Resíduo
De tudo ficou um pouco
Do meu medo.
Do teu asco.
Dos gritos gagos.
Da rosaficou um pouco
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu.
Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço- vazio -
de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 31 de janeiro de 2005
domingo, 23 de janeiro de 2005
little crap
Pode ser cedo ainda, mas eu nunca me importei de voltar atrás, não vai ser agora que eu vou deixar de escrever por causa da incerteza de certas coisas.
Ando indo muito bem [?] obrigada, e você? Não, não quero saber. Você não vai me responder sinceramente mesmo, simplesmente vai cuspir na minha cara algumas frases sem alma e depois vai voltar pro seu mundinho feliz. cuspe fútil. inútil. Então, o que eu quero mesmo, é viver aqui, longe de qualquer barulho seu.
Sabendo agora que o desejo é o que torna o irreal possível, vi que eu estava desejando o incorreto e não o irreal, e comecei a desejar o correto (mas não por isso real), que é ficar bem na distância e sorrir ao lembrar. Também é preciso desejar falar menos, ouvir mais, e tomar cuidado, pois descobri sob meus pés um campo minado, e se eu der passos em falso posso estar caminhando para a escuridão. Mesmo assim, é preciso estar, ser e fazer o que se deseja.
Não se engane com rostinhos bonitos (ou não), risadinhas e muita bajulação; o riso exagerado é insosso, como já dizia Victor Hugo, e quando a esmola é demais, o santo desconfia. Mas não desconfie apenas, procure saber. E saiba que ter alguém sincero ao lado, pode tornar mais fácil enxergar que a esmola poderia virar dívida.
As aulas já vão começar e isso talvez tenha me deixado realmente feliz. Não por aqueles que sorriem por educação ou interese. Mas por aqueles poucos, ou nem tão poucos assim, que fazem a diferença! O ano promete! Será que proemte mesmo? Mas não quero promessas, elas criam expectativas que, quanto maiores, maior a decepçao se nada se cumprir.
Devolve logo o vínculo que sobrou, pra que eu possa fingir a certeza de que meus caminhos vão mudar. E pra que eu possa escolher quando é que eu quero, ou me convém, aparecer. Só pra lembrar, existem outros meios. Só não estava afim mesmo de surpresinhas e pequenos cuspes numa tarde vazia qualquer. Mas quero ver quais serão as atitudes, não vou sugerir. Pra depois não pensar [nem eu, nem você, nem ninguém] que foi porque eu quis (ou não quis).
[já são quase 18:00h]
...e finais felizes não existem, porque fim não é feliz já na própria palavra...o dia talvez, possa terminar vez ou outra com um 'felizes para sempre' (até o nascer do próximo sol)....
...?será mesmo?...
Ando indo muito bem [?] obrigada, e você? Não, não quero saber. Você não vai me responder sinceramente mesmo, simplesmente vai cuspir na minha cara algumas frases sem alma e depois vai voltar pro seu mundinho feliz. cuspe fútil. inútil. Então, o que eu quero mesmo, é viver aqui, longe de qualquer barulho seu.
Sabendo agora que o desejo é o que torna o irreal possível, vi que eu estava desejando o incorreto e não o irreal, e comecei a desejar o correto (mas não por isso real), que é ficar bem na distância e sorrir ao lembrar. Também é preciso desejar falar menos, ouvir mais, e tomar cuidado, pois descobri sob meus pés um campo minado, e se eu der passos em falso posso estar caminhando para a escuridão. Mesmo assim, é preciso estar, ser e fazer o que se deseja.
Não se engane com rostinhos bonitos (ou não), risadinhas e muita bajulação; o riso exagerado é insosso, como já dizia Victor Hugo, e quando a esmola é demais, o santo desconfia. Mas não desconfie apenas, procure saber. E saiba que ter alguém sincero ao lado, pode tornar mais fácil enxergar que a esmola poderia virar dívida.
As aulas já vão começar e isso talvez tenha me deixado realmente feliz. Não por aqueles que sorriem por educação ou interese. Mas por aqueles poucos, ou nem tão poucos assim, que fazem a diferença! O ano promete! Será que proemte mesmo? Mas não quero promessas, elas criam expectativas que, quanto maiores, maior a decepçao se nada se cumprir.
Devolve logo o vínculo que sobrou, pra que eu possa fingir a certeza de que meus caminhos vão mudar. E pra que eu possa escolher quando é que eu quero, ou me convém, aparecer. Só pra lembrar, existem outros meios. Só não estava afim mesmo de surpresinhas e pequenos cuspes numa tarde vazia qualquer. Mas quero ver quais serão as atitudes, não vou sugerir. Pra depois não pensar [nem eu, nem você, nem ninguém] que foi porque eu quis (ou não quis).
[já são quase 18:00h]
...e finais felizes não existem, porque fim não é feliz já na própria palavra...o dia talvez, possa terminar vez ou outra com um 'felizes para sempre' (até o nascer do próximo sol)....
...?será mesmo?...
segunda-feira, 17 de janeiro de 2005
Sunscreen
Filtro Solar
Senhoras e Senhores do século XXI, se eu pudesse dar apenas um conselho a vocês, seria: use filtro solar. Os benefícios a longo prazo do filtro solar foram cientificamente comprovados. Agora, todos os outros conselhos têm base unicamente na minha própria experiência.
Aproveite o poder e a beleza da sua juventude. Ou então esqueça! Você não vai entender o poder e a beleza da sua juventude até que eles tenham se acabado. Mas acredite, daqui a 20 anos você vai olhar para suas fotos e recordar, de uma maneira que você não compreende agora, das possibilidades que que te foram dadas e do quanto você era maravilhoso. Você não é tão gordo quanto pensa!
Não se preocupe com o futuro, ou preocupe-se. Mas saiba que preocupaçao é tão eficaz quanto mascar chiclete pra tentar resolver uma equação de álgebra. Os verdadeiros problemas da sua vida estão nas coisas com as quais você nunca se preocupou. Como os pensamentos daquela ociosa tarde de terça-feira.
Faça algo que te assuste verdadeiramente todos os dias.
Cante.
Não seja negligente com corações alheios. Não se espante se forem negligentes com o seu.
Não perca seu tempo com inveja. Às vezes se está na frente, e às vezes não. A estrada é longa, e no fim das contas, é só você com você mesmo.
Lembre apenas dos elogios que receber. Esqueça os insultos. (e se conseguir, me ensine)
Guarde suas antigas cartas de amor. joga fora os estratos bancários.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que quer fazer da vida. Algumas das pessoas mais interessantes que eu conheço, não sabiam, aos 22, o que queriam. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço, ainda não sabem.
Tome muito cálcio. Seja cuidadoso com seus joelhos. Você vai sentir falta deles.
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, e talvez não.talvez você se divorcie aos 40, ou talvez você dançe a valsa na sua festa de Bodas de Ouro. Contudo, independente do que você faça, não se elogie demias, nem se repreenda demais. Todas as suas escolhas têm 50% de chance. Assim como as de todo mundo.
Aproveite seu corpo. Use-o da maneira que bem entender. Não tenha medo diso ou daquilo que as pessoas possam pensar. Ele é o melhor instrumento que você poderia ter.
Dance. Mesmo que seja na sala de sua casa.
Leia as setas. Mesmo que você não vá segui-las.
Não leia revistas de beleza. Elas só farão com que você se sinta feio.
Aprenda a conhecer seus pais. Você nunca sabe quando eles terão ido embora, pra sempre. Seja carinhoso com seus irmãos. Eles são sua melhor ligação com o passado. E aqueles que, provavelmente, estarão com você no futuro.
Entenda que amigos vêm e vão. Mas por um pouco de tempo, precioso tempo, você deve segurá-los.
Trabalhe duro para reduzir as lacunas no mundo e nos estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar daqueles que te conheceram quando você era jovem.
More em Nova York uma vez, mas mude-se antes que se torne muito sério. More na Califórcia uma vez na vida, mas mude-se, antes que você se torne muito tranquilo.
Viaje.
Aceite certas verdades inquestionáveis: os preços vão subir; os políticos vão ser corruptos; e você também vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que quando você era jovem, os preços eram baixos, os políticos eram honestos e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos.
Não espere que os outros te sustentem. Talvez você tenha uma conta bancária confiável, talvez você tenha um cônjuge rico. Mas nunca se sabe quando um ou outro poderá sumir.
Não mexa muito com seu cabelo, senão, quando você tiver 40 anos, eles vão parecer com os de alguém com 85.
Seja cuidadoso com aqueles que te dão conselhos, mas seja pacientes com aqueles que os fornecem. Conselhos são uma forma de nostalgia. Dá-los é uma forma de pescar o passado do lixo, enxugar, pintar as partes feias, e reciclá-lo por mais do que realmente vale.
Mas acredite em mim quanto ao filtro solar.
(Texto traduzido do original "Wear Sunscreen" de Mary Schmich )
Senhoras e Senhores do século XXI, se eu pudesse dar apenas um conselho a vocês, seria: use filtro solar. Os benefícios a longo prazo do filtro solar foram cientificamente comprovados. Agora, todos os outros conselhos têm base unicamente na minha própria experiência.
Aproveite o poder e a beleza da sua juventude. Ou então esqueça! Você não vai entender o poder e a beleza da sua juventude até que eles tenham se acabado. Mas acredite, daqui a 20 anos você vai olhar para suas fotos e recordar, de uma maneira que você não compreende agora, das possibilidades que que te foram dadas e do quanto você era maravilhoso. Você não é tão gordo quanto pensa!
Não se preocupe com o futuro, ou preocupe-se. Mas saiba que preocupaçao é tão eficaz quanto mascar chiclete pra tentar resolver uma equação de álgebra. Os verdadeiros problemas da sua vida estão nas coisas com as quais você nunca se preocupou. Como os pensamentos daquela ociosa tarde de terça-feira.
Faça algo que te assuste verdadeiramente todos os dias.
Cante.
Não seja negligente com corações alheios. Não se espante se forem negligentes com o seu.
Não perca seu tempo com inveja. Às vezes se está na frente, e às vezes não. A estrada é longa, e no fim das contas, é só você com você mesmo.
Lembre apenas dos elogios que receber. Esqueça os insultos. (e se conseguir, me ensine)
Guarde suas antigas cartas de amor. joga fora os estratos bancários.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que quer fazer da vida. Algumas das pessoas mais interessantes que eu conheço, não sabiam, aos 22, o que queriam. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço, ainda não sabem.
Tome muito cálcio. Seja cuidadoso com seus joelhos. Você vai sentir falta deles.
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, e talvez não.talvez você se divorcie aos 40, ou talvez você dançe a valsa na sua festa de Bodas de Ouro. Contudo, independente do que você faça, não se elogie demias, nem se repreenda demais. Todas as suas escolhas têm 50% de chance. Assim como as de todo mundo.
Aproveite seu corpo. Use-o da maneira que bem entender. Não tenha medo diso ou daquilo que as pessoas possam pensar. Ele é o melhor instrumento que você poderia ter.
Dance. Mesmo que seja na sala de sua casa.
Leia as setas. Mesmo que você não vá segui-las.
Não leia revistas de beleza. Elas só farão com que você se sinta feio.
Aprenda a conhecer seus pais. Você nunca sabe quando eles terão ido embora, pra sempre. Seja carinhoso com seus irmãos. Eles são sua melhor ligação com o passado. E aqueles que, provavelmente, estarão com você no futuro.
Entenda que amigos vêm e vão. Mas por um pouco de tempo, precioso tempo, você deve segurá-los.
Trabalhe duro para reduzir as lacunas no mundo e nos estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar daqueles que te conheceram quando você era jovem.
More em Nova York uma vez, mas mude-se antes que se torne muito sério. More na Califórcia uma vez na vida, mas mude-se, antes que você se torne muito tranquilo.
Viaje.
Aceite certas verdades inquestionáveis: os preços vão subir; os políticos vão ser corruptos; e você também vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que quando você era jovem, os preços eram baixos, os políticos eram honestos e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos.
Não espere que os outros te sustentem. Talvez você tenha uma conta bancária confiável, talvez você tenha um cônjuge rico. Mas nunca se sabe quando um ou outro poderá sumir.
Não mexa muito com seu cabelo, senão, quando você tiver 40 anos, eles vão parecer com os de alguém com 85.
Seja cuidadoso com aqueles que te dão conselhos, mas seja pacientes com aqueles que os fornecem. Conselhos são uma forma de nostalgia. Dá-los é uma forma de pescar o passado do lixo, enxugar, pintar as partes feias, e reciclá-lo por mais do que realmente vale.
Mas acredite em mim quanto ao filtro solar.
(Texto traduzido do original "Wear Sunscreen" de Mary Schmich )
segunda-feira, 10 de janeiro de 2005
you see, this is why i'd rather be alone
eu tenho mania de me apaixonar, de gostar, de me apegar. sou definitivamente um animal sentimental que me apego facilmente ao que desperta o meu desejo. se você não quer que eu me apegue ou me apaixone, então não me cultive! isso vale pra amigos, e meninos, no caso de amigos, vale só o apego. porque se não, você se torna responsável, por todos os estragos. mas é tão fácil culpar o outro. talvez fosse eu quem devesse aprender a separar as coisas. porque é muito fácil me cativarem sabe, basta um charme aqui, bom humor ali, um pouquinho de inteligência acolá, e pronto! já não posso viver sem. tem pessoas, como você, que são encantadoramente irritantes, desafiam, jogam, dão um pouco do doce, e logo tiram, pra manter o equilíbrio. equilíbrio seu né. o meu, fica pra depois. mas mesmo assim é uma presença agradável, mesmo que as vezes eu dê boas respiradas antes de qualquer resposta. sabe, porque seria loucura, é o tipo de coisa que eu julgava impossivel, pelo menos nesse nível, até algum tempo atrás. você sabe como agradar, perfeitamente, mas não sabe identificar quando incomoda e arranha do ladinho das feridas. você faz assim, como fez, e me deixa mal, mas depois, você vem daquele seu jeito, encantador e irritante ao mesmo tempo, e me deixa super bem. e a possibilidade de que aquilo-que-não-sabemos-o-que-é, acabe, me apavora! mas você esquece que um dia pensamos em ser, e vem me mostrar suas escolhas, e eu, fico assim, exatamente na linha que divide a fossa, da inércia. e ainda não sei o que isso é, mas gostaria que continuasse, pelo menos como era antes, nesse caso, eu aceito as palavras agradáveis, mesmo que sem concretização. morro de medo de não ser tudo aquilo que você adora quando eu sou. há também, você, que cultivou, teve apego, paixão e tudo. cultivou, mas largou pra lá, depois que floresceu, aí ficou tudo confuso, o mundo muitas vezes girou a sua volta. e agora, você está girando em volta de outro sol, esqueceu que me cultivou, ou nao, pois as vezes insiste em manter pequenos cultivos que acabam por fazer mal à mim. eu fico sem saber se o que tenho aqui e de verdade, tipo coisa que um dia com certeza floresce de vez, ou se é apenas despeito, pelo respeito que nao tive, pelas coisas que nao vivemos, por tudo o que acabou. e vocês, que me cultivam, e as vezes se distanciam, me deixam insegura, um pouco mais do que o normal. meu medo de rejeiçao é maior do que o de bicho-papão. e eu sinto falta, quando me apego, e sem querer ficamos longe, por mais perto que a gente esteja. eu devia era curar toda essa carência com boas leituras periódicas, menos internet, e mais rua. mas quanto mais eu leio, mais idéia eu tenho, quanto menos eu fico na internet, mais ociosa eu fico, quanto mais na rua eu vou, mais eu lembro. então, melhor escrever mesmo. mesmo que o texto comece às 02:29 am, e eu só o termine às 14:10 pm. e mesmo que até o fim do texto, a maior parte do sentimento tenha ido embora. [também, com todas as palas continuas e incontroláveis da madrugada e piadinhas rapidas de quem cultiva e mantém, tinha que sumir mesmo né]. mas depois de tanta demora, eu acho que consegui escrever um pouco do que eu queria. com um tipo de texto totalmente diferente do que eu costumo e gosto de fazer, menos impessoal, mais escrachado e quase que feito literalmente. acho que eu não ia conseguir de outro jeito dessa vez.
eu tenho mania de me apaixonar, de gostar, de me apegar. sou definitivamente um animal sentimental que me apego facilmente ao que desperta o meu desejo. se você não quer que eu me apegue ou me apaixone, então não me cultive! isso vale pra amigos, e meninos, no caso de amigos, vale só o apego. porque se não, você se torna responsável, por todos os estragos. mas é tão fácil culpar o outro. talvez fosse eu quem devesse aprender a separar as coisas. porque é muito fácil me cativarem sabe, basta um charme aqui, bom humor ali, um pouquinho de inteligência acolá, e pronto! já não posso viver sem. tem pessoas, como você, que são encantadoramente irritantes, desafiam, jogam, dão um pouco do doce, e logo tiram, pra manter o equilíbrio. equilíbrio seu né. o meu, fica pra depois. mas mesmo assim é uma presença agradável, mesmo que as vezes eu dê boas respiradas antes de qualquer resposta. sabe, porque seria loucura, é o tipo de coisa que eu julgava impossivel, pelo menos nesse nível, até algum tempo atrás. você sabe como agradar, perfeitamente, mas não sabe identificar quando incomoda e arranha do ladinho das feridas. você faz assim, como fez, e me deixa mal, mas depois, você vem daquele seu jeito, encantador e irritante ao mesmo tempo, e me deixa super bem. e a possibilidade de que aquilo-que-não-sabemos-o-que-é, acabe, me apavora! mas você esquece que um dia pensamos em ser, e vem me mostrar suas escolhas, e eu, fico assim, exatamente na linha que divide a fossa, da inércia. e ainda não sei o que isso é, mas gostaria que continuasse, pelo menos como era antes, nesse caso, eu aceito as palavras agradáveis, mesmo que sem concretização. morro de medo de não ser tudo aquilo que você adora quando eu sou. há também, você, que cultivou, teve apego, paixão e tudo. cultivou, mas largou pra lá, depois que floresceu, aí ficou tudo confuso, o mundo muitas vezes girou a sua volta. e agora, você está girando em volta de outro sol, esqueceu que me cultivou, ou nao, pois as vezes insiste em manter pequenos cultivos que acabam por fazer mal à mim. eu fico sem saber se o que tenho aqui e de verdade, tipo coisa que um dia com certeza floresce de vez, ou se é apenas despeito, pelo respeito que nao tive, pelas coisas que nao vivemos, por tudo o que acabou. e vocês, que me cultivam, e as vezes se distanciam, me deixam insegura, um pouco mais do que o normal. meu medo de rejeiçao é maior do que o de bicho-papão. e eu sinto falta, quando me apego, e sem querer ficamos longe, por mais perto que a gente esteja. eu devia era curar toda essa carência com boas leituras periódicas, menos internet, e mais rua. mas quanto mais eu leio, mais idéia eu tenho, quanto menos eu fico na internet, mais ociosa eu fico, quanto mais na rua eu vou, mais eu lembro. então, melhor escrever mesmo. mesmo que o texto comece às 02:29 am, e eu só o termine às 14:10 pm. e mesmo que até o fim do texto, a maior parte do sentimento tenha ido embora. [também, com todas as palas continuas e incontroláveis da madrugada e piadinhas rapidas de quem cultiva e mantém, tinha que sumir mesmo né]. mas depois de tanta demora, eu acho que consegui escrever um pouco do que eu queria. com um tipo de texto totalmente diferente do que eu costumo e gosto de fazer, menos impessoal, mais escrachado e quase que feito literalmente. acho que eu não ia conseguir de outro jeito dessa vez.
Anne waits_Ben Folds
And so
annie waits annie waits annie waits
for a call
from a friend
the same
it's the same,
why's it always the same?
annie waits
for the last time
the clock
never stops never stops never waits
she's growing old
it's getting late
and so
he forgot he forgot maybe not
maybe he's been seriously hurt
would that be worse?
headlights crest the hill
shadows pass her by and out of sight
annie sees in dreams
friday bingo, pigeons in the park
annie waits
for the last time
just the same
as the last time
annie says,
you see?
this is why i'd rather be
alone
and so
annie waits annie waits annie waits
for a call
from a friend the same
it's the same
why's it always the same?
annie waits as the last
headlights crest the hill
who will be the one forever more
annie i could be
if we're both still lonely when we're old
annie waits
for the last time
just the same
as the last time
annie waits
for the last time
just the same as the last time
annie waits
but not for me
And so
annie waits annie waits annie waits
for a call
from a friend
the same
it's the same,
why's it always the same?
annie waits
for the last time
the clock
never stops never stops never waits
she's growing old
it's getting late
and so
he forgot he forgot maybe not
maybe he's been seriously hurt
would that be worse?
headlights crest the hill
shadows pass her by and out of sight
annie sees in dreams
friday bingo, pigeons in the park
annie waits
for the last time
just the same
as the last time
annie says,
you see?
this is why i'd rather be
alone
and so
annie waits annie waits annie waits
for a call
from a friend the same
it's the same
why's it always the same?
annie waits as the last
headlights crest the hill
who will be the one forever more
annie i could be
if we're both still lonely when we're old
annie waits
for the last time
just the same
as the last time
annie waits
for the last time
just the same as the last time
annie waits
but not for me
Em determinado momento, Alice encontra o gato e pergunta:
- Como sair desse lugar onde estamos?
O gato responde:
- Isso depende muito de para onde você quer ir.
Alice explica:
-Não quero ir para um determinado lugar. Quero só sair daqui.
O gato retruca:
-Se você não vai a lugar nenhum, então qualquer direção serve.
Alice se impacienta:
=Não quero ir para nenhum lugar determinado mas quero chegar a algum lugar.
E o gato implacável:
-Então, siga por algum caminho e, andando bastante, você certamente chegará a algum lugar (Lewis Carrol)
- Como sair desse lugar onde estamos?
O gato responde:
- Isso depende muito de para onde você quer ir.
Alice explica:
-Não quero ir para um determinado lugar. Quero só sair daqui.
O gato retruca:
-Se você não vai a lugar nenhum, então qualquer direção serve.
Alice se impacienta:
=Não quero ir para nenhum lugar determinado mas quero chegar a algum lugar.
E o gato implacável:
-Então, siga por algum caminho e, andando bastante, você certamente chegará a algum lugar (Lewis Carrol)
sexta-feira, 7 de janeiro de 2005
2005!
Eu quero escrever, preciso, sinto falta dos grandes textos. Sinto falta também de lê-los. Muitos blogs estão iguais, quase falidos, e eu realmente não sei o que se passa. Ás vezes acho que todo mundo mudou de vida...achou se caminho fora daqui, menos eu...que ainda procuro felicidade em textos bloguísticos e ainda preciso publicar aqui o que escrevo. Talvez eu precise mudar de mundo pra que isso mude agora, mas não e necessário, deixa assim, está na hora, afinal, quem conseguiu mudar de vida, já passou por isso quando tinham idade para.
Inacreditável! Como é possivel que no fim de um ano tão cheio, tudo tenha se tornado estático novamente? É o ciclo. Todo fim de ano é assim, tem sido assim, e os inícios de ano também. E as coisas, sempre, só vão mudar lá pro 3º mês. Aí sim, 2005 vai começar, aula, escola, estudo, provas, saco cheio, festas, aniversários, rotina....ai o ano bomba! Na minha cabeça, e eu vou reclamar, chorar, sofrer, rir, dar grandes gargalhadas, e vai chegar o fim do ano, e quem sabe eu até mude o discurso!?!
...mas eu pulei a virada.....
Tem sempre Aquela história do "ano novo, vida nova", não é bem assim, mas a gente passa a vida inteira acreditando no milagre da renovaçao e naquela historinha de Drummond. Se fazem promessas, apontam-se metas, planos e mais planos. Mas esse ano eu não fiz promessas, nem estipulei metas, nem bebi champangne, nem senti renovaçao alguma. Desta vez, eu assisti calada aos fogos, desanimados como eu, olhei de cima alguns terraços de famílias reunidas e sorridentes, e desejei sinceramente a todas as pessoas que eu gosto, um feliz ano novo. Um feliz 2005, foi meu único desejo, meu único pensamento durante a virada.
No mais, nada mudou_como todos os anos anteriores, eu me sinto estática e sem ação_ou tudo mudou, e talvez por isso, as coisas estejam assim.
Inacreditável! Como é possivel que no fim de um ano tão cheio, tudo tenha se tornado estático novamente? É o ciclo. Todo fim de ano é assim, tem sido assim, e os inícios de ano também. E as coisas, sempre, só vão mudar lá pro 3º mês. Aí sim, 2005 vai começar, aula, escola, estudo, provas, saco cheio, festas, aniversários, rotina....ai o ano bomba! Na minha cabeça, e eu vou reclamar, chorar, sofrer, rir, dar grandes gargalhadas, e vai chegar o fim do ano, e quem sabe eu até mude o discurso!?!
...mas eu pulei a virada.....
Tem sempre Aquela história do "ano novo, vida nova", não é bem assim, mas a gente passa a vida inteira acreditando no milagre da renovaçao e naquela historinha de Drummond. Se fazem promessas, apontam-se metas, planos e mais planos. Mas esse ano eu não fiz promessas, nem estipulei metas, nem bebi champangne, nem senti renovaçao alguma. Desta vez, eu assisti calada aos fogos, desanimados como eu, olhei de cima alguns terraços de famílias reunidas e sorridentes, e desejei sinceramente a todas as pessoas que eu gosto, um feliz ano novo. Um feliz 2005, foi meu único desejo, meu único pensamento durante a virada.
No mais, nada mudou_como todos os anos anteriores, eu me sinto estática e sem ação_ou tudo mudou, e talvez por isso, as coisas estejam assim.
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