segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

you see, this is why i'd rather be alone

eu tenho mania de me apaixonar, de gostar, de me apegar. sou definitivamente um animal sentimental que me apego facilmente ao que desperta o meu desejo. se você não quer que eu me apegue ou me apaixone, então não me cultive! isso vale pra amigos, e meninos, no caso de amigos, vale só o apego. porque se não, você se torna responsável, por todos os estragos. mas é tão fácil culpar o outro. talvez fosse eu quem devesse aprender a separar as coisas. porque é muito fácil me cativarem sabe, basta um charme aqui, bom humor ali, um pouquinho de inteligência acolá, e pronto! já não posso viver sem. tem pessoas, como você, que são encantadoramente irritantes, desafiam, jogam, dão um pouco do doce, e logo tiram, pra manter o equilíbrio. equilíbrio seu né. o meu, fica pra depois. mas mesmo assim é uma presença agradável, mesmo que as vezes eu dê boas respiradas antes de qualquer resposta. sabe, porque seria loucura, é o tipo de coisa que eu julgava impossivel, pelo menos nesse nível, até algum tempo atrás. você sabe como agradar, perfeitamente, mas não sabe identificar quando incomoda e arranha do ladinho das feridas. você faz assim, como fez, e me deixa mal, mas depois, você vem daquele seu jeito, encantador e irritante ao mesmo tempo, e me deixa super bem. e a possibilidade de que aquilo-que-não-sabemos-o-que-é, acabe, me apavora! mas você esquece que um dia pensamos em ser, e vem me mostrar suas escolhas, e eu, fico assim, exatamente na linha que divide a fossa, da inércia. e ainda não sei o que isso é, mas gostaria que continuasse, pelo menos como era antes, nesse caso, eu aceito as palavras agradáveis, mesmo que sem concretização. morro de medo de não ser tudo aquilo que você adora quando eu sou. há também, você, que cultivou, teve apego, paixão e tudo. cultivou, mas largou pra lá, depois que floresceu, aí ficou tudo confuso, o mundo muitas vezes girou a sua volta. e agora, você está girando em volta de outro sol, esqueceu que me cultivou, ou nao, pois as vezes insiste em manter pequenos cultivos que acabam por fazer mal à mim. eu fico sem saber se o que tenho aqui e de verdade, tipo coisa que um dia com certeza floresce de vez, ou se é apenas despeito, pelo respeito que nao tive, pelas coisas que nao vivemos, por tudo o que acabou. e vocês, que me cultivam, e as vezes se distanciam, me deixam insegura, um pouco mais do que o normal. meu medo de rejeiçao é maior do que o de bicho-papão. e eu sinto falta, quando me apego, e sem querer ficamos longe, por mais perto que a gente esteja. eu devia era curar toda essa carência com boas leituras periódicas, menos internet, e mais rua. mas quanto mais eu leio, mais idéia eu tenho, quanto menos eu fico na internet, mais ociosa eu fico, quanto mais na rua eu vou, mais eu lembro. então, melhor escrever mesmo. mesmo que o texto comece às 02:29 am, e eu só o termine às 14:10 pm. e mesmo que até o fim do texto, a maior parte do sentimento tenha ido embora. [também, com todas as palas continuas e incontroláveis da madrugada e piadinhas rapidas de quem cultiva e mantém, tinha que sumir mesmo né]. mas depois de tanta demora, eu acho que consegui escrever um pouco do que eu queria. com um tipo de texto totalmente diferente do que eu costumo e gosto de fazer, menos impessoal, mais escrachado e quase que feito literalmente. acho que eu não ia conseguir de outro jeito dessa vez.

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