Já era hora de escrever de novo, já tá na hora de falar de novo. Chega um momento que a gente tem plena consciencia do que sente, ao contrário daqueles momentos cheios de dúvidas e incertezas.
As pessoas dizem que já tá mais do que na hora de não precisar fugir nem se preparar, e realmente está. Sinceramente, já está acontecendo isso, mas como de tudo fica um pouco, acho que pra sempre certas coisas vão ficar, até que se resolva os mal-entendidos, os mal-resolvidos, os mal-acabados, ou não. O resíduo fica ali no canto, despertado por algumas coisas, provocado por outras, ou adormecido por muitas coisas.
Mas nada como um conselho de vó, e um dito popular...verdade.
Às vezes a gente pára e pensa por que não eu? E outra hora a gente sabe que não simplesmente porque não. E vê o outro lado, e enxerga outros horizontes, e canta novas músicas, vive novas coisas....mas aquela música nunca vai deixar de tocar, aqueles tempos nunca vão poder ser apagados, certas lembranças e fatos nunca vão ser esquecidos, e isso é bom. É bom ter passado, todo mundo tem, é bom ter história pra contar aos netos décadas depois. Mas também é bom seguir em frente, não tropeçar no caminho. É muito importante conhecer pessoas. É essencial.
Enfim, o mundo realmente dá muitas voltas, mas nem sempre pára nas mesmas arestas, às vezes até pode parar, isso pode ate demorar, mas às vezes ele descobre arestas novas, prontas pra serem trilhadas, construídas. É bom saber que tudo acontece no seu próprio tempo, mas isso não significa cruzar os braços e sentar no sofá pra assistir tv. É bom que se corra atrás também, seja do prejuízo, ou do lucro certo.
O texto aí em baico, do Arnaldo Jabour, recebi hoje da minha irmã no email, e acho que vale à pena postar, por seu valor de utilidade pública e não porque seja algo essencialmente expressivo no momento, o que não é, pelo menos não compeltamente.
"Amores mal resolvidos"
(Arnaldo Jabor)
Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo. Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um Amor Mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação. Por que isso acontece? Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto. Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim. Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que Não. Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: Lembranças, amizade, parceira, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim. Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim. Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores. Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez. Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente.
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