sexta-feira, 21 de julho de 2006

Os dois lados da Copa do Mundo


O mundo está vivendo neste último mês, uma grande euforia vinda do esporte; e, no Brasil, não é diferente. É a Copa do Mundo que mexe com os países. Considerado um dos favoritos desde o início da competição, o Brasil se mobiliza nos jogos da seleção, interrompe suas atividades cotidianas e veste-se de verde e amarelo. Mas será que o país pára mesmo? Até que ponto o futebol influencia nossas vidas?
Bom, cada pessoa encara a Copa sob um diferente ponto de vista. Existem aqueles que a jogam para escanteio, conseguindo permanecer alheios a esse clima de disputa festiva que se alastra sobre o mundo, e outros que a tratam como um verdadeiro gol de placa, se deixando envolver pela torcida em massa, gritando para o mundo “Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Pena que só lembramos dessa linda canção nesta época. Buscamos no grito de um gol a alegria e liberdade que se ausentam em dias comuns. Ainda que superficial, um gol traz consigo a descontração capaz de alegrar mentes e corpos cansados.
E nessa onda futebolística, embarcam também os comerciantes, que aproveitam da empolgação dos torcedores para marcarem presença com seus produtos, de todas as categorias, nas cores da bandeira. Dessa maneira, fica explícito que o que realmente importa são os lucros que uma Copa do mundo pode proporcionar. O mesmo acontece com nossos “talentosíssimos” jogadores, já que muitos deles pensam em sua auto-promoção e se esquecem que a camisa que vestem tem o peso de milhões de brasileiros que ainda acreditam no esporte futebol, e não na empresa futebol.
No decorrer dos anos, não nos damos conta de que somos brasileiros, infelizmente. Pois, a mesma sociedade que cobra, exige e nunca está satisfeita com os técnicos e jogadores da seleção, querendo sempre melhorar, é a mesma que deixa os nossos governantes fazerem o que bem entendem com o dinheiro que sai do nosso bolso com tanto sacrifício.
Além do ideal duvidoso da competição e apesar da alegria e euforia, devemos nos alertar para tudo que está envolvido por trás desse campeonato. Parar o mundo porque o Brasil vai jogar não está certo. E não nos enganemos achando que o país inteiro está parado, enquanto nos transformamos em torcedores eufóricos, nos esquecemos que é ano de eleição, que acabamos de sair de graves denúncias aos governantes e que os acusados estão se candidatando novamente. Os jornais reservam mínimas frações de seu tempo e espaço para as notícias políticas e econômicas, isso quando o fazem. Durante as últimas semanas vêm circulando pela internet notícias de que o Senado estaria discutindo o fim o décimo terceiro salário, ou seja, enquanto os olhos estão voltados para o outro lado do Atlântico, aqui, na nossa casa, podem estar nos passando para trás. Mesmo que essa notícia seja apenas um boato, e as tantas outras que viremos a discutir ou até descobrir após a Copa? Não, não se pode torcer cegamente assim. È preciso prestar mais atenção no passe do Luís Inácio do que no passe do Ronaldinho.
Como em tantos outros aspectos e tantas outras situações, nosso problema está no exagero, no velho jeitinho brasileiro de levar a vida. Se soubéssemos equilibrar a paixão pelo futebol, que é real e quase unânime no país, sem usar qualquer vitória como desculpa para os nossos desejos de festa, folgas e feriados; se não acreditássemos cegamente em uma instituição mais financeira do que esportiva, e soubéssemos diferenciar isso na hora de torcer, e na hora de jogar no caso dos atletas, seria tudo mais honrado.
A festa é boa? A festa é ótima! É emocionante assistir a uma partida de futebol? É vibrante, é contagiante! Mas, assim como não há pecado nenhum em torcer, também não há pecado em refletir.




[redação feita em grupo (eu mais três grandes amigas) para um trabalho de colégio, sobre redaçoes argumentativas. fora de época?! que nada! além do mais 2010 taí, e seria muito clichê postar esse texto há algumas semanas atrás]

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