domingo, 20 de maio de 2007

assim, como qualquer um pode ver. rosto jovem, quase de criança; as palavras são bem colocadas e as opiniões bem formadas; apesar da face infantil, a expresão passa um ar sério de alguém que talvez seja muito maduro pra idade que tem. os olhos deixam à mostra a timidez; alguém tão introspectivo, à primeira vista pode passar uma imagem diferente da verdade. tom de seriedade às vezes inibe, às vezes aguça.
assim, como só quem olha de perto e espera o tempo se colocar pode ver. o sorriso mais belo que já se viu, com traços simples e perfeitamente agrupados; com a alegria ou ironia que lhe é peculiar, o mais belo sorriso. os olhos tímidos são apenas observadores. não detalhistas, porque a mente desligada de um peixe nao o permite; mas observadores de modo que as situações mais cotidianas adquirem equações e sistemas exatos. os pensamentos parecem nus perto de tal olhar.
assim, como só quem ama pode ver. o rosto não é tão distoante da alma sonhadora que mora ali dentro. alma que talvez, por idealizar tanto, sofra um pouco mais do que as outras. as reflexões tão profundas chegam a impedir que se entregue, mas o coração é quem bate mais forte. se em um minuto riem-se de suas falas, no outro estas podem irritar ou magoar profundamente: se irritam; ou é porque não foram pensadas ou porque foram estritamente calculadas (como só uma alma brincalhona pode fazer); se magoam é porque no instante da explosão não se via mais nada além.
assim, como quem ama e está vendo de perto há algum tempo acaba descobrindo. a melhor companhia não é da perfeição, não é a da transgressão, não é a das mentiras sinceras. é a do olhar sincero, do abraço protetor, do beijo carinhoso...do amor que conversa, que discute, discorda, releva, abre mão ou insiste. a melhor companhia é a sua.

terça-feira, 1 de maio de 2007

“Tente explicar para um peixe o que é água. Como descolar a vida e a percepção do peixe daquele troço que permeia completamente a sua existência? Não existe percepção de vida sem percepção de água para o peixe. Ou seja, não existe água para o peixe. Água existe para nós, que observamos de fora e que não vivemos imersos nela.”
(Gustavo Mini)

A primeira coisa que nos passa pela cabeça: é como o ar pra nós seres terrestres. Bom, talvez seja como o ar para os bichinhos tipo vacas, baratas, abelhas, etc.; mas para nós, bichinhos humanos, pensantes [sem nenhuma pretensão de superioridade no adjetivo], que adoramos criar teorias sobre tudo, nomear e listar as coisas, não. Os peixes não pensam sobre a água [pelo menos, não até onde nossa mania de entender tudo chegou até hoje]. E se eles não pensam sobre a água, porque para eles a água não existe, então o ar não pode ser o nosso exemplo comparativo agora. Simplesmente não há um exemplo, porque nós não pensamos nisso, nosso exemplo não existe, não pode existir. Pensa só, qualquer coisa que pensarmos que seja nosso liquido vital, como a água é para os peixes, vai deixar de ser o liquido vital inerente, tão simples e essencial, que não se consegue conceber. No momento seguinte que pensarmos em alguma coisa, será mais uma hipótese descartada, e isso é muito louco, porque a curiosidade humana e um botãozinho perigoso de apertar. Claro que você deve ler todo esse devaneio de madrugada considerando uma idéia (principal) inicial: a de que os peixes não pensam, de forma alguma, em o que é aquela coisa em que eles vivem; só assim, tudo isso aqui pode fazer sentido [ou nem assim, será?!]. Podemos acrescentar às três perguntas fundamentais da filosofia (De onde viemos? Para onde vamos? Por que estamos aqui?) uma quarta: Qual é o nosso fluido vital? Bem, considerar a existência desse mistério inesgotável parece ser a comprovação quase científica de que Deus existe. Já pensou se o que se descobre após a morte é que vivíamos diluídos, por assim dizer, em Deus?! Ia ser, no mínimo, interesante.