terça-feira, 1 de maio de 2007

“Tente explicar para um peixe o que é água. Como descolar a vida e a percepção do peixe daquele troço que permeia completamente a sua existência? Não existe percepção de vida sem percepção de água para o peixe. Ou seja, não existe água para o peixe. Água existe para nós, que observamos de fora e que não vivemos imersos nela.”
(Gustavo Mini)

A primeira coisa que nos passa pela cabeça: é como o ar pra nós seres terrestres. Bom, talvez seja como o ar para os bichinhos tipo vacas, baratas, abelhas, etc.; mas para nós, bichinhos humanos, pensantes [sem nenhuma pretensão de superioridade no adjetivo], que adoramos criar teorias sobre tudo, nomear e listar as coisas, não. Os peixes não pensam sobre a água [pelo menos, não até onde nossa mania de entender tudo chegou até hoje]. E se eles não pensam sobre a água, porque para eles a água não existe, então o ar não pode ser o nosso exemplo comparativo agora. Simplesmente não há um exemplo, porque nós não pensamos nisso, nosso exemplo não existe, não pode existir. Pensa só, qualquer coisa que pensarmos que seja nosso liquido vital, como a água é para os peixes, vai deixar de ser o liquido vital inerente, tão simples e essencial, que não se consegue conceber. No momento seguinte que pensarmos em alguma coisa, será mais uma hipótese descartada, e isso é muito louco, porque a curiosidade humana e um botãozinho perigoso de apertar. Claro que você deve ler todo esse devaneio de madrugada considerando uma idéia (principal) inicial: a de que os peixes não pensam, de forma alguma, em o que é aquela coisa em que eles vivem; só assim, tudo isso aqui pode fazer sentido [ou nem assim, será?!]. Podemos acrescentar às três perguntas fundamentais da filosofia (De onde viemos? Para onde vamos? Por que estamos aqui?) uma quarta: Qual é o nosso fluido vital? Bem, considerar a existência desse mistério inesgotável parece ser a comprovação quase científica de que Deus existe. Já pensou se o que se descobre após a morte é que vivíamos diluídos, por assim dizer, em Deus?! Ia ser, no mínimo, interesante.

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