terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Eu encontrei-o quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pra eu merecer
Antes um mês
Eu já não sei
E até quem me vê
Lendo jornal
Na fila do pão
Sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá
Que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor
A gente é quem sabe, pequeno
Ah vai!Me diz o que é o sufoco
Que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia
Eu levo essa casa numa sacola
Eu encontrei-o e quis duvidar
Tanto clichê
Deve não ser
Você me falou
Pra eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor
E só de te ver
Eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar
Ah vai!
Me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora
Pego carona
Pra te acompanhar

domingo, 2 de dezembro de 2007

"Ela me disse que trabalha no correio
E que namora um menino eletricista
Estou pensando em casamento
Mas não quero me casar
Quem modelou teu rosto ?
Quem viu a tua alma entrando ?
Quem viu a tua alma entrar ?
Quem são teus inimigos ?
Quem é de tua cria ?
A professora
Adélia, a tia Edilamar
e a tiaEsperança
Será que você vai saber
O quanto penso em você como meu coração ?
Será que você vai saber
O quanto penso em você como meu coração ?
Quem está agora ao teu lado ?
Quem para sempre está ?
Quem para sempre estará ?
Ela me disse que trabalha no correio
E que namora um menino eletricista
As família se conhecem bem
E são amigas nesta vida
Será que você vai saber, o quanto
penso em você com meu coração ?
Será que você vai saber, o quanto
penso em você com o meu coração ?
A gente quer um lugar pra gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego
Estou pensando em casamento
Ainda não posso me casar
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita."

(Legião urbana - O Descobrimento do Brasil)

[Porque sempre cai bem; e as histórias de amor do Renato Russo são as mais lindinhas]

domingo, 21 de outubro de 2007

Para aonde será que ela vai?
Se lembra do cachorro-urso que
atacava as pessoas se você tentasse subir?
Guarda gente ou coisa?
Tão imponente...guardava, e continua
guardando.
Pois quando se soube o que fazer,
ela fugiu, temendo não reter
a curiosidade da menina tão assustada
mas tão fascinada por seu mistério.
Abrigou, e talvez abrigue ainda,
as mais profundas fantasias
deste e daquele tempo.
Vai, esconde o que não possa
ser visto, guarda o que não
deva ser escancarado.
Só não se esqueça: um dia,
quando o tempo deixar e
a vida der espaço ao que restou,
ela vai subir!

domingo, 30 de setembro de 2007

"Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!"
(Casimiro de Abreu)


Fotos antigas, esquecidas nas pastas menos visitadas do computador, um pingado de folhas guardadas naquele lugarzinho escondido, esquecido, mais um tanto de cansaço e uma pitada de saudade. Receita pronta pra imaginação viajar, e lembrar dos tempos bons de criança, ou nem tão criança, mas quando tudo ainda era só risada, brincadeira. Quando colar na prova era um pecado, mas um pecado tão grande, que se tornava até mais divertido. Quando pra tudo tinha tempo, tempo pra decorar letra de música de tanto ouvir e ler a letra ao mesmo tempo, aprender inglês assistindo seriados na tv a cabo, ler Pelvini, Ribeiro, Werneck e tantos outros, frequentemente; ler Poder! Mas agora não tem mais jeito, todos sabem que o mundo girou e o tempo passou, tão depressa que ninguém nem viu. Só falta chegar o ano novo, pra esperançar de novo que ele traga tudo aquilo que se deseja.

sábado, 29 de setembro de 2007

Sem Graça
(Vilania)

Vida que passa
Sem gosto
Sem graça
Me faça feliz um dia se puder

Vem me abraça
Me prende e desfaça a arruaça
Ou me empresta um revólver

Melhor morrer que não ter você
Melhor fugir ou me perder
Antes que tudo perca a graça
será que você riu com o beijo que te dei

Melhor morrer que não ter você
Melhor fugir ou me perder
Antes que tudo perca a graça
Nada que me faça ter a vida que eu deixei

Vida sem
Vida sem graça tem
Tem graça nada tem
Tempo que faça tem
tem...vida...vida...vida, vida, vida...sem, sem, sem graça
sem, sem, sem graça
.

Vilania: Verde, Noz, Circo de Pulgas...e tantas outras...ótimas!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

pela primeira vez o blog tem um mês sem nenhum post, por pekenininho que fosse;
julho de 2007...e quase, quaaase agosto também...mas não, dois meses já seriam demais.
lugar ta empoeirado, com teias de aranha...mas cheio de sentimentos e criatividades [assim mesmo, no plural, porque eram múltiplas] que as provas, apostilas, livros e, sempre ela, a preguiça vêm impedindo que apareçam novamente. é tão pouco tempo que o cérebro tem livre, sem estar estudando ou sem estar pensando que deveria estar estudando, que quando isso acontece é melhor nao forçá-lo muito escrevendo....
enfim....

listen to the 5th symphony and relax...at least try

segunda-feira, 25 de junho de 2007



Velhos tempos. Bons, ruins, tristes, alegres, eufóricos, tranquilos ou incertos. Nunca serão apagados, não há quem consiga apagar; e nunca mais voltarão, não há quem (ou o quê) os faça voltar. Mas não desejo que voltem, nem mesmo os melhores. Já foram vividos o suficiente. E afinal, mesmo aqueles que não gosto, já carrego na memória!
Santa Memória!

domingo, 24 de junho de 2007

"Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
Já que você não me quer mais
passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar e a pedir perdão
E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez"
(Vinte e Nove - Legião Urbana)

Perdeu vinte em vinte e nove amizades, por conta de uma flecha que surgiu na tempestade. Se embriaga com sorrisos vinte e nove vezes, e a cada vez é um pouco menos que sobra daquilo tudo que sempre acharam tão importante. Estão aprendendo a viver sem, já que não os quer mais. Têm passado meses como se num navio, em uma viagem distante; dias e dias prisioneiros das ações coordenadas pela flecha. Mas nem que demorem vinte e nove anos, ao final, com o retorno de Saturno, tudo se esclarecerá e, apesar de já terem decidido começar a viver, ainda esperarão, no fundo. Não deixaram de amar, mas esperam que aprenda a pedir perdão, pois vão perdoar. E aí então...vinte e nove anjos saudarão e terá vinte e nove amigos outra vez.


(porque eles sempre me ajudaram)

quarta-feira, 6 de junho de 2007

"...Mas quando alguém precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta!..."

domingo, 20 de maio de 2007

assim, como qualquer um pode ver. rosto jovem, quase de criança; as palavras são bem colocadas e as opiniões bem formadas; apesar da face infantil, a expresão passa um ar sério de alguém que talvez seja muito maduro pra idade que tem. os olhos deixam à mostra a timidez; alguém tão introspectivo, à primeira vista pode passar uma imagem diferente da verdade. tom de seriedade às vezes inibe, às vezes aguça.
assim, como só quem olha de perto e espera o tempo se colocar pode ver. o sorriso mais belo que já se viu, com traços simples e perfeitamente agrupados; com a alegria ou ironia que lhe é peculiar, o mais belo sorriso. os olhos tímidos são apenas observadores. não detalhistas, porque a mente desligada de um peixe nao o permite; mas observadores de modo que as situações mais cotidianas adquirem equações e sistemas exatos. os pensamentos parecem nus perto de tal olhar.
assim, como só quem ama pode ver. o rosto não é tão distoante da alma sonhadora que mora ali dentro. alma que talvez, por idealizar tanto, sofra um pouco mais do que as outras. as reflexões tão profundas chegam a impedir que se entregue, mas o coração é quem bate mais forte. se em um minuto riem-se de suas falas, no outro estas podem irritar ou magoar profundamente: se irritam; ou é porque não foram pensadas ou porque foram estritamente calculadas (como só uma alma brincalhona pode fazer); se magoam é porque no instante da explosão não se via mais nada além.
assim, como quem ama e está vendo de perto há algum tempo acaba descobrindo. a melhor companhia não é da perfeição, não é a da transgressão, não é a das mentiras sinceras. é a do olhar sincero, do abraço protetor, do beijo carinhoso...do amor que conversa, que discute, discorda, releva, abre mão ou insiste. a melhor companhia é a sua.

terça-feira, 1 de maio de 2007

“Tente explicar para um peixe o que é água. Como descolar a vida e a percepção do peixe daquele troço que permeia completamente a sua existência? Não existe percepção de vida sem percepção de água para o peixe. Ou seja, não existe água para o peixe. Água existe para nós, que observamos de fora e que não vivemos imersos nela.”
(Gustavo Mini)

A primeira coisa que nos passa pela cabeça: é como o ar pra nós seres terrestres. Bom, talvez seja como o ar para os bichinhos tipo vacas, baratas, abelhas, etc.; mas para nós, bichinhos humanos, pensantes [sem nenhuma pretensão de superioridade no adjetivo], que adoramos criar teorias sobre tudo, nomear e listar as coisas, não. Os peixes não pensam sobre a água [pelo menos, não até onde nossa mania de entender tudo chegou até hoje]. E se eles não pensam sobre a água, porque para eles a água não existe, então o ar não pode ser o nosso exemplo comparativo agora. Simplesmente não há um exemplo, porque nós não pensamos nisso, nosso exemplo não existe, não pode existir. Pensa só, qualquer coisa que pensarmos que seja nosso liquido vital, como a água é para os peixes, vai deixar de ser o liquido vital inerente, tão simples e essencial, que não se consegue conceber. No momento seguinte que pensarmos em alguma coisa, será mais uma hipótese descartada, e isso é muito louco, porque a curiosidade humana e um botãozinho perigoso de apertar. Claro que você deve ler todo esse devaneio de madrugada considerando uma idéia (principal) inicial: a de que os peixes não pensam, de forma alguma, em o que é aquela coisa em que eles vivem; só assim, tudo isso aqui pode fazer sentido [ou nem assim, será?!]. Podemos acrescentar às três perguntas fundamentais da filosofia (De onde viemos? Para onde vamos? Por que estamos aqui?) uma quarta: Qual é o nosso fluido vital? Bem, considerar a existência desse mistério inesgotável parece ser a comprovação quase científica de que Deus existe. Já pensou se o que se descobre após a morte é que vivíamos diluídos, por assim dizer, em Deus?! Ia ser, no mínimo, interesante.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

talvez ela tenha se esquecido como é que repara nas pequenas coisas; como é que se encanta com a noite ou como se emociona com a música;
talvez ela só esteja um pouco destraída demais com seu compromissos incabados e não começados;
sim, é isso... ela ainda gosta do cheiro de dama da noite, adora o ventinho frio das noites que chegam;
o que acontece é que ela grudou no saudosismo escolar, grudou e não consegue desgrudar; o que acontece é que ela anda com tempo demais pra dormir e ver televisão, ta faltando espaço pra ação...aquela menina da cabeça cheia de idéias andou se acomodando só no coração cheio, mas ufa! ela percebeu a tempo que o coração cheio sente falta da mente ativa; ela lembrou agora há pouco, que o coração cheio serve pra engrandecer a mente ativa...

ufa! ela lembrou...



looks like crap on the floor, but...it was the crap inside...will be better soon

domingo, 18 de março de 2007

"Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos.
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flechas se projetem rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria: pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável."

De "O Profeta" - Gibran Khalil Gibran

segunda-feira, 5 de março de 2007

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It's ending...
...We better knot our faucets!

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Os Anjos
Legião Urbana


Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
As dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espirito de porco,
Duas xícaras de indiferença
E um tablete e meio de preguiça
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora;
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer?
Quero voar p'ra bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou.


Renato Russo era foda, o Dado e o Marcelo também, aliás ainda são. Legião Urbana pra mim, é até dificil de falar, MUITO BOM. Essa música; tão atual né? É de 1993, mas parece que eu a escutei outro dia mesmo vendo o telejornal.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Pensamento

Pensamento que vem de fora
e pensa que vem de dentro,
pensamento que expectora
o que no meu peito penso.
Pensamento a mil por hora,
tormento a todo momento.
Por que é que eu penso agora
sem o meu consentimento?
Se tudo que comemora
tem o seu impedimento,
se tudo aquilo que chora
cresce com o seu fermento;
pensamento, dê o fora,
saia do meu pensamento.
Pensamento, vá embora,
desapareça no vento.
E não jogarei sementes
em cima do seu cimento.

Arnaldo Antunes

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Porque ser ploft não é apenas ser ploft. Ser ploft é ter amigo ploft, que faz convite ploft, e de repente! Ploft!

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."
(Vinícius de Moraes)


Será que é justamente nesse antagonismo que encontramos a arte da vida? Será que os encontros e desencontros aos quais somos submetidos são tudo aquilo que realmente nos importa, e de onde poderemos e devemos retirar tudo aquilo que se faz importante?
Porque se for, a partir de agora o significado de viver pode ser "envolver-se com a vida". Sim, envolver-se, não apenas estar vivo, acordar todos os dias e ligar o automático. Tirar dos desencontros, que na verdade podem ser encarados como encontros com as adversidades, as melhores lições, sempre. E que a cada novo encontro, aquele, caracterizado, possamos também enxergar neles as razões. E se razões não tiverem, que a partir deles possamos ter ações, que talvez sejam o que importa.
Mas admita, tão difícil viver e deixar de lado o medo de se comprometer com a máquina errante do ser-humanos não? Tão dificil não se entregar ao medo, mas à vida, simplesmente. Tão difícil, ainda, conseguir driblar o receio de ser perder daquilo que ja se encontrou. Tão difícil não se perder.
A vida é a arte de se encontrar, seja com pessoas ou situações, boas ou más. A arte da sua vida, da minha vida está em se envolver com ela a ponto de enxergar em cada desencontro uma lição e em cada encontro uma razão.

by Nathy - Eu
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Uma caixa não é só uma caixa

- ...Mas, infelizmente, não sei
ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que
envelheci....
Foi isso que ouvi naquele dia, quando papai lia para mim um
livro. Não lembro o nome. Sei que tinha um principezinho, sei que tinha um
elefante, a rosa, umas rosas.
- Como assim, ele não podia ver carneiro
através de caixa? – perguntei, indignado.
Papai tirou os olhos do livro e
transferiu-os para o sem fim.
- Como assim?
Ele não me ouviu. Não estava
mais ali. Levantei-me e fui até a cozinha, arrastando as meias encardidas no
chão.
- Mamãe, você consegue ver através de uma caixa?
- Estou ocupada
fazendo almoço.
- Mas é que eu não entendo. Você também não consegue ver
coisas dentro de uma caixa?
- Você quer que o almoço saia ou não?
- Sim,
mas...
Não falei mais nada. Olhei para ela e virei de costas para ir buscar
um papel. Peguei! Revirei minha caixa de brinquedos até achar a caixa de lápis
de cores. Pronto! Sentei-me e desenhei uma caixa. Fiz a caixa mais bonita que
consegui. Corri para a cozinha, com um sorriso imenso.
- Mamãe...
- Oi,
filho. – ela respondeu sem parar de mexer na panela.
- Olha o que desenhei.
- Uma caixa.
- Sim! – disse empolgado. – Aí dentro tem 5 filhotes de
cachorro! – comecei a rir. – Olha que lindos!
- Crianças! Vai brincar. Aí só
tem uma caixa... – enquanto ia para a sala ela resmungava – Onde já se viu, eu
ocupada e... ora essa.
Guardei os 5 filhotes embaixo da minha cama e comecei
a brincar, brigando com os insetos que estavam no meu quarto, com os morcegos
que vieram a seguir e com os crocodilos e jacarés, as onças e os ursos! Ganhei
todas as batalhas.
Naquele mesmo dia após o jantar, chegando próximo à casa
de minha professora de piano, ouvi um choro baixinho.
Fui andando mais
devagar até poder espiar na janela. Era a Sofia. Minha professora. Francesa de
nascimento, com leve sotaque quando dizia até um simples obrigado ou quando
dizia Beto, meu apelido, ela tinha olhos azuis bem claros e umas rugas que
evidenciavam o tempo de sua jornada. Os olhos dela estavam muito úmidos, e eu
pensei que ela devia estar enxergando tudo embaçado. Deve ter esquecido os
óculos dela em algum lugar! Aí ela não consegue achar, aí ela começou a chorar,
aí ficou mais difícil ainda de achar! É isso! Ah, doce inocência...
Bati à
porta, não uma, mas várias vezes.
Nada.





Silêncio.
Insisti. Toc, toc, toc.






Nada.





- Professora! Eu posso ajudar a achar os... Aí a senhora
vai ver tudo diferente! – gritei.
Passos. Sofia abriu a porta e eu a
abracei.
- Não chora, não precisa. Eu te ajudo.
- Você já sabe?
- O
que?
- Bernard...
- Que tem o Seu Bernardo – nunca conseguia falar
Bernard.
- Ele, se foi. Para sempre.
Meus olhos se arregalaram.
-
Isso quer dizer que a senhora não vai nunca mais falar com ele?
Ela balançou
a cabeça.
- Me espera 10 minutos. Eu já volto! Prometo.
Saí correndo,
com todo aquele fôlego que se tem aos 8 anos e voltei com o mesmo fôlego,
afinal, ainda tinha 8 anos.
- Toma - entreguei um papel a ela.
Enquanto
ela abria fui falando.
- Desenhei uma janela nessa folha.
- Muito
bonita, Beto... muito bonita!
- Ah, obrigado! – respondi. – Toda vez que
você quiser falar com o Bernardo, é só você pensar nele e olhar para a janela.
Ele vai aparecer do outro lado, aí vocês podem conversar!
Ela não falou
nada.
- Hoje papai leu para mim que tudo que a gente quer existe. Que a
gente tem é que acreditar.
- Posso te contar um segredo? – não esperei a
resposta dela. - Eu tenho 5 filhotes embaixo da cama! Papai não pode descobrir,
ou põe todos na rua!
Ela ficou me olhando, sorrindo.
- Ah, quando a
senhora conversar com ele, mande um abraço. Depois a gente repõe a aula.
Dei
um beijo nela e fui correndo alimentar Id, Tod, Rex, Duke e Jod. O 5 filhotes.

-x-x-

“...Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de
caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci....”


Há pessoas que não vêem um carneiro
Através de uma caixa. Elas
são como um
Pedreiro que não vê o prédio inteiro
Em cada tijolo usado,
cada um
Dos grãos de areia, cada gota d’água,
Que toda a construção
permeia.
Há pessoas que vêem o que querem
Ver, e vivem como querem
viver.
Essas pessoas não têm asas, não.
Não têm chaves de cofres, não.
Mas elas podem voar, podem ter
Tudo que a mente delas ousar.
Pois
que descobriram de todos
O maior segredo. Que seja o mar
Seja a terra,
seja o que for,
Se não temos medo, podemos criar.
A felicidade e a
tristeza, a dor
E a harmonia, estão nas nossas
Mãos, imensamente.
Eternamente.

São como pedreiros que não vêem
O prédio inteiro em
cada tijolo.


by Vini Werneck

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Sente-se como se um furacão estivesse a caminho, e realmente nao se sabe como reagir, como controlar...Talvez fugir e evitar o combate, talvez esperar que ele carregue tudo pra longe e inclusive, talvez lutar pra sobreviver após sua visita. Mas como?
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"Under The Bridge" by RHCP

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

"I'm learning little by little that we decide what our lives are gonna be. Things happen to us. But it's our reactions that matter" - Sally Pearson - Felicity

"Sometimes it's the smallest decisions that can pretty much change your life forever." - Felicity Porter - Felicity

"Our best decisions, the ones that we never regret, come from listening to ourselves." - Sally - Felicity


"Sometimes in a relationship, going through hell isn't so bad if you come out of it a little stronger. The same is true about friends." - Sally - Felicity

"On one hand, expectations can inspire you, but then again, they can really let you down." - Sally - Felicity


"Sometimes bad things just happen -- no reason, no purpose. They just occur and we're left to pick up the pieces the best we can." - Sally - Felicity

"If equal affection cannot be, let the more loving one be me." - Sally - Felicity


Vagando pela internet, em busca de coisas que dessem aquele apertozinho bom, ela achou esse site cheio de nostalgias de quando ainda nem sabia o quem era Ohm. Oh saudade que deu, de assistir àquele seriado tão cheio de sentimento, e coisas comuns, que ninguém nunca imagina que possa ser tão comum assim. E pensando, pensando, ela ainda não aprendeu que de um apertozinho bom pra um apertozinho doído é um pulo. Na mente, ociosa como há tanto tempo não se via, fez-se espaço pra tudo aquilo que não devia, e ela viu que o primeiro gole é o mais perigoso pra um viciado. Deu saudade de escrever, deu vontade de falar, o site tava pedindo. Afinal, tão (mal) acostumado.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

E que o ano se faça novo, e que as novas se façam boas!