domingo, 16 de maio de 2004

Vontade súbita de escrever isso

... eu vi agora que to virando dependente de comments...
pensei em coisas legais pra postar, mas so tinha 4 comments, e pensei em nao escrever.
mas isso nao pode acontecer entao.....

Sabe, eu sempre fui uma criança-com-medo-de-ser-criança. È isso mesmo. Eu via como as outras crianças se comportavam, e via as pessoas reclamando, e nao fazia nada dakilo Acabei crescendo meio que sem ter sido [tão] criança.
{Isso devido a desde sempre ter sindrome de rejeiçao, e morrer de medo de nao me aceitarem. Ate hoje sou assim)
Sempre fui mais adulta que o normal. Nunca me permiti certos caprichos infantis ou infanto-juvenis, ou nem mesmo os atuais caprichos adolescentes, os quais, eu sei, nao agradam a ninguem. Reprimi muita coisa já. Muita. Mas não tive maiores problemas, então ta tudo bem. Será? Acho que tenho preguiça de me rebelar.

Mas eu dei trabalho pra minha mãe. Acho que não adiantou nada tanta repressão de um lado, se de outro eu dei trabalho em dobro.
Eu fui uma criança cheia de problemas. Psicológicos? Talvez. De ordem espiritual? Prefiro acreditar que sim.
Eu tinha pesadelos periódicos. Não eram pesadelos normais, nao havia nenhum monstro de cara deformada neles, minha mãe diz que eu falava assim: "As pessoas do meu sonho não são feias por fora, elas são feias por dentro", isso aos 5 anos de idade mais ou menos.
Eu me lembro perfeitamente desses pesadelos.
Eu também via pessoas que ninguem mais via, na rua assim, como uam mulher toda vestida de rosa, um rosa forte, com roupas de época, e uma sombrinha pra proteger do sol.
Eu dizia que tinha duas mãe, a minha, e a do alto do morro.
Eu ouvia coisas que ninguém mais ouvia. Ouvia um piano tocando sempre que passava em frente àquele casarão onde hoje é o China In Box. Inconformada, um tempo depois, minha mãe acabou descobrindo que ali viveu uma senhora que era professora de piano. Believe it!
[Quando eu fui comer no China In Box com minha irmã, entramos lá, subimos e ficmaos na varandinha que eu tanto olhava ao ouvir o piano, eu demorei a me dar conta de onde eu estava. Eu tava na casa do piano. Eu arrepiei!].
O padre disse pra minha mãe procurar um psicólogo porque eu podia ser esquizofrênica ou coisa assim. Ela não procurou e me levou na Casa do Caminho, Dona Isabel me deu uns passes, e eu nunca mais tive esses "problemas".
[...sempre fomos católicos, ainda somos, mas naquela época o que a igreja indicou não concordava com o que minha mãe queria, entao acreditamos no poder dos passes, e deu certo...]

Eu cresci, e me lembro disso tudo com bastante interesse, confesso. Sempre que visitamos a casa da tia da minha mãe, que é espirita, médica e pinta muito bem, as conversas que surgem me agradam bastante.

Eu não tenho cartilagem no nariz. Verdade! E tenho uam bolinha meio pontudinha atras da orelha igual meu pai. Algodão doce pra mim é "picolé de buchinha". Meus numeros são organizados em uma sociedade. Meus meses têm cor. Assim como os dias da semana e as letras do alfabeto. Eu sinto cheiro do gosto de alguma coisa, ou vice-versa. Eu tenho sensações deja vú, quase sempre. Eu tenho saudades de coisas, de lugares, de seres, de vistas, de cheiros, de momentos, de pensamentos até. Eu sempre paro pra pensar na vida quando deito a cabeça no travesseiro. Eu monto situações na minha mente. Eu reflito, e penso, e vejo o outro lado, e monto teorias sobre qualquer coisa.

Eu sou meio assim, acho que meus neuronios foram distribuidos de maneira que meus pensamentos percorrem um caminho maior e mais complexo pra chegar a algum lugar.
Sou meio estranha se é isso que você acha depois de tudo o que leu.
Mas gosto de ser assim, as vezes cansa. mas já me acostumei.

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