro tempo? todo mundo sempre acha que é tristeza, e nem sempre é assim. você já teve que ficar feliz em silêncio? conter felicidade é a coisa mais dificil do mundo! conter tristeza também não é lá das coisas mais fáceis mas... alguma vez já te falaram que quanto mais alto maior o tombo? então...viver uma montanha russa não deve ser fácil...não é fácil. fervilham pensamentos, borbulham sentimentos...mas o nome da receita ela ainda não sabe. pode ser..."last night à parmegiana" ou "the blue future com frutas". fica claro e evidente qual aí tem preferência, mas já ouviu falar de "gosto não se descute" ?!? é que tem coisas que simplesmente assombram uma vida, e a gente sempre pensa que os fantasmas são eternos, mas você já viu algum fantasma? então, eles podem nem existir e ser tudo coisa da nossa imaginção, ou coração, que seja, ou podem ser tão mortais quanto uma borboleta. tudo uma questão de ..cada um ?!. e de repente não mais que de repente, o céu clareia em um azul intenso e completamente inexperado; como o mundo é mundo e murphy nos ama, na manhã seguinte nuvens nubladas e levemente posicionadas em cima de nossas cabeças aparecem pra nos tirar aquele gosto de domingo-infantil-de-verão. mas a previsão da personalidade, ops, a previsão do tempo já tinha avisado. há séculos atrás. milhões de caminhos existem, milhões de portas pra se abrir, mais mil e poucas possiblidades por aí. mas é que o coraçao ainda não é de mãe sabe, e mal consegue repartir espaços meio-a-meio. hora chega mais pra lá, hora expreme de cá. e ela, assim, ainda se recuperando da grande gargalhada que deu ao sentar no rabicó, teve que sorrir, falar, ouvir, travar e.... pensar.... mais uma vez. você acha que nunca vai ser humilde e sincero o suficiente pra ser real? será mesmo que a incapacidade perante ao "ser normal" é assim tão...tão...insuperável?! o ser humano é algo muito dificil de entender. a galera na torcida grita por mais tempo, muito mais tempo, mas a líder da torcida só quer ser salva. ela está sendo pisoteada por torcedores adversários que invadem o campo com uma fome...e uma capacidade para mudar pessoas e conquistá-las, que o pobre time da casa, que sempre sonhou em ganhar troféu lá dentro, e quem sabe um dia ser feliz longe dali vendo fotos e rindo das próprias besteiras, tirou seu corpo de campo e foi jogar em outra freguesia. deixou o juíz lá, sem saber o que quer, sem querer o que sabe, e procurou não mais adivinhar se o próximo cartão verde era seu ou do de trás. um time sem casa, um time quase sem torcida, um time que não sabe se ainda quer jogar esse jogo de sofrer ou se resolve de uma só vez engolir as lembranças de campeonatos e mudar de modalidade, o time faz agora seu pedido :"i'm begging you to save me"! é, você, que nos fez acreditar na vitória, que nos fez susperar a cada amistoso, mas que agora abaixou os pompons e cancelou a 'ola' e só de vez em quando faz visita ao coração da galera aqui de dentro.
e se ninguém mais se dedicar a salvar o mundo da creepice...eu juro...eu juro... eu juro que crio um tópico esculachando quem quer que seja que tenha inventado essa história de pedestal. e eu não tô falando do Thibes não, quero já começar com peixe grande! estamos avisados!
e se ninguém mais se dedicar a salvar o mundo da creepice...eu juro...eu juro... eu juro que crio um tópico esculachando quem quer que seja que tenha inventado essa história de pedestal. e eu não tô falando do Thibes não, quero já começar com peixe grande! estamos avisados!
sexta-feira, 26 de agosto de 2005
Elisa Lucinda
Texto para uma separação
Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co'a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?
Texto para uma separação
Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co'a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?
sexta-feira, 19 de agosto de 2005
Elisa Lucinda
Aviso da Lua que Menstrua
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Aviso da Lua que Menstrua
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
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segunda-feira, 1 de agosto de 2005
contos utópicos
a moça chegou na casa como em qualquer um dos outros dias em que ela visitava, cumprimentou quem estava na sala, conversou um pouco, mas naquele dia ela carregava um pedido, um favor. então foi ao quarto, assim meio que tentando desfarçar e entregou, pra menina que via televisão, um envelope daqueles pardos de tamanho médio, e não disse nada além de: "pediram pra entregar". o sujeito oculto era sabido pela garota esparramada na cama. o conteúdo do envelope era sonhado, mas inesperado. de repente a tv já perdia a cor, e a menina despejou sobre as flores cor de rosa do lençol aquele sentimento. via-se um souvenir colorido, macio e levemente gasto pelo tempo de gaveta e uma papel, dobrado, gasto como se existisse há algum tempo. ela, ainda tonta, olhava aquelas bolinhas vermelhas, despenteadas, e sentia um cheiro, cheiro antigo, que há muito não se fazia presente. então, criou coragem, e foi desdobrando o papel. aos poucos aquela letra que ela mal conhecia, mas que sabia, formava palavras soltas, que ela leu sem querer, antes do primeiro parágrafo. a carta começava com uma lágrima, dela, pois nunca havia visto seu nome escrito com aquela mão...
...o papel dizia sobre um dos anos passados, um tempo que fez frio, fez história. falava das mudanças que teriam ocorrido desde então, contava sobre os pensamentos que ela não tinha presenciado. dizia coisas que ela queria ouvir, mas também assumia palavras que ela no fundo já sabia, mas não eram agradáveis. no fim da folha, acabou que ela percebeu que a pedra que a machucava, estourou mais rápido por lá. no fim das contas, remetente e destinatario, no fundo no fundo, não estavam preparados pra nada...ou um estava mais que o outro. enfim, não que não tenha sido sincero, era o que dizia a tinta da bic, não que não tenha feito falta, não que não fosse desejado. foi. deixou de ser por causa do tempo, novo demais, mas poderia voltar a ser se o tempo mandasse. as reticências no fim da última frase ("dá voltas...") são as reticências que sempre existiram, sempre formaram lacunas, sempre fizeram permanecer...as reticências que são característica principal dos dois.
bom, àquela altura, ela ja tinha seus caminhos novos, mesmo que sempre com a memória intacta; ele já havia feito muitas coisas, vivido mais outras, mas acabou que não conseguiu esquecer aqueles olhos. talvez tivessem nascido um pro outro, talvez a carta fosse só esclarecimento, talvez eles casem, talvez eles nunca mais se falem, talvez eles aindam saiam pra jantar entre amigos, como amigos, com seus "amigos".
mas nenhum dos dois irá esquecer aquele envelope pardo, que a propósito foi devolvido mas havia apenas um pedaço de borracha preta dentro, nada de cartas. ele vai sentir falta do souvenir, ela vai lembrar sempre daquilo que por muito foi quase uma segunda pele. mas cada um dos dois, vai poder saber dali pra frente, que valeu a pena de certa forma. cada um em seu canto, vai saber viver mais tranquilo a partir daquele dia.
...o papel dizia sobre um dos anos passados, um tempo que fez frio, fez história. falava das mudanças que teriam ocorrido desde então, contava sobre os pensamentos que ela não tinha presenciado. dizia coisas que ela queria ouvir, mas também assumia palavras que ela no fundo já sabia, mas não eram agradáveis. no fim da folha, acabou que ela percebeu que a pedra que a machucava, estourou mais rápido por lá. no fim das contas, remetente e destinatario, no fundo no fundo, não estavam preparados pra nada...ou um estava mais que o outro. enfim, não que não tenha sido sincero, era o que dizia a tinta da bic, não que não tenha feito falta, não que não fosse desejado. foi. deixou de ser por causa do tempo, novo demais, mas poderia voltar a ser se o tempo mandasse. as reticências no fim da última frase ("dá voltas...") são as reticências que sempre existiram, sempre formaram lacunas, sempre fizeram permanecer...as reticências que são característica principal dos dois.
bom, àquela altura, ela ja tinha seus caminhos novos, mesmo que sempre com a memória intacta; ele já havia feito muitas coisas, vivido mais outras, mas acabou que não conseguiu esquecer aqueles olhos. talvez tivessem nascido um pro outro, talvez a carta fosse só esclarecimento, talvez eles casem, talvez eles nunca mais se falem, talvez eles aindam saiam pra jantar entre amigos, como amigos, com seus "amigos".
mas nenhum dos dois irá esquecer aquele envelope pardo, que a propósito foi devolvido mas havia apenas um pedaço de borracha preta dentro, nada de cartas. ele vai sentir falta do souvenir, ela vai lembrar sempre daquilo que por muito foi quase uma segunda pele. mas cada um dos dois, vai poder saber dali pra frente, que valeu a pena de certa forma. cada um em seu canto, vai saber viver mais tranquilo a partir daquele dia.
segunda-feira, 18 de julho de 2005
pequeno manual de AUTO-ajuda
Você já pensou em quantas coisas você já deixou passar?
Quantos amores, quantos amigos, quantos sábado na casa da vó, quantos domingos tomando sorvete... Já parou pra pensar?Já percebeu quantas manhãs você perde dormindo? Quantas Luas cheias você esqueceu de admirar, quantas estrelas você deixou de contar? Faz quanto tempo que você não lê um livro? Hein, quanto? Às vezes a gente vai vivendo muito preocupado com o que vai ser do futuro, ou muito apegado ao que aconteceu no passado. E o presente onde fica?
Às vezes você pode pensar que o tempo está passando rápido demais, e que as coisas não estão acontecendo, mas pode ser que você não esteja prestando atenção. Pode ser que esteja sonhando demais e aproveitando de menos, e fazendo de menos. Tem horas que tudo parece perfeito, e passa um tempo isso tudo cai a baixo e você acha que está num mar de problemas. E muitas vezes nada mudou, além de você mesmo.
Vive caindo em contradição, pensa muito e quando faz alguma coisa costuma extrapolar, pisar na bola. Ta na hora de você rever seus conceitos, diz o carro novo na TV, mas não custa nada rever de verdade. Acertar o juízo, entender os pensamentos, seguir bons conselhos, os de mãe talvez, os de amigos, o seus, aqueles que você finge que não conhece. Ficar olhando fotos e ver a alegria que não quis, ou ficar lembrando o que quer, e precisa, esquecer só vai fazer piorar as coisas. È melhor não se apegar à felicidade que deixou passar, nem aos problemas que se evitou. Concentre-se em evitar novos problemas e aproveitar as felicidades. Cada um tem sua felicidade...seus momentos felizes...não adianta achar que o momento de um poderia ser seu, ou que o seu corre o risco de ser de outro. Ninguém fica feliz vivendo o que não quer, vivendo a felicidade que não lhe pertence. O que é feliz pro outro pode ser a angústia pra você. E ninguém fica feliz sozinho, nem que seja o passarinho de estimação, mas algum outro elemento sempre vai existir num sentimento de felicidade. Prestar atenção nas coisas de verdade, nos livros pela metade, nas manhãs de céu azul. Saber que a gente sempre pode relembrar bons momentos, e construir alguns bem melhores. Saber, principalmente, que não se pode adivinhar pensamentos alheios, nem julgá-los por palavras soltas, nunca se saberá o que o outro pensa verdadeiramente, mas a gente pode perguntar, e chegar mais rápido à conclusão mais confiável que se pode ter. Não vale sofrer por antecipação, na verdade nem ser feliz com o incerto. Ou se perde tempo sofrendo enquanto poderia aproveitar, ou se perde tempo sofrendo pelo tombo que se poderia evitar. Saber ser sem desesperar. Sendo bom ou ruim, é isso que se tem que fazer, ou pelo menos tentar.
Quantos amores, quantos amigos, quantos sábado na casa da vó, quantos domingos tomando sorvete... Já parou pra pensar?Já percebeu quantas manhãs você perde dormindo? Quantas Luas cheias você esqueceu de admirar, quantas estrelas você deixou de contar? Faz quanto tempo que você não lê um livro? Hein, quanto? Às vezes a gente vai vivendo muito preocupado com o que vai ser do futuro, ou muito apegado ao que aconteceu no passado. E o presente onde fica?
Às vezes você pode pensar que o tempo está passando rápido demais, e que as coisas não estão acontecendo, mas pode ser que você não esteja prestando atenção. Pode ser que esteja sonhando demais e aproveitando de menos, e fazendo de menos. Tem horas que tudo parece perfeito, e passa um tempo isso tudo cai a baixo e você acha que está num mar de problemas. E muitas vezes nada mudou, além de você mesmo.
Vive caindo em contradição, pensa muito e quando faz alguma coisa costuma extrapolar, pisar na bola. Ta na hora de você rever seus conceitos, diz o carro novo na TV, mas não custa nada rever de verdade. Acertar o juízo, entender os pensamentos, seguir bons conselhos, os de mãe talvez, os de amigos, o seus, aqueles que você finge que não conhece. Ficar olhando fotos e ver a alegria que não quis, ou ficar lembrando o que quer, e precisa, esquecer só vai fazer piorar as coisas. È melhor não se apegar à felicidade que deixou passar, nem aos problemas que se evitou. Concentre-se em evitar novos problemas e aproveitar as felicidades. Cada um tem sua felicidade...seus momentos felizes...não adianta achar que o momento de um poderia ser seu, ou que o seu corre o risco de ser de outro. Ninguém fica feliz vivendo o que não quer, vivendo a felicidade que não lhe pertence. O que é feliz pro outro pode ser a angústia pra você. E ninguém fica feliz sozinho, nem que seja o passarinho de estimação, mas algum outro elemento sempre vai existir num sentimento de felicidade. Prestar atenção nas coisas de verdade, nos livros pela metade, nas manhãs de céu azul. Saber que a gente sempre pode relembrar bons momentos, e construir alguns bem melhores. Saber, principalmente, que não se pode adivinhar pensamentos alheios, nem julgá-los por palavras soltas, nunca se saberá o que o outro pensa verdadeiramente, mas a gente pode perguntar, e chegar mais rápido à conclusão mais confiável que se pode ter. Não vale sofrer por antecipação, na verdade nem ser feliz com o incerto. Ou se perde tempo sofrendo enquanto poderia aproveitar, ou se perde tempo sofrendo pelo tombo que se poderia evitar. Saber ser sem desesperar. Sendo bom ou ruim, é isso que se tem que fazer, ou pelo menos tentar.
segunda-feira, 11 de julho de 2005
sexta-feira, 8 de julho de 2005
Faz tempo que não escrevo. Faz tempo que penso pouco, ou demais, e deixo pra lá. As coisas acontecem, vão se atropelando pelo caminho. Pelo meu caminho. Não vai nada ruim não, pode acreditar, as coisas vão até muito bem obrigada, diz quem a vê passar. Mas tem alguma coisa fora do lugar, tem alguma peça fora do encaixe. Faz frio lá fora e parece que ele congela aqui dentro . E só por hoje (ou amanha e depois....) não quero esse frio ingrato.É o quê? Lerdeza, burrice, teimosia? Coisa boa não pode ser, não faz bem mesmo.
É o quê? Lerdeza, burrice, teimosia? Coisa ruim não é...faz tão bem.
Assim se divide desigualmente um coração, um sentimento (dois, três...), uma idéia fixa. Talvez o Alaska fosse uma alternativa, mas com a cotação de inverno em baixa pode ser o Hawaí. Tá, não precisa exagerar. Acho que não tem lugar pra creeps-em-estado-não-creep-com-crise-creep, ou pra mim, no mundo. É que não venta, não chove, não relampeja. Mas também não tira aquela manchinha negra do Sol que está nascendo. Pelo amor de Deus, passa um paninho com veja-multi-uso nessa macha...
Sabe quando dormir, e acordar só quando o corpo pedir, é a única coisa que pode te salvar de uma semana de stress, mal-humor e tristeza? Esse Sol pode salvar uma vida se salvar essa fase. Não se pode viver pensando que muito não é o bastante e que você nunca vai conseguir ser. Recuse-se. E se já se recusou e alguma coisa ainda insiste em não se recusar, peça ajuda ao Sol. Eu digo e repito: eu me recuso. Agora Sol, dá uma ajudinha aí... Esse Sol já vem salvando faz um tempo, esquentando nos dias mais frios, alegrando nos mais tristes. Sem o Sol o mundo acaba, já teria acabado. Por dias...por tempos...pra sempre talvez. Por isso Sol, não some não. Mesmo que nas noites mais frias você durma longe dos grandes olhos...Vê se volta toda manhã, e faz a vida aqui amanhecer sorrindo.
quarta-feira, 29 de junho de 2005
domingo, 26 de junho de 2005
terça-feira, 14 de junho de 2005
Head Over Feet
I had no choice but to hear you
You stated your case time and again
I thought about it
You treat me like I'm a princess
I'm not used to liking that
You ask how my day was
(chorus)
You've already won me over in spite of me
Don't be alarmed if I fall head over feet
Don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault
Your love is thick and it swallowed me whole
You're so much braver than I gave you credit for
That's not lip service
(repeat chorus)
You are the bearer of unconditional things
You held your breath and the door for me
Thanks for your patience
You're the best listener that I've ever met
You're my best friendBest friend with benefits
What took me so long
I've never felt this healthy before
I've never wanted something rational
I am aware now
I am aware now
(repeat chorus)
Alanis Morissette
You stated your case time and again
I thought about it
You treat me like I'm a princess
I'm not used to liking that
You ask how my day was
(chorus)
You've already won me over in spite of me
Don't be alarmed if I fall head over feet
Don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault
Your love is thick and it swallowed me whole
You're so much braver than I gave you credit for
That's not lip service
(repeat chorus)
You are the bearer of unconditional things
You held your breath and the door for me
Thanks for your patience
You're the best listener that I've ever met
You're my best friendBest friend with benefits
What took me so long
I've never felt this healthy before
I've never wanted something rational
I am aware now
I am aware now
(repeat chorus)
Alanis Morissette
quarta-feira, 1 de junho de 2005
Existe um aperto no peito de cada um. Existe um assunto que trava, uma palavra que engasga, um sentimento que assombra. Mas como curar o sentimento engasgado, que nem mesmo sabe onde engasgou? Os sentimentos que se foram, apenas tinha ido, e voltam à tona quando passarinho sopra no ouvido. A questão não é querer, é nao ter tido, é nao saber ter sido, é nunca ter tido certeza....e mesmeo assim, ter desejado.
Certas coisas nunca devem ser ignoradas, nunca podem ser deixadas pra depois. O tempo, o cheiro, o som, o vento, a cor do céu, fica tudo marcado, guardado.
Aqueles atos, aquelas dúvidas, os silêncios, ausências, é tudo coisa que fica. E se não resolvida, ou mal-resolvida vai apertando, consumindo devagar. Até o dia que se sente o coração, agonizando, implorar por arrumação, explicação, e te mandar correr atrás do prejuízo.
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, há aqueles que se resolvem com tanta facilidade que os desavisados se assustam. E há os que simplesmente não consegeum esquecer. Mas pra tudo existe um meio termo, gente que pelo simples fato de ter memória, não faz questão de apagar o passado. Querem apenas resolvê-lo.
Certas coisas nunca devem ser ignoradas, nunca podem ser deixadas pra depois. O tempo, o cheiro, o som, o vento, a cor do céu, fica tudo marcado, guardado.
Aqueles atos, aquelas dúvidas, os silêncios, ausências, é tudo coisa que fica. E se não resolvida, ou mal-resolvida vai apertando, consumindo devagar. Até o dia que se sente o coração, agonizando, implorar por arrumação, explicação, e te mandar correr atrás do prejuízo.
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, há aqueles que se resolvem com tanta facilidade que os desavisados se assustam. E há os que simplesmente não consegeum esquecer. Mas pra tudo existe um meio termo, gente que pelo simples fato de ter memória, não faz questão de apagar o passado. Querem apenas resolvê-lo.
quarta-feira, 25 de maio de 2005
sexta-feira, 20 de maio de 2005
porque já era hora
Já era hora de escrever de novo, já tá na hora de falar de novo. Chega um momento que a gente tem plena consciencia do que sente, ao contrário daqueles momentos cheios de dúvidas e incertezas.
As pessoas dizem que já tá mais do que na hora de não precisar fugir nem se preparar, e realmente está. Sinceramente, já está acontecendo isso, mas como de tudo fica um pouco, acho que pra sempre certas coisas vão ficar, até que se resolva os mal-entendidos, os mal-resolvidos, os mal-acabados, ou não. O resíduo fica ali no canto, despertado por algumas coisas, provocado por outras, ou adormecido por muitas coisas.
Mas nada como um conselho de vó, e um dito popular...verdade.
Às vezes a gente pára e pensa por que não eu? E outra hora a gente sabe que não simplesmente porque não. E vê o outro lado, e enxerga outros horizontes, e canta novas músicas, vive novas coisas....mas aquela música nunca vai deixar de tocar, aqueles tempos nunca vão poder ser apagados, certas lembranças e fatos nunca vão ser esquecidos, e isso é bom. É bom ter passado, todo mundo tem, é bom ter história pra contar aos netos décadas depois. Mas também é bom seguir em frente, não tropeçar no caminho. É muito importante conhecer pessoas. É essencial.
Enfim, o mundo realmente dá muitas voltas, mas nem sempre pára nas mesmas arestas, às vezes até pode parar, isso pode ate demorar, mas às vezes ele descobre arestas novas, prontas pra serem trilhadas, construídas. É bom saber que tudo acontece no seu próprio tempo, mas isso não significa cruzar os braços e sentar no sofá pra assistir tv. É bom que se corra atrás também, seja do prejuízo, ou do lucro certo.
O texto aí em baico, do Arnaldo Jabour, recebi hoje da minha irmã no email, e acho que vale à pena postar, por seu valor de utilidade pública e não porque seja algo essencialmente expressivo no momento, o que não é, pelo menos não compeltamente.
"Amores mal resolvidos"
(Arnaldo Jabor)
Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo. Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um Amor Mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação. Por que isso acontece? Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto. Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim. Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que Não. Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: Lembranças, amizade, parceira, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim. Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim. Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores. Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez. Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente.
As pessoas dizem que já tá mais do que na hora de não precisar fugir nem se preparar, e realmente está. Sinceramente, já está acontecendo isso, mas como de tudo fica um pouco, acho que pra sempre certas coisas vão ficar, até que se resolva os mal-entendidos, os mal-resolvidos, os mal-acabados, ou não. O resíduo fica ali no canto, despertado por algumas coisas, provocado por outras, ou adormecido por muitas coisas.
Mas nada como um conselho de vó, e um dito popular...verdade.
Às vezes a gente pára e pensa por que não eu? E outra hora a gente sabe que não simplesmente porque não. E vê o outro lado, e enxerga outros horizontes, e canta novas músicas, vive novas coisas....mas aquela música nunca vai deixar de tocar, aqueles tempos nunca vão poder ser apagados, certas lembranças e fatos nunca vão ser esquecidos, e isso é bom. É bom ter passado, todo mundo tem, é bom ter história pra contar aos netos décadas depois. Mas também é bom seguir em frente, não tropeçar no caminho. É muito importante conhecer pessoas. É essencial.
Enfim, o mundo realmente dá muitas voltas, mas nem sempre pára nas mesmas arestas, às vezes até pode parar, isso pode ate demorar, mas às vezes ele descobre arestas novas, prontas pra serem trilhadas, construídas. É bom saber que tudo acontece no seu próprio tempo, mas isso não significa cruzar os braços e sentar no sofá pra assistir tv. É bom que se corra atrás também, seja do prejuízo, ou do lucro certo.
O texto aí em baico, do Arnaldo Jabour, recebi hoje da minha irmã no email, e acho que vale à pena postar, por seu valor de utilidade pública e não porque seja algo essencialmente expressivo no momento, o que não é, pelo menos não compeltamente.
"Amores mal resolvidos"
(Arnaldo Jabor)
Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo. Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um Amor Mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação. Por que isso acontece? Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto. Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim. Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que Não. Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: Lembranças, amizade, parceira, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim. Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim. Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores. Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez. Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente.
quinta-feira, 19 de maio de 2005
sábado, 7 de maio de 2005
Saudades
Eu tenho saudades de tudo que
marcou a minha vida . Quando vejo retratos,quando sinto cheiros,quando escuto uma voz,quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,de pessoas com quem não mais
falei ou cruzei...Sinto saudades da minha infância,do meu primeiro amor,do meu segundo, do terceiro,do penúltimo e daqueles
que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,lembrando do passado
e apostando no futuro...Sinto saudades do futuro,
que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso
que vai ser... Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles
que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada
contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que
existiram mas que se soubesse,com certeza gostaria de experimentar
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de
experiências... Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me
amava fielmente,como só os cães são capazesde fazer,
dos livros que li eque me fizeram viajar,
dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar
das coisas que vivi e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade;
Quantas vezes tenho vontade deencontrar não sei o que,
não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem seio que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia
estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês,
mas que minha saudade, por eu ter nascido brasileira,
só fala português embora,
lá no fundo, possa ser poliglota
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,espontaneamente,quando estamos
desesperados,para contar dinheiro,fazer amor e declarar sentimentos fortes,
seja lá em que lugar do mundo estejamos
Eu acredito que um simples "I miss you", ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.Talvez não exprima, corretamente,a imensa falta que
sentimos de coisas ou pessoas queridas.E é por isso que eu tenho mais
saudades...Porque encontrei uma palavra para
usar todas as vezes em que sinto este
aperto no peito, meio nostálgico, meio
gostoso, mas que funciona melhor do
que um sinal vital quando se quer
falar de vida e de sentimentos.Ela é a prova inequívoca de
que somos sensíveis, de que amamos muito o que
tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos
ao longo da nossa existência...
Sentir saudades ,é sinal de que se está vivo!
(autor desconhecido-para mim)
Eu tenho saudades de tudo que
marcou a minha vida . Quando vejo retratos,quando sinto cheiros,quando escuto uma voz,quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,de pessoas com quem não mais
falei ou cruzei...Sinto saudades da minha infância,do meu primeiro amor,do meu segundo, do terceiro,do penúltimo e daqueles
que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,lembrando do passado
e apostando no futuro...Sinto saudades do futuro,
que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso
que vai ser... Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles
que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada
contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que
existiram mas que se soubesse,com certeza gostaria de experimentar
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de
experiências... Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me
amava fielmente,como só os cães são capazesde fazer,
dos livros que li eque me fizeram viajar,
dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar
das coisas que vivi e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade;
Quantas vezes tenho vontade deencontrar não sei o que,
não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem seio que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia
estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês,
mas que minha saudade, por eu ter nascido brasileira,
só fala português embora,
lá no fundo, possa ser poliglota
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,espontaneamente,quando estamos
desesperados,para contar dinheiro,fazer amor e declarar sentimentos fortes,
seja lá em que lugar do mundo estejamos
Eu acredito que um simples "I miss you", ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.Talvez não exprima, corretamente,a imensa falta que
sentimos de coisas ou pessoas queridas.E é por isso que eu tenho mais
saudades...Porque encontrei uma palavra para
usar todas as vezes em que sinto este
aperto no peito, meio nostálgico, meio
gostoso, mas que funciona melhor do
que um sinal vital quando se quer
falar de vida e de sentimentos.Ela é a prova inequívoca de
que somos sensíveis, de que amamos muito o que
tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos
ao longo da nossa existência...
Sentir saudades ,é sinal de que se está vivo!
(autor desconhecido-para mim)
domingo, 1 de maio de 2005
palavras ao vento
e meio ano [quase] se passou. começou sim, começou. começou, passou, e acabou. ou nao. ainda nem acabou. talvez nem tenha começado. talvez nem tenha passado. talvez ainda nao seja 1º de maio. quando será que vai ter que ser? nunca talvez. as vezes já foi, e como a vida corre e o mundo se preocupa com o futuro, eu nao tenha percebido. mas nao pode ter sido; nem pode estar sendo. nao era pra ser assim. nao é assim que tem que ser. e sabe assim, não é flamengo não, mas uma vez creep, sempre creep. inevitável caro amigo. tudo sempre está mais alto do que minha mão alcança. tudo sempre tem alguns degraus a mais que eu. tudo. sempre. ou será que sou eu que coloco as coisas alto demais? só sei que até hoje não aprendi a corrigir algumas coisas. algumas coisas ainda acontecem atropelando tempos alheios. talvez tenha sido o desespero de querer ao menos uma vez não entrar na sala de espera e ir direto ao consultório sabe. parece que ela é sempre tão perfeita que ninguém se acha digno. ou sempre tão incompleta que pra ninguém basta. tem sempre uma imperfeiçao inevitável pra quem ela olha. ou uma perfeição irresistível. cause' everybody wants everybody else, everybody wants, everybody else. fazer o quê. não sou eu que guio o mundo, nem minha bicicleta eu sei guiar direito, mas as coisas nem são tão assim. nem tão ruim quanto parece. nem tao nem aí quanto eu gostaria de fazer parecer. o negócio é que, por incrível que pareça, a àrvore definhou mais rápido do que se esperava. e uma outra floresceu antes da primavera entende? eu sei que as coisas estão bem claras aqui. talvez eu saiba que esse tipo de coisa nao agrade. mas é pra mim que eu escrevo, sem ofensas a quem lê. talvez eu precise falar disso...talvez não. já ouviram head over feet, da alanis? ...ouçam... [tem uam gaita fenomenal! tsc tsc] talvez seja esse um resumo, ou uma pesca mal feita, do que se passa na cabeça dela. faltam coisas? faltam, muitas. mas, quem sabe dia 2. eu sei que não se deve deixar as coisas pra depois. mas é que já está tarde, tem aula amanhã. e quem sabe amanhã tudo o que foi dito hoje, já não tenha mudado?! o mundo dá voltas......
segunda-feira, 18 de abril de 2005
E só porque eu falei das coisas boas no ontem, não quer dizer que eu não possa falar da falta delas no hoje.
De repente um aperto no peito. E um estalo. Idéias e frases que talvez fossem escritas se a situação fosse a mesma, aparecem assim, como se já estivessem por aqui há tempos, e só agora encontraram o caminho.
Um dia aquilo que é deixa de ser, aquilo que foi, deixa saudade (e frases paradas no peito), e aquilo que não era tenta ser. Mas ao contrário do que seria certo, o que não era tenta ser com tudo, e claro, nao acompanha, mas tenta ser internamente, o externo não vê. Aquilo que chegou a ser talvez não seja mais, talvez tenha desistido, mas está tão enraizado que ainda rende apertos. Apertos que se juntam com os inevitáveis apertos daquilo que não chega a ser, montando aquela velha e incômoda situação. São os apertos dos erros cometidos, junto com os dos erros futuros, que talvez nem sejam erros.
Aquilo tá martelando lá dentro. Será mesmo? Acho que não tem esse poder, nada conseguiu ter. Eu simplesmente não estou é vendo a graça daquilo tudo, aliás tenho é achado certas coisas muito sem graça. Elas acham que é por isso, é duro admitir, mas no fundo eu talvez concorde.
O mais difícil é que o que eu sempre quis que acontecesse, que minhas cartas chegassem, e nunca acontecia, agora é inevitável e tenho um certo medo disso.
Como não ser assim? Não seria eu se nao fosse como é, e talvez aí nem chegasse a ser. Então, talvez o processo deva começar de dentro pra fora, pois quando é transparece, e se tem dúvida não agrada.
"...o que era já não era mais...e o que antes eu não entendia agora é ouro pra mim..."
De repente um aperto no peito. E um estalo. Idéias e frases que talvez fossem escritas se a situação fosse a mesma, aparecem assim, como se já estivessem por aqui há tempos, e só agora encontraram o caminho.
Um dia aquilo que é deixa de ser, aquilo que foi, deixa saudade (e frases paradas no peito), e aquilo que não era tenta ser. Mas ao contrário do que seria certo, o que não era tenta ser com tudo, e claro, nao acompanha, mas tenta ser internamente, o externo não vê. Aquilo que chegou a ser talvez não seja mais, talvez tenha desistido, mas está tão enraizado que ainda rende apertos. Apertos que se juntam com os inevitáveis apertos daquilo que não chega a ser, montando aquela velha e incômoda situação. São os apertos dos erros cometidos, junto com os dos erros futuros, que talvez nem sejam erros.
Aquilo tá martelando lá dentro. Será mesmo? Acho que não tem esse poder, nada conseguiu ter. Eu simplesmente não estou é vendo a graça daquilo tudo, aliás tenho é achado certas coisas muito sem graça. Elas acham que é por isso, é duro admitir, mas no fundo eu talvez concorde.
O mais difícil é que o que eu sempre quis que acontecesse, que minhas cartas chegassem, e nunca acontecia, agora é inevitável e tenho um certo medo disso.
Como não ser assim? Não seria eu se nao fosse como é, e talvez aí nem chegasse a ser. Então, talvez o processo deva começar de dentro pra fora, pois quando é transparece, e se tem dúvida não agrada.
"...o que era já não era mais...e o que antes eu não entendia agora é ouro pra mim..."
sexta-feira, 15 de abril de 2005
crônica
Quer sensação melhor que chegar em casa e arrancar aquela sandália de salto alto que te apertou a noite inteira? Talvez tomar um banho frio depois de atravessar a cidade debaixo de um sol de meio-dia, talvez beber um litro d'água depois de atravessar a cidadenum sol de meio-dia. Mas pé descalço ainda é muito bom. Coisas simples assim, como andar descalço, fazem pequenos momentos felizes que , ao longo de um dia, podem virar felicidade certa.
Essas são algumas das melhores coisas da vida.
Ônibus vazio. Esquecer o celular em casa e quando voltar ver que você tem 2 mensagens e algumas chamadas não-atendidas pra conferir. Falar ao telefone, falar muito tempo ao telefone.
Sabe quando você está com saudade, muita saudade, e de repente, mata ?! É tão bom. mascar chiclete. Coca-Cola com batata frita. Coca-Cola. O primeiro dia de aula. O último dia de aula. Ligar o rádio na hora que está tocando a sua música predileta. Ouvir sua música predileta. Comer. Com fome, sem fome, tanto faz, é bom. Sorvete, de flocos, direto no pote, vendo TV, filme, ou a toa. Chocolate, bala, pirulito, biscoito...porcaria.
Namorar no portão, namorar em casa, não namorar. Beijo roubado. Beijo na trave. Beijo... Abraço de amigo, abraço de amor, abraço (que de tão bom concorre com o pé descalço). As noites de verão. As tardes de inverno.Vento no rosto, carro de vidro aberto, viajar, praia, casa de vó. Amigos. Sair. Sair com os amigos, fofocar, rir, chorar, gargalhar, dançar. Conversar. Boas conversas, longas conversas. Silêncio, aqueles bons silêncios compreendidods. Olhares. Olhares que dizem muito, ou tudo. Olhar, demonstrar, provocar.
Oo saudade daquele tempo de pranchetas e canetinhas, elefantinho-colorido, quadrilha, queimada, pique-esconde....lembrar é bom. Relembrar.
Já achou dinheiro na rua, anel na areia, caneta bunita na escola, blusa esquecida no armário? Já abriu aquela sua gaveta de tralhas pra ver como você costumava ser? Ler cartas antigas, bilhetes trocados, cartões e recados. Ah, como é bom !
Tente viver assim, aproveitando as boas e simples coisas da vida, desligando-se daqueles velhos e novos problemas de sempre.
Ouviu Nathália?
Essas são algumas das melhores coisas da vida.
Ônibus vazio. Esquecer o celular em casa e quando voltar ver que você tem 2 mensagens e algumas chamadas não-atendidas pra conferir. Falar ao telefone, falar muito tempo ao telefone.
Sabe quando você está com saudade, muita saudade, e de repente, mata ?! É tão bom. mascar chiclete. Coca-Cola com batata frita. Coca-Cola. O primeiro dia de aula. O último dia de aula. Ligar o rádio na hora que está tocando a sua música predileta. Ouvir sua música predileta. Comer. Com fome, sem fome, tanto faz, é bom. Sorvete, de flocos, direto no pote, vendo TV, filme, ou a toa. Chocolate, bala, pirulito, biscoito...porcaria.
Namorar no portão, namorar em casa, não namorar. Beijo roubado. Beijo na trave. Beijo... Abraço de amigo, abraço de amor, abraço (que de tão bom concorre com o pé descalço). As noites de verão. As tardes de inverno.Vento no rosto, carro de vidro aberto, viajar, praia, casa de vó. Amigos. Sair. Sair com os amigos, fofocar, rir, chorar, gargalhar, dançar. Conversar. Boas conversas, longas conversas. Silêncio, aqueles bons silêncios compreendidods. Olhares. Olhares que dizem muito, ou tudo. Olhar, demonstrar, provocar.
Oo saudade daquele tempo de pranchetas e canetinhas, elefantinho-colorido, quadrilha, queimada, pique-esconde....lembrar é bom. Relembrar.
Já achou dinheiro na rua, anel na areia, caneta bunita na escola, blusa esquecida no armário? Já abriu aquela sua gaveta de tralhas pra ver como você costumava ser? Ler cartas antigas, bilhetes trocados, cartões e recados. Ah, como é bom !
Tente viver assim, aproveitando as boas e simples coisas da vida, desligando-se daqueles velhos e novos problemas de sempre.
Ouviu Nathália?
segunda-feira, 4 de abril de 2005
é abril no fim do mundo
Chegou abril, chegou o outono, mas como juiz de fora tem as 4 estações num dia, isso ainda nao fez diferença.
O que faz diferença mesmo, é aquilo que anda faltando por aí, noção das coisas, respeito, compaixão, responsabilidade, compromisso com as pessoas, e quando eu digo isso, eu não falo da amiga da vizinha da garota que perdeu o namorado pra filha do dono do bar, porque isso é normal e acontece desde o inicio dos tempos. eu to falando é da mãe e do pai, esquecendo do amor maior pelos seus filhos, dos filhos e filhas, esquecendo da eterna relação com os pais, da sociedade individualista, esgoísta. É o mundo que anda doente, dos pés, da cabeça, do coração...
E é nessas horas que os bons amigos se agarram uns nos outros e descobrem que família é quem está do seu lado, família é quem você escolheu pra andar lado a lado contigo, e merece essa posição.
Nessas horas, a gente começa a pensar muito em como tem gente perdida no mundo, porque o mundo ainda se perde, e se perde...cada vez mais.
E ai ai ai, as vezes cansa essa rotina de vai e véns, esse aperto incontrolável, esse apego instantâneo, aquele medo inevitável, aquele sorriso maroto que escapa no canto da boca sem que ninguém perceba, aquele sininho tocando, pequenas e grandes coisas...porque é tão forte que chega a doer, e tão tranquilo que nem dói.
Esperanças, perspectivas e expectativas são coisas amigas e traiçoeiras na mesma medida. Em todos os aspectos da vida de uma pessoa, esperar do outro o que você faria, e não esperar aquilo que você não seria capaz de fazer, é um erro fatal...para alma, mente e coração.
A palavra da vez é caos, teoria do caos, aquilo que você faz de bom aqui, reflete melhor ainda acolá, aquilo que você faz de ruim lá, causa tragédia do lado de cá.
"...eu sei que isso e o fim do mundo"
Tome morfina planeta Terra!
O que faz diferença mesmo, é aquilo que anda faltando por aí, noção das coisas, respeito, compaixão, responsabilidade, compromisso com as pessoas, e quando eu digo isso, eu não falo da amiga da vizinha da garota que perdeu o namorado pra filha do dono do bar, porque isso é normal e acontece desde o inicio dos tempos. eu to falando é da mãe e do pai, esquecendo do amor maior pelos seus filhos, dos filhos e filhas, esquecendo da eterna relação com os pais, da sociedade individualista, esgoísta. É o mundo que anda doente, dos pés, da cabeça, do coração...
E é nessas horas que os bons amigos se agarram uns nos outros e descobrem que família é quem está do seu lado, família é quem você escolheu pra andar lado a lado contigo, e merece essa posição.
Nessas horas, a gente começa a pensar muito em como tem gente perdida no mundo, porque o mundo ainda se perde, e se perde...cada vez mais.
E ai ai ai, as vezes cansa essa rotina de vai e véns, esse aperto incontrolável, esse apego instantâneo, aquele medo inevitável, aquele sorriso maroto que escapa no canto da boca sem que ninguém perceba, aquele sininho tocando, pequenas e grandes coisas...porque é tão forte que chega a doer, e tão tranquilo que nem dói.
Esperanças, perspectivas e expectativas são coisas amigas e traiçoeiras na mesma medida. Em todos os aspectos da vida de uma pessoa, esperar do outro o que você faria, e não esperar aquilo que você não seria capaz de fazer, é um erro fatal...para alma, mente e coração.
A palavra da vez é caos, teoria do caos, aquilo que você faz de bom aqui, reflete melhor ainda acolá, aquilo que você faz de ruim lá, causa tragédia do lado de cá.
"...eu sei que isso e o fim do mundo"
Tome morfina planeta Terra!
domingo, 27 de março de 2005
"Tudo o que é reto pode entortar. Pelo fato de ser simultaneamente sapiens (inteligente) e demens (demente), o ser humano vive uma ambigüidade estrutural. Seu bem nunca é inteiramente bom. Seu mal jamais será totalmente mau. Mesclam-se bem e mal, dia-bólico e sim-bólico, insensatez e sabedoria, cuidado essencial e descuido fatal. Essa situação é, em sua totalidade, insuperável. Devemos carregá-la com realismo. Nem chorar sobre ela, nem rir dela. Apenas apreender as lições que revela. Somos seres da incompletude. Não somos Deus. Devemos exercer a compaixão para conosco mesmo."
terça-feira, 22 de março de 2005
(semana passada minha amiga me pediu ajuda pra terminar uma coisa que ela tinha escrito, já estava pronto, mas na última frase ela não tinha conseguido o sentido que queria, mostrar que tudo tinha sido um sonho, foi ali que eu ajudei, apenas ali e quando eu li, quase chorei, achei tão lindo tão perfeito. eu disse que queria ter escrito aquilo, e perguntei se podia colocar no blog, ela deixou e aqui está. não sei se todos vão concordar, mas é que aquilo ali mexeu mesmo comigo. ponto.)
"De todas as belezas você foi a mais perfeita
De todas as amizades você foi a mais leal
De todos os olhares o seu foi o mais provocante
De todas as paqueras você foi a mais gostosa
De todos os momentos você foi o mais especial
De todos os beijos o seu foi o mais envolvente
De todas as paixões você foi a mais intensa
De todos os amores você foi o mais verdadeiro
De todas as lembranças a que deixou mais saudade
De todos os meu sonhos esse foi o mais real"
->crise bloguística...muitos pensamentos, pouca vontade de escrever; textos muitos literais vivem saindo, mas esses ficam na lista do "escrevi mas não mandei"; trili tralalá agradeçam à senhorita Thaís Francine [m i n h a-amiga] pela atualização do local.
to ploft!
"De todas as belezas você foi a mais perfeita
De todas as amizades você foi a mais leal
De todos os olhares o seu foi o mais provocante
De todas as paqueras você foi a mais gostosa
De todos os momentos você foi o mais especial
De todos os beijos o seu foi o mais envolvente
De todas as paixões você foi a mais intensa
De todos os amores você foi o mais verdadeiro
De todas as lembranças a que deixou mais saudade
De todos os meu sonhos esse foi o mais real"
->crise bloguística...muitos pensamentos, pouca vontade de escrever; textos muitos literais vivem saindo, mas esses ficam na lista do "escrevi mas não mandei"; trili tralalá agradeçam à senhorita Thaís Francine [m i n h a-amiga] pela atualização do local.
to ploft!
domingo, 13 de março de 2005
18:01
Uma fração de tempo pode mudar o resto todo do tempo. É o walk on chegando...de dentro pra fora, como deve ser. Mas sem apoio não teria.
Talvez fosse cedo, mas agora já é quase tarde demais.
Um dia ela disse que o mundo dava muitas voltas, e realmente ele dá. Gira gira, até encaixar cada um em seu lugar, mesmo que antes cada um passe por lugares provisórios.
Ela tem seu lugar no mundo, só não sabe se já o encontrou. Talvez sim. Talvez não.
O que interessa agora, é isso:
-Já são 18:01 e o horário comercial acabou. Só semana que vem....ou talvez não!...
Talvez fosse cedo, mas agora já é quase tarde demais.
Um dia ela disse que o mundo dava muitas voltas, e realmente ele dá. Gira gira, até encaixar cada um em seu lugar, mesmo que antes cada um passe por lugares provisórios.
Ela tem seu lugar no mundo, só não sabe se já o encontrou. Talvez sim. Talvez não.
O que interessa agora, é isso:
-Já são 18:01 e o horário comercial acabou. Só semana que vem....ou talvez não!...
domingo, 27 de fevereiro de 2005
1 Ano
Ainda bem que eu consegui fazer o blog funcionar.
Há um ano atrás, de madrugada, eu fiz minha vontade se tornar realidade, Clara influenciou pra isso, e acho que ela sabe. Costumava ler o blog dela e ficava fascinada com a ideia de desabafar em textos.
Então fiz, colori meu template bastante, fiz uma campanha, que eu chamava de "visitando blogs e fazendo amigos", passeva por blogs e deixava um comentario nos que eu mais gostava. E dessa campanha surgiram pessoas com as quais eu ia me acostumando. Alguns sumiram, outros ficaram, uns aparecem de vez em quando, outros foram surgindo numa terceirização de amigos, né Vini? né Rafa?
Cheguei a postar todos os dias, mas isso foi mudando, passei a postar só quando tinha vontade, ou quando algo gritava em mim pra escrever...e continuei assim, pois foi melhor. Escrevo quando tenho o que escrever, textos não-forçados saem mais bem feitos.
Ao longo do tempo, pessoas que eu nunca imaginava que fossem gostar de ler aqui, gostaram, me elogiaram, e me deixaram muito feliz. Não só pelo elogio em si, mas pela fonte dele.
Nos comentários que as pessoas deixam, muitas vezes recebo vários elogios, chegou até a acreditar que escrevo bem. Mas sem falsa modéstia, que eu nao escrevo nada primário eu tenho consciencia, mas tem hora que eu não vejo, nos meus tão complicados pensamentos, algo tão bem escrito assim. Bom, pelo menos quem lê gosta e continua vindo, o que eu acho muito bom, sempre.
1 ano de blog, um ano a mais de vida, um ano muito importante. 2004 deixou saudadade, levou algumas coisas também. Todo mundo já foi citado aqui, mesmo que não saiba disso, uns mais outros menos, mas um dia, eu ja pensei em você na hora de escrever, tenha certeza disso.
esse foi o primeiro ano de muitos outros provavelmente, pois ao longo do tempo eu fui me acostumando a organizar idéias lendo o que eu publicava aqui, eu me acostumei a desabafar em metáforas como eu sempre procuro fazer, me acostumei. gostei. e em time que ganha não se mexe, não é mesmo?
Bom, falar de preferências dos meus textos é quase impossivel, pois todos me lembram e dizem um pouco do que sou e fui. Alguns dizem mais outros menos. Alguns não são meus, mas dizem o que minha boca gostaria de dizer e pensam o que desejo ter pensado.
Aqui surgiram várias ideias, pra cá vieram vários problemas, daqui saíram algumas boas idéias, aqui ficam todas as lembranças.
_melhores momentos_
Há um ano atrás, de madrugada, eu fiz minha vontade se tornar realidade, Clara influenciou pra isso, e acho que ela sabe. Costumava ler o blog dela e ficava fascinada com a ideia de desabafar em textos.
Então fiz, colori meu template bastante, fiz uma campanha, que eu chamava de "visitando blogs e fazendo amigos", passeva por blogs e deixava um comentario nos que eu mais gostava. E dessa campanha surgiram pessoas com as quais eu ia me acostumando. Alguns sumiram, outros ficaram, uns aparecem de vez em quando, outros foram surgindo numa terceirização de amigos, né Vini? né Rafa?
Cheguei a postar todos os dias, mas isso foi mudando, passei a postar só quando tinha vontade, ou quando algo gritava em mim pra escrever...e continuei assim, pois foi melhor. Escrevo quando tenho o que escrever, textos não-forçados saem mais bem feitos.
Ao longo do tempo, pessoas que eu nunca imaginava que fossem gostar de ler aqui, gostaram, me elogiaram, e me deixaram muito feliz. Não só pelo elogio em si, mas pela fonte dele.
Nos comentários que as pessoas deixam, muitas vezes recebo vários elogios, chegou até a acreditar que escrevo bem. Mas sem falsa modéstia, que eu nao escrevo nada primário eu tenho consciencia, mas tem hora que eu não vejo, nos meus tão complicados pensamentos, algo tão bem escrito assim. Bom, pelo menos quem lê gosta e continua vindo, o que eu acho muito bom, sempre.
1 ano de blog, um ano a mais de vida, um ano muito importante. 2004 deixou saudadade, levou algumas coisas também. Todo mundo já foi citado aqui, mesmo que não saiba disso, uns mais outros menos, mas um dia, eu ja pensei em você na hora de escrever, tenha certeza disso.
esse foi o primeiro ano de muitos outros provavelmente, pois ao longo do tempo eu fui me acostumando a organizar idéias lendo o que eu publicava aqui, eu me acostumei a desabafar em metáforas como eu sempre procuro fazer, me acostumei. gostei. e em time que ganha não se mexe, não é mesmo?
Bom, falar de preferências dos meus textos é quase impossivel, pois todos me lembram e dizem um pouco do que sou e fui. Alguns dizem mais outros menos. Alguns não são meus, mas dizem o que minha boca gostaria de dizer e pensam o que desejo ter pensado.
Aqui surgiram várias ideias, pra cá vieram vários problemas, daqui saíram algumas boas idéias, aqui ficam todas as lembranças.
_melhores momentos_
- Meu Momento Giz
- ...depois da leitura...
- ...baguncinha...
- Sábado, Maio 29, 2004
- Aaahh...deixa eu ser assim !
- Reverenciando àqueles que sabem o que dizem
- Sobre meninos, meninas, lobos, amores e dores
- *
[em breve mudança de cores]
sábado, 12 de fevereiro de 2005
Auto-confiança é tudo sabe. Se você está seguro de si, todos em volta vão estar seguros de você também. Mas quando você se sente inseguro, o que te sobra sao todas aquelas pequenas rejeições passadas e talvez futuras. E é nessa hora que eu te agradeço e bato palmas, pois no quesito auto-confiança eu tirava 10 só com teu olhar.
Mas quando tudo é ainda meio abstrato, e as opiniões têm sido claras e assumidas, só o que parece concreto é o medo.
Medo de talvez ver no olhar tão sonhado aquele sorriso aguado, aquele fogo apagado. pois vai dizer que é mentira?!
Não, não é, eu sei.
E as probabilidades de uma mudança incondicional são tão mínimas quanto a auto-confiança de alguém em dúvida.
A insegurança é o mal da hora, e o ego inchado também, indiretamente. Nos fazem cogitar possibilidades desagradáveis.
Pode fazer um louco, autista! Só pela simples possibilidade.
Pois tão concreto quanto o medo, é sua importância.
Porque depois de um sorriso aguado e um olhar distante, pior seria aquele ar de "- desculpa" e aquele cheiro de remorso.
Aquele ping-pong vazio.
Aquela história com "e".
Só queria que o olhar surtisse efeito como de outrem e ao invés de fazer duvidar, fizesse ter certeza.
Fizesse estória com "h".
"Oh these little rejections how they add up quickly
One small sideways look and I feel so ungood "
Mas quando tudo é ainda meio abstrato, e as opiniões têm sido claras e assumidas, só o que parece concreto é o medo.
Medo de talvez ver no olhar tão sonhado aquele sorriso aguado, aquele fogo apagado. pois vai dizer que é mentira?!
Não, não é, eu sei.
E as probabilidades de uma mudança incondicional são tão mínimas quanto a auto-confiança de alguém em dúvida.
A insegurança é o mal da hora, e o ego inchado também, indiretamente. Nos fazem cogitar possibilidades desagradáveis.
Pode fazer um louco, autista! Só pela simples possibilidade.
Pois tão concreto quanto o medo, é sua importância.
Porque depois de um sorriso aguado e um olhar distante, pior seria aquele ar de "- desculpa" e aquele cheiro de remorso.
Aquele ping-pong vazio.
Aquela história com "e".
Só queria que o olhar surtisse efeito como de outrem e ao invés de fazer duvidar, fizesse ter certeza.
Fizesse estória com "h".
"Oh these little rejections how they add up quickly
One small sideways look and I feel so ungood "
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
é que o mundo anda meio assim, não sei se o mundo todo, ou só o meu. mas enfim, o mundo tá meio doente...
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
é que o mundo anda meio assim, não sei se o mundo todo, ou só o meu. mas enfim, o mundo tá meio doente...
segunda-feira, 31 de janeiro de 2005
Resíduo
De tudo ficou um pouco
Do meu medo.
Do teu asco.
Dos gritos gagos.
Da rosaficou um pouco
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu.
Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço- vazio -
de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Carlos Drummond de Andrade
De tudo ficou um pouco
Do meu medo.
Do teu asco.
Dos gritos gagos.
Da rosaficou um pouco
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu.
Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço- vazio -
de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 23 de janeiro de 2005
little crap
Pode ser cedo ainda, mas eu nunca me importei de voltar atrás, não vai ser agora que eu vou deixar de escrever por causa da incerteza de certas coisas.
Ando indo muito bem [?] obrigada, e você? Não, não quero saber. Você não vai me responder sinceramente mesmo, simplesmente vai cuspir na minha cara algumas frases sem alma e depois vai voltar pro seu mundinho feliz. cuspe fútil. inútil. Então, o que eu quero mesmo, é viver aqui, longe de qualquer barulho seu.
Sabendo agora que o desejo é o que torna o irreal possível, vi que eu estava desejando o incorreto e não o irreal, e comecei a desejar o correto (mas não por isso real), que é ficar bem na distância e sorrir ao lembrar. Também é preciso desejar falar menos, ouvir mais, e tomar cuidado, pois descobri sob meus pés um campo minado, e se eu der passos em falso posso estar caminhando para a escuridão. Mesmo assim, é preciso estar, ser e fazer o que se deseja.
Não se engane com rostinhos bonitos (ou não), risadinhas e muita bajulação; o riso exagerado é insosso, como já dizia Victor Hugo, e quando a esmola é demais, o santo desconfia. Mas não desconfie apenas, procure saber. E saiba que ter alguém sincero ao lado, pode tornar mais fácil enxergar que a esmola poderia virar dívida.
As aulas já vão começar e isso talvez tenha me deixado realmente feliz. Não por aqueles que sorriem por educação ou interese. Mas por aqueles poucos, ou nem tão poucos assim, que fazem a diferença! O ano promete! Será que proemte mesmo? Mas não quero promessas, elas criam expectativas que, quanto maiores, maior a decepçao se nada se cumprir.
Devolve logo o vínculo que sobrou, pra que eu possa fingir a certeza de que meus caminhos vão mudar. E pra que eu possa escolher quando é que eu quero, ou me convém, aparecer. Só pra lembrar, existem outros meios. Só não estava afim mesmo de surpresinhas e pequenos cuspes numa tarde vazia qualquer. Mas quero ver quais serão as atitudes, não vou sugerir. Pra depois não pensar [nem eu, nem você, nem ninguém] que foi porque eu quis (ou não quis).
[já são quase 18:00h]
...e finais felizes não existem, porque fim não é feliz já na própria palavra...o dia talvez, possa terminar vez ou outra com um 'felizes para sempre' (até o nascer do próximo sol)....
...?será mesmo?...
Ando indo muito bem [?] obrigada, e você? Não, não quero saber. Você não vai me responder sinceramente mesmo, simplesmente vai cuspir na minha cara algumas frases sem alma e depois vai voltar pro seu mundinho feliz. cuspe fútil. inútil. Então, o que eu quero mesmo, é viver aqui, longe de qualquer barulho seu.
Sabendo agora que o desejo é o que torna o irreal possível, vi que eu estava desejando o incorreto e não o irreal, e comecei a desejar o correto (mas não por isso real), que é ficar bem na distância e sorrir ao lembrar. Também é preciso desejar falar menos, ouvir mais, e tomar cuidado, pois descobri sob meus pés um campo minado, e se eu der passos em falso posso estar caminhando para a escuridão. Mesmo assim, é preciso estar, ser e fazer o que se deseja.
Não se engane com rostinhos bonitos (ou não), risadinhas e muita bajulação; o riso exagerado é insosso, como já dizia Victor Hugo, e quando a esmola é demais, o santo desconfia. Mas não desconfie apenas, procure saber. E saiba que ter alguém sincero ao lado, pode tornar mais fácil enxergar que a esmola poderia virar dívida.
As aulas já vão começar e isso talvez tenha me deixado realmente feliz. Não por aqueles que sorriem por educação ou interese. Mas por aqueles poucos, ou nem tão poucos assim, que fazem a diferença! O ano promete! Será que proemte mesmo? Mas não quero promessas, elas criam expectativas que, quanto maiores, maior a decepçao se nada se cumprir.
Devolve logo o vínculo que sobrou, pra que eu possa fingir a certeza de que meus caminhos vão mudar. E pra que eu possa escolher quando é que eu quero, ou me convém, aparecer. Só pra lembrar, existem outros meios. Só não estava afim mesmo de surpresinhas e pequenos cuspes numa tarde vazia qualquer. Mas quero ver quais serão as atitudes, não vou sugerir. Pra depois não pensar [nem eu, nem você, nem ninguém] que foi porque eu quis (ou não quis).
[já são quase 18:00h]
...e finais felizes não existem, porque fim não é feliz já na própria palavra...o dia talvez, possa terminar vez ou outra com um 'felizes para sempre' (até o nascer do próximo sol)....
...?será mesmo?...
segunda-feira, 17 de janeiro de 2005
Sunscreen
Filtro Solar
Senhoras e Senhores do século XXI, se eu pudesse dar apenas um conselho a vocês, seria: use filtro solar. Os benefícios a longo prazo do filtro solar foram cientificamente comprovados. Agora, todos os outros conselhos têm base unicamente na minha própria experiência.
Aproveite o poder e a beleza da sua juventude. Ou então esqueça! Você não vai entender o poder e a beleza da sua juventude até que eles tenham se acabado. Mas acredite, daqui a 20 anos você vai olhar para suas fotos e recordar, de uma maneira que você não compreende agora, das possibilidades que que te foram dadas e do quanto você era maravilhoso. Você não é tão gordo quanto pensa!
Não se preocupe com o futuro, ou preocupe-se. Mas saiba que preocupaçao é tão eficaz quanto mascar chiclete pra tentar resolver uma equação de álgebra. Os verdadeiros problemas da sua vida estão nas coisas com as quais você nunca se preocupou. Como os pensamentos daquela ociosa tarde de terça-feira.
Faça algo que te assuste verdadeiramente todos os dias.
Cante.
Não seja negligente com corações alheios. Não se espante se forem negligentes com o seu.
Não perca seu tempo com inveja. Às vezes se está na frente, e às vezes não. A estrada é longa, e no fim das contas, é só você com você mesmo.
Lembre apenas dos elogios que receber. Esqueça os insultos. (e se conseguir, me ensine)
Guarde suas antigas cartas de amor. joga fora os estratos bancários.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que quer fazer da vida. Algumas das pessoas mais interessantes que eu conheço, não sabiam, aos 22, o que queriam. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço, ainda não sabem.
Tome muito cálcio. Seja cuidadoso com seus joelhos. Você vai sentir falta deles.
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, e talvez não.talvez você se divorcie aos 40, ou talvez você dançe a valsa na sua festa de Bodas de Ouro. Contudo, independente do que você faça, não se elogie demias, nem se repreenda demais. Todas as suas escolhas têm 50% de chance. Assim como as de todo mundo.
Aproveite seu corpo. Use-o da maneira que bem entender. Não tenha medo diso ou daquilo que as pessoas possam pensar. Ele é o melhor instrumento que você poderia ter.
Dance. Mesmo que seja na sala de sua casa.
Leia as setas. Mesmo que você não vá segui-las.
Não leia revistas de beleza. Elas só farão com que você se sinta feio.
Aprenda a conhecer seus pais. Você nunca sabe quando eles terão ido embora, pra sempre. Seja carinhoso com seus irmãos. Eles são sua melhor ligação com o passado. E aqueles que, provavelmente, estarão com você no futuro.
Entenda que amigos vêm e vão. Mas por um pouco de tempo, precioso tempo, você deve segurá-los.
Trabalhe duro para reduzir as lacunas no mundo e nos estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar daqueles que te conheceram quando você era jovem.
More em Nova York uma vez, mas mude-se antes que se torne muito sério. More na Califórcia uma vez na vida, mas mude-se, antes que você se torne muito tranquilo.
Viaje.
Aceite certas verdades inquestionáveis: os preços vão subir; os políticos vão ser corruptos; e você também vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que quando você era jovem, os preços eram baixos, os políticos eram honestos e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos.
Não espere que os outros te sustentem. Talvez você tenha uma conta bancária confiável, talvez você tenha um cônjuge rico. Mas nunca se sabe quando um ou outro poderá sumir.
Não mexa muito com seu cabelo, senão, quando você tiver 40 anos, eles vão parecer com os de alguém com 85.
Seja cuidadoso com aqueles que te dão conselhos, mas seja pacientes com aqueles que os fornecem. Conselhos são uma forma de nostalgia. Dá-los é uma forma de pescar o passado do lixo, enxugar, pintar as partes feias, e reciclá-lo por mais do que realmente vale.
Mas acredite em mim quanto ao filtro solar.
(Texto traduzido do original "Wear Sunscreen" de Mary Schmich )
Senhoras e Senhores do século XXI, se eu pudesse dar apenas um conselho a vocês, seria: use filtro solar. Os benefícios a longo prazo do filtro solar foram cientificamente comprovados. Agora, todos os outros conselhos têm base unicamente na minha própria experiência.
Aproveite o poder e a beleza da sua juventude. Ou então esqueça! Você não vai entender o poder e a beleza da sua juventude até que eles tenham se acabado. Mas acredite, daqui a 20 anos você vai olhar para suas fotos e recordar, de uma maneira que você não compreende agora, das possibilidades que que te foram dadas e do quanto você era maravilhoso. Você não é tão gordo quanto pensa!
Não se preocupe com o futuro, ou preocupe-se. Mas saiba que preocupaçao é tão eficaz quanto mascar chiclete pra tentar resolver uma equação de álgebra. Os verdadeiros problemas da sua vida estão nas coisas com as quais você nunca se preocupou. Como os pensamentos daquela ociosa tarde de terça-feira.
Faça algo que te assuste verdadeiramente todos os dias.
Cante.
Não seja negligente com corações alheios. Não se espante se forem negligentes com o seu.
Não perca seu tempo com inveja. Às vezes se está na frente, e às vezes não. A estrada é longa, e no fim das contas, é só você com você mesmo.
Lembre apenas dos elogios que receber. Esqueça os insultos. (e se conseguir, me ensine)
Guarde suas antigas cartas de amor. joga fora os estratos bancários.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que quer fazer da vida. Algumas das pessoas mais interessantes que eu conheço, não sabiam, aos 22, o que queriam. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço, ainda não sabem.
Tome muito cálcio. Seja cuidadoso com seus joelhos. Você vai sentir falta deles.
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, e talvez não.talvez você se divorcie aos 40, ou talvez você dançe a valsa na sua festa de Bodas de Ouro. Contudo, independente do que você faça, não se elogie demias, nem se repreenda demais. Todas as suas escolhas têm 50% de chance. Assim como as de todo mundo.
Aproveite seu corpo. Use-o da maneira que bem entender. Não tenha medo diso ou daquilo que as pessoas possam pensar. Ele é o melhor instrumento que você poderia ter.
Dance. Mesmo que seja na sala de sua casa.
Leia as setas. Mesmo que você não vá segui-las.
Não leia revistas de beleza. Elas só farão com que você se sinta feio.
Aprenda a conhecer seus pais. Você nunca sabe quando eles terão ido embora, pra sempre. Seja carinhoso com seus irmãos. Eles são sua melhor ligação com o passado. E aqueles que, provavelmente, estarão com você no futuro.
Entenda que amigos vêm e vão. Mas por um pouco de tempo, precioso tempo, você deve segurá-los.
Trabalhe duro para reduzir as lacunas no mundo e nos estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar daqueles que te conheceram quando você era jovem.
More em Nova York uma vez, mas mude-se antes que se torne muito sério. More na Califórcia uma vez na vida, mas mude-se, antes que você se torne muito tranquilo.
Viaje.
Aceite certas verdades inquestionáveis: os preços vão subir; os políticos vão ser corruptos; e você também vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que quando você era jovem, os preços eram baixos, os políticos eram honestos e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos.
Não espere que os outros te sustentem. Talvez você tenha uma conta bancária confiável, talvez você tenha um cônjuge rico. Mas nunca se sabe quando um ou outro poderá sumir.
Não mexa muito com seu cabelo, senão, quando você tiver 40 anos, eles vão parecer com os de alguém com 85.
Seja cuidadoso com aqueles que te dão conselhos, mas seja pacientes com aqueles que os fornecem. Conselhos são uma forma de nostalgia. Dá-los é uma forma de pescar o passado do lixo, enxugar, pintar as partes feias, e reciclá-lo por mais do que realmente vale.
Mas acredite em mim quanto ao filtro solar.
(Texto traduzido do original "Wear Sunscreen" de Mary Schmich )
segunda-feira, 10 de janeiro de 2005
you see, this is why i'd rather be alone
eu tenho mania de me apaixonar, de gostar, de me apegar. sou definitivamente um animal sentimental que me apego facilmente ao que desperta o meu desejo. se você não quer que eu me apegue ou me apaixone, então não me cultive! isso vale pra amigos, e meninos, no caso de amigos, vale só o apego. porque se não, você se torna responsável, por todos os estragos. mas é tão fácil culpar o outro. talvez fosse eu quem devesse aprender a separar as coisas. porque é muito fácil me cativarem sabe, basta um charme aqui, bom humor ali, um pouquinho de inteligência acolá, e pronto! já não posso viver sem. tem pessoas, como você, que são encantadoramente irritantes, desafiam, jogam, dão um pouco do doce, e logo tiram, pra manter o equilíbrio. equilíbrio seu né. o meu, fica pra depois. mas mesmo assim é uma presença agradável, mesmo que as vezes eu dê boas respiradas antes de qualquer resposta. sabe, porque seria loucura, é o tipo de coisa que eu julgava impossivel, pelo menos nesse nível, até algum tempo atrás. você sabe como agradar, perfeitamente, mas não sabe identificar quando incomoda e arranha do ladinho das feridas. você faz assim, como fez, e me deixa mal, mas depois, você vem daquele seu jeito, encantador e irritante ao mesmo tempo, e me deixa super bem. e a possibilidade de que aquilo-que-não-sabemos-o-que-é, acabe, me apavora! mas você esquece que um dia pensamos em ser, e vem me mostrar suas escolhas, e eu, fico assim, exatamente na linha que divide a fossa, da inércia. e ainda não sei o que isso é, mas gostaria que continuasse, pelo menos como era antes, nesse caso, eu aceito as palavras agradáveis, mesmo que sem concretização. morro de medo de não ser tudo aquilo que você adora quando eu sou. há também, você, que cultivou, teve apego, paixão e tudo. cultivou, mas largou pra lá, depois que floresceu, aí ficou tudo confuso, o mundo muitas vezes girou a sua volta. e agora, você está girando em volta de outro sol, esqueceu que me cultivou, ou nao, pois as vezes insiste em manter pequenos cultivos que acabam por fazer mal à mim. eu fico sem saber se o que tenho aqui e de verdade, tipo coisa que um dia com certeza floresce de vez, ou se é apenas despeito, pelo respeito que nao tive, pelas coisas que nao vivemos, por tudo o que acabou. e vocês, que me cultivam, e as vezes se distanciam, me deixam insegura, um pouco mais do que o normal. meu medo de rejeiçao é maior do que o de bicho-papão. e eu sinto falta, quando me apego, e sem querer ficamos longe, por mais perto que a gente esteja. eu devia era curar toda essa carência com boas leituras periódicas, menos internet, e mais rua. mas quanto mais eu leio, mais idéia eu tenho, quanto menos eu fico na internet, mais ociosa eu fico, quanto mais na rua eu vou, mais eu lembro. então, melhor escrever mesmo. mesmo que o texto comece às 02:29 am, e eu só o termine às 14:10 pm. e mesmo que até o fim do texto, a maior parte do sentimento tenha ido embora. [também, com todas as palas continuas e incontroláveis da madrugada e piadinhas rapidas de quem cultiva e mantém, tinha que sumir mesmo né]. mas depois de tanta demora, eu acho que consegui escrever um pouco do que eu queria. com um tipo de texto totalmente diferente do que eu costumo e gosto de fazer, menos impessoal, mais escrachado e quase que feito literalmente. acho que eu não ia conseguir de outro jeito dessa vez.
eu tenho mania de me apaixonar, de gostar, de me apegar. sou definitivamente um animal sentimental que me apego facilmente ao que desperta o meu desejo. se você não quer que eu me apegue ou me apaixone, então não me cultive! isso vale pra amigos, e meninos, no caso de amigos, vale só o apego. porque se não, você se torna responsável, por todos os estragos. mas é tão fácil culpar o outro. talvez fosse eu quem devesse aprender a separar as coisas. porque é muito fácil me cativarem sabe, basta um charme aqui, bom humor ali, um pouquinho de inteligência acolá, e pronto! já não posso viver sem. tem pessoas, como você, que são encantadoramente irritantes, desafiam, jogam, dão um pouco do doce, e logo tiram, pra manter o equilíbrio. equilíbrio seu né. o meu, fica pra depois. mas mesmo assim é uma presença agradável, mesmo que as vezes eu dê boas respiradas antes de qualquer resposta. sabe, porque seria loucura, é o tipo de coisa que eu julgava impossivel, pelo menos nesse nível, até algum tempo atrás. você sabe como agradar, perfeitamente, mas não sabe identificar quando incomoda e arranha do ladinho das feridas. você faz assim, como fez, e me deixa mal, mas depois, você vem daquele seu jeito, encantador e irritante ao mesmo tempo, e me deixa super bem. e a possibilidade de que aquilo-que-não-sabemos-o-que-é, acabe, me apavora! mas você esquece que um dia pensamos em ser, e vem me mostrar suas escolhas, e eu, fico assim, exatamente na linha que divide a fossa, da inércia. e ainda não sei o que isso é, mas gostaria que continuasse, pelo menos como era antes, nesse caso, eu aceito as palavras agradáveis, mesmo que sem concretização. morro de medo de não ser tudo aquilo que você adora quando eu sou. há também, você, que cultivou, teve apego, paixão e tudo. cultivou, mas largou pra lá, depois que floresceu, aí ficou tudo confuso, o mundo muitas vezes girou a sua volta. e agora, você está girando em volta de outro sol, esqueceu que me cultivou, ou nao, pois as vezes insiste em manter pequenos cultivos que acabam por fazer mal à mim. eu fico sem saber se o que tenho aqui e de verdade, tipo coisa que um dia com certeza floresce de vez, ou se é apenas despeito, pelo respeito que nao tive, pelas coisas que nao vivemos, por tudo o que acabou. e vocês, que me cultivam, e as vezes se distanciam, me deixam insegura, um pouco mais do que o normal. meu medo de rejeiçao é maior do que o de bicho-papão. e eu sinto falta, quando me apego, e sem querer ficamos longe, por mais perto que a gente esteja. eu devia era curar toda essa carência com boas leituras periódicas, menos internet, e mais rua. mas quanto mais eu leio, mais idéia eu tenho, quanto menos eu fico na internet, mais ociosa eu fico, quanto mais na rua eu vou, mais eu lembro. então, melhor escrever mesmo. mesmo que o texto comece às 02:29 am, e eu só o termine às 14:10 pm. e mesmo que até o fim do texto, a maior parte do sentimento tenha ido embora. [também, com todas as palas continuas e incontroláveis da madrugada e piadinhas rapidas de quem cultiva e mantém, tinha que sumir mesmo né]. mas depois de tanta demora, eu acho que consegui escrever um pouco do que eu queria. com um tipo de texto totalmente diferente do que eu costumo e gosto de fazer, menos impessoal, mais escrachado e quase que feito literalmente. acho que eu não ia conseguir de outro jeito dessa vez.
Anne waits_Ben Folds
And so
annie waits annie waits annie waits
for a call
from a friend
the same
it's the same,
why's it always the same?
annie waits
for the last time
the clock
never stops never stops never waits
she's growing old
it's getting late
and so
he forgot he forgot maybe not
maybe he's been seriously hurt
would that be worse?
headlights crest the hill
shadows pass her by and out of sight
annie sees in dreams
friday bingo, pigeons in the park
annie waits
for the last time
just the same
as the last time
annie says,
you see?
this is why i'd rather be
alone
and so
annie waits annie waits annie waits
for a call
from a friend the same
it's the same
why's it always the same?
annie waits as the last
headlights crest the hill
who will be the one forever more
annie i could be
if we're both still lonely when we're old
annie waits
for the last time
just the same
as the last time
annie waits
for the last time
just the same as the last time
annie waits
but not for me
And so
annie waits annie waits annie waits
for a call
from a friend
the same
it's the same,
why's it always the same?
annie waits
for the last time
the clock
never stops never stops never waits
she's growing old
it's getting late
and so
he forgot he forgot maybe not
maybe he's been seriously hurt
would that be worse?
headlights crest the hill
shadows pass her by and out of sight
annie sees in dreams
friday bingo, pigeons in the park
annie waits
for the last time
just the same
as the last time
annie says,
you see?
this is why i'd rather be
alone
and so
annie waits annie waits annie waits
for a call
from a friend the same
it's the same
why's it always the same?
annie waits as the last
headlights crest the hill
who will be the one forever more
annie i could be
if we're both still lonely when we're old
annie waits
for the last time
just the same
as the last time
annie waits
for the last time
just the same as the last time
annie waits
but not for me
Em determinado momento, Alice encontra o gato e pergunta:
- Como sair desse lugar onde estamos?
O gato responde:
- Isso depende muito de para onde você quer ir.
Alice explica:
-Não quero ir para um determinado lugar. Quero só sair daqui.
O gato retruca:
-Se você não vai a lugar nenhum, então qualquer direção serve.
Alice se impacienta:
=Não quero ir para nenhum lugar determinado mas quero chegar a algum lugar.
E o gato implacável:
-Então, siga por algum caminho e, andando bastante, você certamente chegará a algum lugar (Lewis Carrol)
- Como sair desse lugar onde estamos?
O gato responde:
- Isso depende muito de para onde você quer ir.
Alice explica:
-Não quero ir para um determinado lugar. Quero só sair daqui.
O gato retruca:
-Se você não vai a lugar nenhum, então qualquer direção serve.
Alice se impacienta:
=Não quero ir para nenhum lugar determinado mas quero chegar a algum lugar.
E o gato implacável:
-Então, siga por algum caminho e, andando bastante, você certamente chegará a algum lugar (Lewis Carrol)
sexta-feira, 7 de janeiro de 2005
2005!
Eu quero escrever, preciso, sinto falta dos grandes textos. Sinto falta também de lê-los. Muitos blogs estão iguais, quase falidos, e eu realmente não sei o que se passa. Ás vezes acho que todo mundo mudou de vida...achou se caminho fora daqui, menos eu...que ainda procuro felicidade em textos bloguísticos e ainda preciso publicar aqui o que escrevo. Talvez eu precise mudar de mundo pra que isso mude agora, mas não e necessário, deixa assim, está na hora, afinal, quem conseguiu mudar de vida, já passou por isso quando tinham idade para.
Inacreditável! Como é possivel que no fim de um ano tão cheio, tudo tenha se tornado estático novamente? É o ciclo. Todo fim de ano é assim, tem sido assim, e os inícios de ano também. E as coisas, sempre, só vão mudar lá pro 3º mês. Aí sim, 2005 vai começar, aula, escola, estudo, provas, saco cheio, festas, aniversários, rotina....ai o ano bomba! Na minha cabeça, e eu vou reclamar, chorar, sofrer, rir, dar grandes gargalhadas, e vai chegar o fim do ano, e quem sabe eu até mude o discurso!?!
...mas eu pulei a virada.....
Tem sempre Aquela história do "ano novo, vida nova", não é bem assim, mas a gente passa a vida inteira acreditando no milagre da renovaçao e naquela historinha de Drummond. Se fazem promessas, apontam-se metas, planos e mais planos. Mas esse ano eu não fiz promessas, nem estipulei metas, nem bebi champangne, nem senti renovaçao alguma. Desta vez, eu assisti calada aos fogos, desanimados como eu, olhei de cima alguns terraços de famílias reunidas e sorridentes, e desejei sinceramente a todas as pessoas que eu gosto, um feliz ano novo. Um feliz 2005, foi meu único desejo, meu único pensamento durante a virada.
No mais, nada mudou_como todos os anos anteriores, eu me sinto estática e sem ação_ou tudo mudou, e talvez por isso, as coisas estejam assim.
Inacreditável! Como é possivel que no fim de um ano tão cheio, tudo tenha se tornado estático novamente? É o ciclo. Todo fim de ano é assim, tem sido assim, e os inícios de ano também. E as coisas, sempre, só vão mudar lá pro 3º mês. Aí sim, 2005 vai começar, aula, escola, estudo, provas, saco cheio, festas, aniversários, rotina....ai o ano bomba! Na minha cabeça, e eu vou reclamar, chorar, sofrer, rir, dar grandes gargalhadas, e vai chegar o fim do ano, e quem sabe eu até mude o discurso!?!
...mas eu pulei a virada.....
Tem sempre Aquela história do "ano novo, vida nova", não é bem assim, mas a gente passa a vida inteira acreditando no milagre da renovaçao e naquela historinha de Drummond. Se fazem promessas, apontam-se metas, planos e mais planos. Mas esse ano eu não fiz promessas, nem estipulei metas, nem bebi champangne, nem senti renovaçao alguma. Desta vez, eu assisti calada aos fogos, desanimados como eu, olhei de cima alguns terraços de famílias reunidas e sorridentes, e desejei sinceramente a todas as pessoas que eu gosto, um feliz ano novo. Um feliz 2005, foi meu único desejo, meu único pensamento durante a virada.
No mais, nada mudou_como todos os anos anteriores, eu me sinto estática e sem ação_ou tudo mudou, e talvez por isso, as coisas estejam assim.
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