terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Eu encontrei-o quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pra eu merecer
Antes um mês
Eu já não sei
E até quem me vê
Lendo jornal
Na fila do pão
Sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá
Que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor
A gente é quem sabe, pequeno
Ah vai!Me diz o que é o sufoco
Que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia
Eu levo essa casa numa sacola
Eu encontrei-o e quis duvidar
Tanto clichê
Deve não ser
Você me falou
Pra eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor
E só de te ver
Eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar
Ah vai!
Me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora
Pego carona
Pra te acompanhar

domingo, 2 de dezembro de 2007

"Ela me disse que trabalha no correio
E que namora um menino eletricista
Estou pensando em casamento
Mas não quero me casar
Quem modelou teu rosto ?
Quem viu a tua alma entrando ?
Quem viu a tua alma entrar ?
Quem são teus inimigos ?
Quem é de tua cria ?
A professora
Adélia, a tia Edilamar
e a tiaEsperança
Será que você vai saber
O quanto penso em você como meu coração ?
Será que você vai saber
O quanto penso em você como meu coração ?
Quem está agora ao teu lado ?
Quem para sempre está ?
Quem para sempre estará ?
Ela me disse que trabalha no correio
E que namora um menino eletricista
As família se conhecem bem
E são amigas nesta vida
Será que você vai saber, o quanto
penso em você com meu coração ?
Será que você vai saber, o quanto
penso em você com o meu coração ?
A gente quer um lugar pra gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego
Estou pensando em casamento
Ainda não posso me casar
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita."

(Legião urbana - O Descobrimento do Brasil)

[Porque sempre cai bem; e as histórias de amor do Renato Russo são as mais lindinhas]

domingo, 21 de outubro de 2007

Para aonde será que ela vai?
Se lembra do cachorro-urso que
atacava as pessoas se você tentasse subir?
Guarda gente ou coisa?
Tão imponente...guardava, e continua
guardando.
Pois quando se soube o que fazer,
ela fugiu, temendo não reter
a curiosidade da menina tão assustada
mas tão fascinada por seu mistério.
Abrigou, e talvez abrigue ainda,
as mais profundas fantasias
deste e daquele tempo.
Vai, esconde o que não possa
ser visto, guarda o que não
deva ser escancarado.
Só não se esqueça: um dia,
quando o tempo deixar e
a vida der espaço ao que restou,
ela vai subir!

domingo, 30 de setembro de 2007

"Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!"
(Casimiro de Abreu)


Fotos antigas, esquecidas nas pastas menos visitadas do computador, um pingado de folhas guardadas naquele lugarzinho escondido, esquecido, mais um tanto de cansaço e uma pitada de saudade. Receita pronta pra imaginação viajar, e lembrar dos tempos bons de criança, ou nem tão criança, mas quando tudo ainda era só risada, brincadeira. Quando colar na prova era um pecado, mas um pecado tão grande, que se tornava até mais divertido. Quando pra tudo tinha tempo, tempo pra decorar letra de música de tanto ouvir e ler a letra ao mesmo tempo, aprender inglês assistindo seriados na tv a cabo, ler Pelvini, Ribeiro, Werneck e tantos outros, frequentemente; ler Poder! Mas agora não tem mais jeito, todos sabem que o mundo girou e o tempo passou, tão depressa que ninguém nem viu. Só falta chegar o ano novo, pra esperançar de novo que ele traga tudo aquilo que se deseja.

sábado, 29 de setembro de 2007

Sem Graça
(Vilania)

Vida que passa
Sem gosto
Sem graça
Me faça feliz um dia se puder

Vem me abraça
Me prende e desfaça a arruaça
Ou me empresta um revólver

Melhor morrer que não ter você
Melhor fugir ou me perder
Antes que tudo perca a graça
será que você riu com o beijo que te dei

Melhor morrer que não ter você
Melhor fugir ou me perder
Antes que tudo perca a graça
Nada que me faça ter a vida que eu deixei

Vida sem
Vida sem graça tem
Tem graça nada tem
Tempo que faça tem
tem...vida...vida...vida, vida, vida...sem, sem, sem graça
sem, sem, sem graça
.

Vilania: Verde, Noz, Circo de Pulgas...e tantas outras...ótimas!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

pela primeira vez o blog tem um mês sem nenhum post, por pekenininho que fosse;
julho de 2007...e quase, quaaase agosto também...mas não, dois meses já seriam demais.
lugar ta empoeirado, com teias de aranha...mas cheio de sentimentos e criatividades [assim mesmo, no plural, porque eram múltiplas] que as provas, apostilas, livros e, sempre ela, a preguiça vêm impedindo que apareçam novamente. é tão pouco tempo que o cérebro tem livre, sem estar estudando ou sem estar pensando que deveria estar estudando, que quando isso acontece é melhor nao forçá-lo muito escrevendo....
enfim....

listen to the 5th symphony and relax...at least try

segunda-feira, 25 de junho de 2007



Velhos tempos. Bons, ruins, tristes, alegres, eufóricos, tranquilos ou incertos. Nunca serão apagados, não há quem consiga apagar; e nunca mais voltarão, não há quem (ou o quê) os faça voltar. Mas não desejo que voltem, nem mesmo os melhores. Já foram vividos o suficiente. E afinal, mesmo aqueles que não gosto, já carrego na memória!
Santa Memória!

domingo, 24 de junho de 2007

"Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
Já que você não me quer mais
passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar e a pedir perdão
E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez"
(Vinte e Nove - Legião Urbana)

Perdeu vinte em vinte e nove amizades, por conta de uma flecha que surgiu na tempestade. Se embriaga com sorrisos vinte e nove vezes, e a cada vez é um pouco menos que sobra daquilo tudo que sempre acharam tão importante. Estão aprendendo a viver sem, já que não os quer mais. Têm passado meses como se num navio, em uma viagem distante; dias e dias prisioneiros das ações coordenadas pela flecha. Mas nem que demorem vinte e nove anos, ao final, com o retorno de Saturno, tudo se esclarecerá e, apesar de já terem decidido começar a viver, ainda esperarão, no fundo. Não deixaram de amar, mas esperam que aprenda a pedir perdão, pois vão perdoar. E aí então...vinte e nove anjos saudarão e terá vinte e nove amigos outra vez.


(porque eles sempre me ajudaram)

quarta-feira, 6 de junho de 2007

"...Mas quando alguém precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta!..."

domingo, 20 de maio de 2007

assim, como qualquer um pode ver. rosto jovem, quase de criança; as palavras são bem colocadas e as opiniões bem formadas; apesar da face infantil, a expresão passa um ar sério de alguém que talvez seja muito maduro pra idade que tem. os olhos deixam à mostra a timidez; alguém tão introspectivo, à primeira vista pode passar uma imagem diferente da verdade. tom de seriedade às vezes inibe, às vezes aguça.
assim, como só quem olha de perto e espera o tempo se colocar pode ver. o sorriso mais belo que já se viu, com traços simples e perfeitamente agrupados; com a alegria ou ironia que lhe é peculiar, o mais belo sorriso. os olhos tímidos são apenas observadores. não detalhistas, porque a mente desligada de um peixe nao o permite; mas observadores de modo que as situações mais cotidianas adquirem equações e sistemas exatos. os pensamentos parecem nus perto de tal olhar.
assim, como só quem ama pode ver. o rosto não é tão distoante da alma sonhadora que mora ali dentro. alma que talvez, por idealizar tanto, sofra um pouco mais do que as outras. as reflexões tão profundas chegam a impedir que se entregue, mas o coração é quem bate mais forte. se em um minuto riem-se de suas falas, no outro estas podem irritar ou magoar profundamente: se irritam; ou é porque não foram pensadas ou porque foram estritamente calculadas (como só uma alma brincalhona pode fazer); se magoam é porque no instante da explosão não se via mais nada além.
assim, como quem ama e está vendo de perto há algum tempo acaba descobrindo. a melhor companhia não é da perfeição, não é a da transgressão, não é a das mentiras sinceras. é a do olhar sincero, do abraço protetor, do beijo carinhoso...do amor que conversa, que discute, discorda, releva, abre mão ou insiste. a melhor companhia é a sua.

terça-feira, 1 de maio de 2007

“Tente explicar para um peixe o que é água. Como descolar a vida e a percepção do peixe daquele troço que permeia completamente a sua existência? Não existe percepção de vida sem percepção de água para o peixe. Ou seja, não existe água para o peixe. Água existe para nós, que observamos de fora e que não vivemos imersos nela.”
(Gustavo Mini)

A primeira coisa que nos passa pela cabeça: é como o ar pra nós seres terrestres. Bom, talvez seja como o ar para os bichinhos tipo vacas, baratas, abelhas, etc.; mas para nós, bichinhos humanos, pensantes [sem nenhuma pretensão de superioridade no adjetivo], que adoramos criar teorias sobre tudo, nomear e listar as coisas, não. Os peixes não pensam sobre a água [pelo menos, não até onde nossa mania de entender tudo chegou até hoje]. E se eles não pensam sobre a água, porque para eles a água não existe, então o ar não pode ser o nosso exemplo comparativo agora. Simplesmente não há um exemplo, porque nós não pensamos nisso, nosso exemplo não existe, não pode existir. Pensa só, qualquer coisa que pensarmos que seja nosso liquido vital, como a água é para os peixes, vai deixar de ser o liquido vital inerente, tão simples e essencial, que não se consegue conceber. No momento seguinte que pensarmos em alguma coisa, será mais uma hipótese descartada, e isso é muito louco, porque a curiosidade humana e um botãozinho perigoso de apertar. Claro que você deve ler todo esse devaneio de madrugada considerando uma idéia (principal) inicial: a de que os peixes não pensam, de forma alguma, em o que é aquela coisa em que eles vivem; só assim, tudo isso aqui pode fazer sentido [ou nem assim, será?!]. Podemos acrescentar às três perguntas fundamentais da filosofia (De onde viemos? Para onde vamos? Por que estamos aqui?) uma quarta: Qual é o nosso fluido vital? Bem, considerar a existência desse mistério inesgotável parece ser a comprovação quase científica de que Deus existe. Já pensou se o que se descobre após a morte é que vivíamos diluídos, por assim dizer, em Deus?! Ia ser, no mínimo, interesante.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

talvez ela tenha se esquecido como é que repara nas pequenas coisas; como é que se encanta com a noite ou como se emociona com a música;
talvez ela só esteja um pouco destraída demais com seu compromissos incabados e não começados;
sim, é isso... ela ainda gosta do cheiro de dama da noite, adora o ventinho frio das noites que chegam;
o que acontece é que ela grudou no saudosismo escolar, grudou e não consegue desgrudar; o que acontece é que ela anda com tempo demais pra dormir e ver televisão, ta faltando espaço pra ação...aquela menina da cabeça cheia de idéias andou se acomodando só no coração cheio, mas ufa! ela percebeu a tempo que o coração cheio sente falta da mente ativa; ela lembrou agora há pouco, que o coração cheio serve pra engrandecer a mente ativa...

ufa! ela lembrou...



looks like crap on the floor, but...it was the crap inside...will be better soon

domingo, 18 de março de 2007

"Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos.
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flechas se projetem rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria: pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável."

De "O Profeta" - Gibran Khalil Gibran

segunda-feira, 5 de março de 2007

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It's ending...
...We better knot our faucets!

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Os Anjos
Legião Urbana


Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
As dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espirito de porco,
Duas xícaras de indiferença
E um tablete e meio de preguiça
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora;
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer?
Quero voar p'ra bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou.


Renato Russo era foda, o Dado e o Marcelo também, aliás ainda são. Legião Urbana pra mim, é até dificil de falar, MUITO BOM. Essa música; tão atual né? É de 1993, mas parece que eu a escutei outro dia mesmo vendo o telejornal.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Pensamento

Pensamento que vem de fora
e pensa que vem de dentro,
pensamento que expectora
o que no meu peito penso.
Pensamento a mil por hora,
tormento a todo momento.
Por que é que eu penso agora
sem o meu consentimento?
Se tudo que comemora
tem o seu impedimento,
se tudo aquilo que chora
cresce com o seu fermento;
pensamento, dê o fora,
saia do meu pensamento.
Pensamento, vá embora,
desapareça no vento.
E não jogarei sementes
em cima do seu cimento.

Arnaldo Antunes

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Porque ser ploft não é apenas ser ploft. Ser ploft é ter amigo ploft, que faz convite ploft, e de repente! Ploft!

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."
(Vinícius de Moraes)


Será que é justamente nesse antagonismo que encontramos a arte da vida? Será que os encontros e desencontros aos quais somos submetidos são tudo aquilo que realmente nos importa, e de onde poderemos e devemos retirar tudo aquilo que se faz importante?
Porque se for, a partir de agora o significado de viver pode ser "envolver-se com a vida". Sim, envolver-se, não apenas estar vivo, acordar todos os dias e ligar o automático. Tirar dos desencontros, que na verdade podem ser encarados como encontros com as adversidades, as melhores lições, sempre. E que a cada novo encontro, aquele, caracterizado, possamos também enxergar neles as razões. E se razões não tiverem, que a partir deles possamos ter ações, que talvez sejam o que importa.
Mas admita, tão difícil viver e deixar de lado o medo de se comprometer com a máquina errante do ser-humanos não? Tão dificil não se entregar ao medo, mas à vida, simplesmente. Tão difícil, ainda, conseguir driblar o receio de ser perder daquilo que ja se encontrou. Tão difícil não se perder.
A vida é a arte de se encontrar, seja com pessoas ou situações, boas ou más. A arte da sua vida, da minha vida está em se envolver com ela a ponto de enxergar em cada desencontro uma lição e em cada encontro uma razão.

by Nathy - Eu
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Uma caixa não é só uma caixa

- ...Mas, infelizmente, não sei
ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que
envelheci....
Foi isso que ouvi naquele dia, quando papai lia para mim um
livro. Não lembro o nome. Sei que tinha um principezinho, sei que tinha um
elefante, a rosa, umas rosas.
- Como assim, ele não podia ver carneiro
através de caixa? – perguntei, indignado.
Papai tirou os olhos do livro e
transferiu-os para o sem fim.
- Como assim?
Ele não me ouviu. Não estava
mais ali. Levantei-me e fui até a cozinha, arrastando as meias encardidas no
chão.
- Mamãe, você consegue ver através de uma caixa?
- Estou ocupada
fazendo almoço.
- Mas é que eu não entendo. Você também não consegue ver
coisas dentro de uma caixa?
- Você quer que o almoço saia ou não?
- Sim,
mas...
Não falei mais nada. Olhei para ela e virei de costas para ir buscar
um papel. Peguei! Revirei minha caixa de brinquedos até achar a caixa de lápis
de cores. Pronto! Sentei-me e desenhei uma caixa. Fiz a caixa mais bonita que
consegui. Corri para a cozinha, com um sorriso imenso.
- Mamãe...
- Oi,
filho. – ela respondeu sem parar de mexer na panela.
- Olha o que desenhei.
- Uma caixa.
- Sim! – disse empolgado. – Aí dentro tem 5 filhotes de
cachorro! – comecei a rir. – Olha que lindos!
- Crianças! Vai brincar. Aí só
tem uma caixa... – enquanto ia para a sala ela resmungava – Onde já se viu, eu
ocupada e... ora essa.
Guardei os 5 filhotes embaixo da minha cama e comecei
a brincar, brigando com os insetos que estavam no meu quarto, com os morcegos
que vieram a seguir e com os crocodilos e jacarés, as onças e os ursos! Ganhei
todas as batalhas.
Naquele mesmo dia após o jantar, chegando próximo à casa
de minha professora de piano, ouvi um choro baixinho.
Fui andando mais
devagar até poder espiar na janela. Era a Sofia. Minha professora. Francesa de
nascimento, com leve sotaque quando dizia até um simples obrigado ou quando
dizia Beto, meu apelido, ela tinha olhos azuis bem claros e umas rugas que
evidenciavam o tempo de sua jornada. Os olhos dela estavam muito úmidos, e eu
pensei que ela devia estar enxergando tudo embaçado. Deve ter esquecido os
óculos dela em algum lugar! Aí ela não consegue achar, aí ela começou a chorar,
aí ficou mais difícil ainda de achar! É isso! Ah, doce inocência...
Bati à
porta, não uma, mas várias vezes.
Nada.





Silêncio.
Insisti. Toc, toc, toc.






Nada.





- Professora! Eu posso ajudar a achar os... Aí a senhora
vai ver tudo diferente! – gritei.
Passos. Sofia abriu a porta e eu a
abracei.
- Não chora, não precisa. Eu te ajudo.
- Você já sabe?
- O
que?
- Bernard...
- Que tem o Seu Bernardo – nunca conseguia falar
Bernard.
- Ele, se foi. Para sempre.
Meus olhos se arregalaram.
-
Isso quer dizer que a senhora não vai nunca mais falar com ele?
Ela balançou
a cabeça.
- Me espera 10 minutos. Eu já volto! Prometo.
Saí correndo,
com todo aquele fôlego que se tem aos 8 anos e voltei com o mesmo fôlego,
afinal, ainda tinha 8 anos.
- Toma - entreguei um papel a ela.
Enquanto
ela abria fui falando.
- Desenhei uma janela nessa folha.
- Muito
bonita, Beto... muito bonita!
- Ah, obrigado! – respondi. – Toda vez que
você quiser falar com o Bernardo, é só você pensar nele e olhar para a janela.
Ele vai aparecer do outro lado, aí vocês podem conversar!
Ela não falou
nada.
- Hoje papai leu para mim que tudo que a gente quer existe. Que a
gente tem é que acreditar.
- Posso te contar um segredo? – não esperei a
resposta dela. - Eu tenho 5 filhotes embaixo da cama! Papai não pode descobrir,
ou põe todos na rua!
Ela ficou me olhando, sorrindo.
- Ah, quando a
senhora conversar com ele, mande um abraço. Depois a gente repõe a aula.
Dei
um beijo nela e fui correndo alimentar Id, Tod, Rex, Duke e Jod. O 5 filhotes.

-x-x-

“...Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de
caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci....”


Há pessoas que não vêem um carneiro
Através de uma caixa. Elas
são como um
Pedreiro que não vê o prédio inteiro
Em cada tijolo usado,
cada um
Dos grãos de areia, cada gota d’água,
Que toda a construção
permeia.
Há pessoas que vêem o que querem
Ver, e vivem como querem
viver.
Essas pessoas não têm asas, não.
Não têm chaves de cofres, não.
Mas elas podem voar, podem ter
Tudo que a mente delas ousar.
Pois
que descobriram de todos
O maior segredo. Que seja o mar
Seja a terra,
seja o que for,
Se não temos medo, podemos criar.
A felicidade e a
tristeza, a dor
E a harmonia, estão nas nossas
Mãos, imensamente.
Eternamente.

São como pedreiros que não vêem
O prédio inteiro em
cada tijolo.


by Vini Werneck

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Sente-se como se um furacão estivesse a caminho, e realmente nao se sabe como reagir, como controlar...Talvez fugir e evitar o combate, talvez esperar que ele carregue tudo pra longe e inclusive, talvez lutar pra sobreviver após sua visita. Mas como?
.
.
.
"Under The Bridge" by RHCP

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

"I'm learning little by little that we decide what our lives are gonna be. Things happen to us. But it's our reactions that matter" - Sally Pearson - Felicity

"Sometimes it's the smallest decisions that can pretty much change your life forever." - Felicity Porter - Felicity

"Our best decisions, the ones that we never regret, come from listening to ourselves." - Sally - Felicity


"Sometimes in a relationship, going through hell isn't so bad if you come out of it a little stronger. The same is true about friends." - Sally - Felicity

"On one hand, expectations can inspire you, but then again, they can really let you down." - Sally - Felicity


"Sometimes bad things just happen -- no reason, no purpose. They just occur and we're left to pick up the pieces the best we can." - Sally - Felicity

"If equal affection cannot be, let the more loving one be me." - Sally - Felicity


Vagando pela internet, em busca de coisas que dessem aquele apertozinho bom, ela achou esse site cheio de nostalgias de quando ainda nem sabia o quem era Ohm. Oh saudade que deu, de assistir àquele seriado tão cheio de sentimento, e coisas comuns, que ninguém nunca imagina que possa ser tão comum assim. E pensando, pensando, ela ainda não aprendeu que de um apertozinho bom pra um apertozinho doído é um pulo. Na mente, ociosa como há tanto tempo não se via, fez-se espaço pra tudo aquilo que não devia, e ela viu que o primeiro gole é o mais perigoso pra um viciado. Deu saudade de escrever, deu vontade de falar, o site tava pedindo. Afinal, tão (mal) acostumado.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

E que o ano se faça novo, e que as novas se façam boas!

domingo, 10 de dezembro de 2006

soprando o futuro como quem vê no passado um espelho pra aumentar a felicidade e o sucesso. que o final deste ciclo, que vai deixar e já vem deixando tanta saudade, represente na minha vida, e na de todos os amigos que passaram junto comigo por essa fase, o marco de grandes mudanças e muita, mas muita alegria mesmo.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006


"so don't go away
say what you say
but say that you'll stay
forever and a day
in the time of my life
cause i need more time
yes, i need more time
just to make things right"

domingo, 19 de novembro de 2006

"Antes que uma alma recupere seu estado de paz,
Quanto deve ela amar, odiar!?
Quanto deve experimentar a esperança, o desespero,

a indignação, o arrependimento, a contrição, o desdém?!
- faça tudo mas esqueça
Mas deixe os Céus cuidarem disso, tudo de uma só vez quando surgirem
Não tocado, mas sim tomado; não desperto, mas inspirado!
Oh venha! Oh ensina-me a essência do auto-controle"


(Alexander Pope)

sábado, 11 de novembro de 2006

Feliz é a inocente vestal;
Esquecendo o mundo
e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno
de uma mente sem lembranças;
Toda prece é ouvida,
toda graça se alcança.


(Alexander Pope)

terça-feira, 31 de outubro de 2006

"A Morte" por Pedro Bial.

> Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas
> do Casseta & Planeta deram seus depoimentos.
> Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada.
> Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a
> desestruturação da cena.
> Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é
> mesmo o que ela causa em todos os que ficam.
> A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte,
> por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.
> Você combinou de jantar com a namorada,está em pleno tratamento
> dentário,tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um
> documento em cartório,colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre.
> Como assim?
> E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela
> metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
> Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco?
> Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio
> estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se
> manteve lá, fez as provas, foi em frente.
> Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.
> Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem
> ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas
> quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então
> decidiu, e mais uma vez foi em frente...
> De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa
> artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou doseu tênis.
> Qual é? Morrer é um chiste.
> Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém,
> sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir
> outra vez sua música preferida.
> Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha
> úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão
> ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a
> apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
> Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que
> pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce,
> caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a
> falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
> Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte
> costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.
> Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
> Isso é para ser levado a sério?
> Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.
> Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a
> mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
> Ok, hora de descansar em paz.
> Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
> Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
> Morrer é um exagero.
> E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta
> não tem graça.
> Por isso viva tudo que há para viver.
> Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida...
> Perdoe....sempre!!!

domingo, 22 de outubro de 2006

CXVII

já é outubro de 2006, e com 18 anos aquela garota que há quase três anos atrás começava esse blog com a mair animação de todas, hoje já não tem tanta o ânimo, mas não que se desfazer do "cantinho" que tanto lhe ajudou nesse tempo.
o tempo passa e a gente não acredita que as coisas vão mudar né? tem sempre alguém que avisa, mas pra quem está de fora é sempre mais fácil enxergar.
e se nem pra ela é fácil assimilar o tempo, ela não pode exigir muita coisa de quem a rodeia, apesar de ser um absurdo e tudo o mais.
as lojas já vão se enfeitar pro natal, o ano já vai terminar e depois não tem mais pra onde ir ao acordar...ao menos não o mesmo lugar de sempre, nada de padrão, portões, supervisões e amigos todo dia...11 anos de uma rotina que vai mudar num estalo apenas, e é melhor correr pra ter um lugar pra ir de manhã.
acontece que a vida vai se mostrando mais próxima do que era distante e as pessoas se perdem por não saber lidar com isso.
o mundo gira meu bem, e isso não se pode evitar, ainda pelo menos. melhor mesmo é acordar todo dia tentando esquecer que a próxima mudança se aproxima.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Da chegada do amor

Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.

Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.

Sem senãos.

Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.


Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.

Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.


Poesia extraída do livro "Euteamo e suas estréias", de Elisa Lucinda.


...mais ou menos assim mesmo, é que se sonhou, e que se viu realizando.
mais ou menos assim, sem tirar nem pôr, com um retoque aqui e ali, se é que isso fosse possível...

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Versinhos...

...da minha infância-adolescente.


"A vida é uma estrada longa a ser seguida por aqueles que nela se realizam, e nela se realizam aqueles que vivem com sabedoria"

"Verdade é música que entra pelo meu corpo e me faz estremecer. De alegria? De tristeza? De saudade! De você minha querida, que um dia foi verdade..."

"Eu pedi teu coração,
tu me destes ilusão,
me destes esperança
e depois me recusastes.
É assim, eu não vivo sem você
e você insiste em viver sem mim."

- Todos de minha sublime autoria, concebidos entres meus 11 e meus 13 anos.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006


sem palavras. simplesmente perfeito, inesquecível. à espera do próximo, desde já. quem dera eu, poder repetir a dose do dia 26. cine theatro central, juiz de fora, 26 de agosto de 2006, sábado - los hermanos e o "4"!

sexta-feira, 18 de agosto de 2006



Ai que saudades de assistir Felicity! Saudades de ter tempo pra pensar...pra escrever. Saudades de mais umas pequenas coisas aqui e ali, mas nada que faça querer viver outro tempo. Os dias passam tão devagar, os fins de semana se fazem de horas e o ano já está quase acabando. Os ombros estão cada vez mais pesados, o coração a cada dia mais certo, porém as vezes apreensivo. Passam-se dias de sol e dias de névoa, mas a essência vem permanecendo. Passam-se dias em que se consegue entender perfeitamente situações que você nunca pensou que passaria. Todos os dias, na hora de acordar, parece que o mundo mudou um pouquinho, quase sempre o nosso mundo. Pode ser que metade de tudo o que acontece hoje, seja momentâneo, mas pode ser que nunca mais volte a ser agradável como antes sair mais cedo e esperar o tempo correr; pode ser que com o tempo vá se esquecendo de como era bom, talvez seja essa possiblidade que faça querer fazer os dias correrem, os rascunhos sumirem e toda moda virar breguisse. Mas "tudo bem...até pode ser que os dragões sejam moinhos de vento".

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Os dois lados da Copa do Mundo


O mundo está vivendo neste último mês, uma grande euforia vinda do esporte; e, no Brasil, não é diferente. É a Copa do Mundo que mexe com os países. Considerado um dos favoritos desde o início da competição, o Brasil se mobiliza nos jogos da seleção, interrompe suas atividades cotidianas e veste-se de verde e amarelo. Mas será que o país pára mesmo? Até que ponto o futebol influencia nossas vidas?
Bom, cada pessoa encara a Copa sob um diferente ponto de vista. Existem aqueles que a jogam para escanteio, conseguindo permanecer alheios a esse clima de disputa festiva que se alastra sobre o mundo, e outros que a tratam como um verdadeiro gol de placa, se deixando envolver pela torcida em massa, gritando para o mundo “Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Pena que só lembramos dessa linda canção nesta época. Buscamos no grito de um gol a alegria e liberdade que se ausentam em dias comuns. Ainda que superficial, um gol traz consigo a descontração capaz de alegrar mentes e corpos cansados.
E nessa onda futebolística, embarcam também os comerciantes, que aproveitam da empolgação dos torcedores para marcarem presença com seus produtos, de todas as categorias, nas cores da bandeira. Dessa maneira, fica explícito que o que realmente importa são os lucros que uma Copa do mundo pode proporcionar. O mesmo acontece com nossos “talentosíssimos” jogadores, já que muitos deles pensam em sua auto-promoção e se esquecem que a camisa que vestem tem o peso de milhões de brasileiros que ainda acreditam no esporte futebol, e não na empresa futebol.
No decorrer dos anos, não nos damos conta de que somos brasileiros, infelizmente. Pois, a mesma sociedade que cobra, exige e nunca está satisfeita com os técnicos e jogadores da seleção, querendo sempre melhorar, é a mesma que deixa os nossos governantes fazerem o que bem entendem com o dinheiro que sai do nosso bolso com tanto sacrifício.
Além do ideal duvidoso da competição e apesar da alegria e euforia, devemos nos alertar para tudo que está envolvido por trás desse campeonato. Parar o mundo porque o Brasil vai jogar não está certo. E não nos enganemos achando que o país inteiro está parado, enquanto nos transformamos em torcedores eufóricos, nos esquecemos que é ano de eleição, que acabamos de sair de graves denúncias aos governantes e que os acusados estão se candidatando novamente. Os jornais reservam mínimas frações de seu tempo e espaço para as notícias políticas e econômicas, isso quando o fazem. Durante as últimas semanas vêm circulando pela internet notícias de que o Senado estaria discutindo o fim o décimo terceiro salário, ou seja, enquanto os olhos estão voltados para o outro lado do Atlântico, aqui, na nossa casa, podem estar nos passando para trás. Mesmo que essa notícia seja apenas um boato, e as tantas outras que viremos a discutir ou até descobrir após a Copa? Não, não se pode torcer cegamente assim. È preciso prestar mais atenção no passe do Luís Inácio do que no passe do Ronaldinho.
Como em tantos outros aspectos e tantas outras situações, nosso problema está no exagero, no velho jeitinho brasileiro de levar a vida. Se soubéssemos equilibrar a paixão pelo futebol, que é real e quase unânime no país, sem usar qualquer vitória como desculpa para os nossos desejos de festa, folgas e feriados; se não acreditássemos cegamente em uma instituição mais financeira do que esportiva, e soubéssemos diferenciar isso na hora de torcer, e na hora de jogar no caso dos atletas, seria tudo mais honrado.
A festa é boa? A festa é ótima! É emocionante assistir a uma partida de futebol? É vibrante, é contagiante! Mas, assim como não há pecado nenhum em torcer, também não há pecado em refletir.




[redação feita em grupo (eu mais três grandes amigas) para um trabalho de colégio, sobre redaçoes argumentativas. fora de época?! que nada! além do mais 2010 taí, e seria muito clichê postar esse texto há algumas semanas atrás]

segunda-feira, 17 de julho de 2006


It is a water crystal of the Amazon. The water of the Amazon protected in the jungle shined vigorously beautifully.

domingo, 4 de junho de 2006

não era o mesmo mundo. não, não era. o caminho parecia estranho aos olhos tão antigos, as pessoas não correspondiam àquilo que já se conhecia. o céu estava tão diferente...
...os vinte minutos, antes tão mal aproveitados, duraram por uma hora de pensamentos perdidos entre o tempo e o espaço de seus dias atribulados e cheios de qualquer coisa que não fosse interessante. a necessidade era tão grande, a necessidade de reaproximação com um sei-lá-o-que mais importante, um não-sei-o-que mais existente...
...ela achou estranho quem em pouco tempo tinha mudado tanto, a ponto de não se surpreender com o cachorro com fome da esquina. aquilo doeu. era preciso pensar, mais um pouco, e pensar de novo. mas a viagem acabou, a rua escura e o ventoi frio duraram pouco demais. e ela esqueceu daquele mundo que viveu por uns instantes.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

a gente passa um tempo sem falar da vida, sem parar pra pensar na vida, e vê que por mais atoa que vc fique, cada dia vc tem menos tempo de pensar, pensar e pensar sobre tudo o que acontece ao seu redor. e chega um momento em você sente falta disso, de pensar nas coisas, de falar delas. as pessoas podem ser taaaaaoo parecidas umas com a soutras e as vezes taaaaaoo diferente, as vezes fica até difícil saber qual das duas coisas pesa mais, ou qual é a mais importante. definitivamente viver na mesmice não é legal, as diferenças são boas, a diversidade é benéfica, sim. mas é que tem hora que você olha pro espelho e pensa: é tudo tão diferente, será mesmo? e de repente, tudo muda de figura. um seguno atrás o mundo era azul, e a vida tava tranquila, no segundo seguinte tudo passou a ser escuso e duvidoso, todo mundo é suspeito de pensar aquilo que não se podeira dizer. todo mundo é suspeito de falar aquilo que não se publicaria. e passa a vir uma pontada de qualquer coisa a todo momento, uma pontade de coisa nennhuma, uma pontada de tudo aquilo que se baseia no se e no será. não adianta ninguém nunca aprende a nao dar idéias pra antecipação, ninguém nunca sabe aproveitar a vida sem se preocupar com coisinhas que talvez nao existam, ou sem relevar aquelas outras que podem causar estragos. é que o mundo gira tão rápiudo que é dificil acompanhar. por que será que as vezes parece que tem gente tramando contra a gente em algum lugar? por que será que as vezes parece que do dia pra noite tudo vai vira de ponta cabeça? falando de uma maneira geral, isso é um ciclo vicioso: vai e volta, sempre. talvez pra nos manter alerta. como diria victor hugo "...que você tenha inimigos. Nem muitos, nem poucos, Mas na medida exata para que, algumas vezes, Você se interpele a respeito De suas próprias certezas...". Também não sei dizer por quê, nem como, mas se a vida fosse feita de certezas perderia um pouco a graça.

"a cada mil lágrimas, um milagre"



[sem correções, sem releitura, sem motivos cabíveis, sem explicações plauzíveis]

quinta-feira, 20 de abril de 2006

A Lista
___________Oswaldo Montenegro
“Faça uma lista de grandes amigos.
Quem vc mais via há dez anos atrás?
Quantos vc ainda vê todo dia?
Quantos vc já não encontra mais?
Faça uma lista dos sonhos que tinha.
Quantos vc já desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre?
Quantos vc conseguiu preservar?
Onde vc ainda se reconhece:
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos vc jogou fora?
Quantos mistérios que vc sondava?
Quantos vc conseguiu entender?
Quantos segredos que vc guardava
Hoje são bobos, ninguém quer saber?
Quantas mentiras vc condenava?
Quantas vc teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que vc não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que vc amava
Hoje acredita que amam você?
Faça uma lista de grandes amigos.
Quem vc mais via há dez anos atrás?
Quantos você ainda vê todo dia?
Quantos você já não encontra mais?
Quantos segredos que vc guardava
Hoje são bobos, ninguém quer saber?
Quantas pessoas que vc amava,
Hoje acredita que amam você?”

segunda-feira, 17 de abril de 2006

> Se um cachorro fosse seu professor, você aprenderia coisas assim:

> Quando alguém que você ama chega em casa, corra ao seu encontro.
> Nunca perca uma oportunidade de ir passear.
> Permita-se experimentar o ar fresco do vento no seu rosto.
> Mostre aos outros que estão invadindo o seu território.
> Tire uma sonequinha no meio do dia e espreguice antes de levantar.
> Corra, pule e brinque todos os dias.
> Tente se dar bem com o próximo e deixe as pessoas tocarem você.
> Não morda quando um simples rosnado resolve a situação.
> Em dias quentes, pare e role na grama, beba bastante líquido e
> deite-se sob a sombra de uma árvore.
> Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.
> Não importa quantas vezes o outro magoe você, não se sinta
> culpado...volte e faça as pazes novamente.
> Aproveite o prazer de uma longa caminhada.
> Alimente-se com gosto e entusiasmo, mas coma só o suficiente.
> Seja leal.> Nunca pretenda ser o que você não é.
> E o MAIS importante de tudo...
> Quando alguém estiver nervoso ou triste, fique em silêncio, fique
> por perto e mostre que você está ali para confortar.
> A amizade verdadeira não aceita imitações!!!

segunda-feira, 3 de abril de 2006

"Pela hora do meio-dia, com a maré, a Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma"

é assim que todos somos, nascemos um dia para ir em busca de nós mesmos, e ao longo do tempo irmos descobrindo o que nos agrada, o que nos incomoda, o que nos alegra e o que nos entristece...mas que pena, mesmo depois de descobrirmos isso, nao conseguimos evitar as tristezas nem os incômodos, muitas vezes só descobrimos o que nos faz mal, depois de termos provado daquilo. já nascemos sabendo que a distância daqueles que queremos bem nos entristece, mas só temos certeza de que a desconfiança nos incomoda, após não confiarem em nós. a gente já nasce sabendo que sorriso de mãe é o melhor remédio, mas só descobre como é bom ter amigos após conhecer alguns bons e verdadeiros, mesmo que às vezes eles te irritem, te façam pagar micos enormes, vão contra suas idéias, ou até mesmo façam coisas que te magoe.
e nessa buscar por nós mesmos, a gente aprende a respirar fundo em alguns momentos, e a dar o sorriso mais aberto de todos em outros.

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, e ter deve ser a pior maniera de gostar"

gostar é o primeiro passo pra estar apto a ser merecedor de algo, alguém, alguma coisa...ao passo que possuir não necessariamente mostra capacidade de amar, na maioria das vezes quando se fala em ter, em posse, o sentimento é bem contrário ao amor.

"...é deste modo que o destino costuma comportar-se connosco, já está mesmo atrás de nós, já estendeu a mão para tocar-nos o ombro, e nós ainda vamos a murmurar..."

é deste modo que o destino atua sobre nós....enquanto estamos indo com a farinha, a broa ja está vindo cheirosa pela nossa frente...
para falar de destino, deve-se ter consciencia de que acreditar que ele existe não significa cruzar os braços e esperar que aconteça, mas é saber que nossos sonhos, nossas metas, serão alcançadas sim. sonharmos com algo, querermos alguma coisa, é o primeiro sinal de que aquilo pode ser nosso destino. é realmente difícil falar sobre destino, quando ele está tão bem definido em nossa mente, mas seus conceitos são tão contraditórios para explicar. podemos sempre cair em armadilhas. o que eu digo, e desde pequena tenho pra mim, é que cada um de nós nasce com um objetivo pra sua vida, objevito traçado que não elimina escolhas, livre arbítrio, etc, etc...mas acredito sinceramente, que tudo o que acontece na nossa vida, seja bom ou ruim, tem sua razão de ser, tem sua "moral da história", e que tudo aquilo que é pra acontecer, vai acontecer....e nós podemos interferir sim, claro, na maneira com que vai acontecer isso, no tempo que vai demorar, e na lição final, se vamos ter consciência dela ou não. mas talvez isso seja assunto pra outro post, exclusivo.

* frases tiradas do livro "O conto da ilha desconhecida" de José Saramago.

segunda-feira, 6 de março de 2006

e na corrida do tempo, atrás do futuro, e contra todos os obstáculos, parece que o mundo conspira contra um pobre blog abandonado.
o tempo passa às vezes, sem que se possa notar, e as idéias mudam tão sutilmente, que só se percebe quando já são quase concretas. parece que o tempo vai mudando certos critérios, vai aperfeiçoando o senso de direção da gente. já não importa mais o quanto a luz seja intensa e a música contagiante, se o lugar não tem boa fama e tem tendência para falir, fica difícil querer diversão num lugar assim.
o mundo inteiro teme que os jovens não se desprendam de suas vontades adolescentes, ou de suas idéias, ou de algumas fases que insistem em demorar. as vezes até os próprios jovens têm medo disso, mas eles mesmo acabam percebendo que tudo se desfaz com o tempo. e mesmo que não se desfaça por completo, mesmo que ainda exista o gostinho bom em algumas idéias tortas daquelas do inicio, os valores mudam, os critérios também.
o que importa agora, são coisas muito mais "concretas" digamos assim.
mas não negue, dói um pouquinho lá no fundo, perceber que a tranquilidade antiga em fazer o que se tinha vontade, que a "inconsequência" em agir por impulso, que o "carpe diem", que já era utópico, se torna inexplicavelmente distante, são coisas que não muita parte mais do seu dia-a-dia.
Agora, o carpe diem vem cheio de esperanças em viver cada dia, construindo alguma coisa, e não apenas aproveitando certas coisas. Vem com o gosto do que é certo, e bom, e que dá gosto de viver, não apenas naquele dia, mas num longo período.


Que crescer que nada, sabe-se lá o que. [?]
Mas às vezes, seria bom voltar a ser criança.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

a menina de olhos castanhos-cor-de-mel-quase-verdes-ao-sol, dos olhos que brilham quase constantimente, pede mais um dia de ócio pra organizar a mente q se ausentou durante as férias. mais um diazinho. mas como ela nao tem, ta feito, que venha a velha rotina. cada vez mais certa de que está certa e que vive certo o tempo certo, cada vez mais certa que se tornou mais forte aos erros, quase imune aos desvios, apenas não livre das quedas. o ano, que dessa vez mudou a regra e já começou no 1º dia, vai começar. O ano vai começar, isso O ano, decisivo, novo, transitivo, definitivo, feliz...muito feliz...
e que em todos aqueles momentos inutilmente pertubantes de cada dia sirvam apenas para crescer a vontade de seguir em frente, que qualquer momento de falta de vontade, falta de sono, falta de fome, falta de amor, falta de estudo, falta de ânimo, falta em si possam ser bem resolvidos, e que todos os momentos de excesso de todas essas coisas possam ser bem administrados.


resoluções de ano novo? agora?
e daí?!

domingo, 29 de janeiro de 2006

_____________________pequenas mudanças podem fazer enorme diferença. pequenas mudanças que fizeram uma grande diferença. pequenas mudanças que fazem pouca diferença. grandes mudanças que fazem significante difereça. grandes mudanças q causam substancial diferença. grandes mudanças que fizeram enorme diferença____________________

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

digam o que quiserem
riam
chorem, talvez
atirem pedras
julguem
ou concordem



"Louco Por Você" (down to you) é o melhor filme romântico ever.


choro quantas vezes forem necessárias

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

2006

And here i go again, talking about the things that i can't understand, just to make sure that my life isn't so steady, and to prove my idea that i'm made of moments! 'Cause next week, i'll come here to read this, and i'll think: "how could i be so stupid to worry about something like that? or even "how can i be so despaired about this?" os would I say: "well, was worse that i imagine". but i know that i'll be sure that this momenst was important, and this will be part of my life.

esse rascunho estava perdido aqui no blogger desde outubro, e eu nem sei mais o que estava me incomodando tanto. ah! lembrei, sei sim. coisas que realmente já passaram. e realmente foram importantes.
enfim...2006 chegou e as vezes eu me pergunto pra onde foi toda aquela fúria em escrever? o que aconteceu com todas aquelas idéias que me faziam escrever várias linhas tortas e escusas nesse blog? se sumiram? engano seu...continuo uma pessoa cheia de pensamentos, mas não sei porque, a necessidade de expor tudo isso se foi, ou se não, diminuiu consideravelmente. muito do que eu sei que me fazia escrever, realmente se foi. muito do que eu nao sabia que me fazia escrever deve ter ido também. e tudo que me faz ter vontade de falar e escrever agora, não me faz querer tantas metáforas e linhas obscuras pra falar. novos horizontes no quesito comunicação vêm sendo aperfeiçoadas...novidades difíceis na vida dessa que vos escreve, é preciso muito exercício interno!
pois que se for pro blog continuar assim, e eu continuar como estou, não quero os velhos motivos de escrever não. não quero voltar a sentir que preciso escrever, se não quiser explodir. não.
quero a vida tranquila de quem vê nos olhos um sonho, que já foi impossível, mas que se mostrou real como as dores antigas.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

100º

Aviso da Lua que Menstrua

Elisa Lucinda

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Underneath Your Clothes
Shakira

You're a song
Written by the hands of God
Don't get me wrong 'cuz
This might sound to you a bit odd
But you own the place
Where all my thoughts go hiding
And right under your clothes
Is where I find them

Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey

Because of you
I forgot the smart ways to lie
Because of you
I'm running out of reasons to cry
When the friends are gone
When the parties' over
We will still belong to each other

Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey

Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey

I love you more than all that's on the planet
Movin' talkin' walkin' breathing
You know it's true
Oh baby it's so funny
You almost don't believe it
As every voice is hanging from the silence
Lamps are hanging from the ceiling
Like an old lady tied to her manners
I'm tied up to this feeling

Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey

Underneath your clothes
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl honey

...

sábado, 3 de dezembro de 2005

O que é que ele vê nela?
Martha Medeiros

E o que é que ela vê nele? Nossos amigos se interrogam sobre nossas escolhas, e nós fazemos o mesmo em relação às escolhas deles. O que é, caramba, que aquele Fulano tem de especial? E qual será o encanto secreto da Beltrana? Vou contar o que ela vê nele: ela vê tudo o que não conseguiu ver no próprio pai, ela vê uma serenidade rara e isso é mais importante do que o Porsche que ele não tem, ela vê que ele se emociona com pequenos gestos e se revolta com injustiças, ela vê uma pinta no ombro esquerdo que estranhamente ninguém repara, ela vê que ele faz tudo para que ela fique contente, ela vê que os olhos dele franzem na hora de ler um livro e mesmo assim o teimoso não procura um oftalmologista, ela vê que ele erra, mas quando acerta, acerta em cheio, que ele parece um lorde numa mesa de restaurante mas é desajeitado pra se vestir, ela vê que ele não dá a mínima para comportamentos padrões, ela vê que ele é um sonhador incorrigível, ela o vê chorando, ela o vê nu, ela o vê no que ele tem de invisível para todos os outros.

Agora vou contar o que ele vê nela: ele vê, sim, que o corpo dela não é nem de longe parecido com o da Daniella Cicarelli, mas vê que ela tem uma coxa roliça e uma boca que sorri mais para um lado do que para o outro, e vê que ela, do jeito que é, preenche todas as suas carências do passado, e vê que ela precisa dele e isso o faz sentir importante, e vê que ela até hoje não aprendeu a fazer um rabo-de-cavalo decente, mas faz um cafuné que deveria ser patenteado, e vê que ela boceja só de pensar na palavra bocejo e que faz parecer que é sempre primavera, de tanto que gosta de flores em casa, e ele vê que ela é tão insegura quanto ele e é humana como todos, vê que ela é livre e poderia estar com qualquer outra pessoa, mas é ao seu lado que está, e vê que ela se preocupa quando ele chega tarde e não se preocupa se ele não diz que a ama de 10 em 10 minutos, e por isso ele a ama mesmo que ninguém entenda.



PS: recebi isto no email, de uma pessoa muito especial pra mim, né Nati?! Muito obrigada, achei linda a mensgaem, tanto que postei.

domingo, 13 de novembro de 2005

da arte de ensinar às tartarugas

...existem pessoas, que não tem um pingo de paciência pra ficar mais de uma hora e meia ensinando uma criança a fazer qualquer coisa que seja, pessoas como eu, que nao aguentam por muito tempo os porquês, pra quês, ondes e quandos das crianças ate 12 anos. mas existe gente que fica simplesmente fascinada com a capacidade de uma criança de 5 anos de escrever: "o hipopótamo é grande e não cabe na minha casa". porque, meu deus, pra ela ter pensado isso, é um gênio, um pré-gênio! e nessa hora, as pessoas como eu dizem: "claro que ele não cabe na sua casa, isso é óbvio". pessoas como eu, se divertem quando a criança diz "você não me pega cara de meleca", enquanto existem pessoas que vão lá, perto dela, na mesma hora, pra ensinar que aquilo pode chatear o coleguinha, fazendo do pequeno pirralho uma criança melhor, pelo menos nos próximos cinco minutos, até ela empurrar a menina do lado que pegou o lápis rosa dela sem querer. pessoas como eu ficam extremamente irritadas com a idéia de passar o dia rodeada de crianças de 5 anos, superativas, com sede de perguntar pular e, principalmente, gritar. mas tem gente que acorda de manhã cedo, todos os dias, só por saber que vão ter a presença alegre daqueles anjinhos durante o dia todo. essas pessoas, são chamadas p r o fe s s o r a s, tias pra falar a verdade, mulheres que apesar das dores de cabeça diárias, e de tudo o que possa atrapalhar, simplesmente tem paixão por ensinar, simplesmente ficam fascinadas, todos os dias, com as peripécias de seus pupilos...

...porém, o fato de nós (se é que você se junta à mim nessa) não termos vocação pra tia, não nos impede de ainda nos sentir fascinados com pequenas coisas.
e observar a vida das quatro tartarugas de um pequeno chafariz de mais ou menos 500 litros, é algo realmente...intrigante podemos dizer. elas podem nos distrair, pois ficar esperando o mergulho do alto da pedra mais alta de sustentaçao do cano até a água, ou a grande, e demorada, escalada das pedrinhas inferiores, e até mesmo a brusca queda de casco n'água após uma tentativa frustada de cortar caminho até as alturas, bem, pode demorar bastante e uma expectativa nos distrai da outra. mas elas também podem nos entediar sabe, porque é uma vidinha tão parada, é um nada pra lá, nada pra cá, sobe daqui, pega um ar dali, mergulha de novo, abre as patas traseiras, impulsiona as dianteiras e aff! isso cansa! o divertido mesmo, é quando o chafariz está ligado e você pode sentir a aflição das coitadinhas sentindo as gostas frenéticas e repetitivas. elas nao sabem, coitadas, se ficam nas pedras tentando se esconder e recebendo uns respingos, ou se mergulham de vez, pois já que tá ruim, piora de vez!! e aquela agonia dura séculos na curta meia hora em que o chafariz se exibe. o barulho das gotas, rápidas, fortes, a água espirrando nas folhas ao redor...e as coitaidnhas lá, sofrendo. quando tudo volta à calmaria corriqueira do dia-a-dia, parece que elas já tiveram aventura o suficiente pelo resto de suas vidas...mas só parece...pode ver que no dia seguinte, naquela mesma hora, o chafariz vai ser ligado e tudo acontece de novo. mas que é uma boa distração a tal vida das tartarugas, isso é!

domingo, 30 de outubro de 2005

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Passado, presente e futuro, são as partes da vida de uma pessoa com as quais ela passa todos os seus dias se preocupando. Inevitavelmente. Quando não estamos nos perguntando "por que fiz aquilo?" ou mesmo "o que faço agora?" estamos querendo saber "o que vou fazer daqui pra frente?". Viver de passado não faz bem, isso todo mundo sabe, mas viver sem passado faz pior ainda! Não se deve querer adivinhar o futuro, isso causaria estragos. Mas a dúvida nos faz errar tantas vezes! O ideal seria, realmente, viver cada dia como se fosse o último, aproveitando a vida. Mas quem diz que sabe viver assim está mentindo! Então o que fazer? Pois é, dificil responder.
O negócio então, é aprendermos a viver com as dúvidas, vibrarmos a cada acerto, e aceitar os erros para nao cometê-los novamente.

Qundo o passado se confunde com o presente, e o presente tenta fazer parte do futuro, tudo fica confuso, e a mente pode querer saltar pra 4ª dimensão e fugir de tudo isso, ao mesmo tempo que quer se agarrar às lembranças e esperanças, sem perder por lado nennhum. Mas isso é quase impossível.

Heart, mind and soul.
É como se fossem "cabeça, tronco e membros", sabe?! Talvez não nessa ordem. Mas nesse nível de importância!

É, quando um dos três não está bem, o resto todo se afeta, é automático. Um coração partido, uma mente bagunçada ou uma alma cansada, podem até mesmo soltar faíscas, e atingir a pobres inocentes que por acaso, destino ou falta de sorte, cruzarem seu caminho.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Feliz Aniversário

É aniversário, e ela se pergutna se os parabens devem ser direcionados à ela, ou aos seus pais. Não num acesso de egocentrismo de se achar tanto assim, mas por serem eles os responsáveis pela existência. Mas aí ela se dá conta, que talvez, todos os parabéns recebidos, sejam nao por ter nascido há 17 anos, mas por ter sobrevivido 17 anos, por vivido 17 anos!

17 anos de muita indecisão, choro, medo, mas também de muitas amizades, muita alegria, muitas risadas e muitas histórias pra contar!



Enfim,

Parabéns pra mim !

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Aos Apaixonados
Rubem Alves

Dedico esta crônica aos apaixonados, mesmo sabendo que servirá para nada: é inútil falar aos apaixonados. Os apaixonados só ouvem poemas e canções. A paixão, experiência insuperável de prazer e alegria, pelo fato mesmo de ser uma experiência insuperável de prazer e alegria, coloca o apaixonado fora dos limites da razão. Todo apaixonado é tolo. Pode ser que ele escute a fala da razão. Escuta mas não acredita. Diz ele: "O meu caso é diferente!" Tolo mesmo é quem tenta argumentar com os apaixonados.

Começa, pois, assim, minha inútil meditação com um verso terrível de T. S. Eliot. Ele está rezando. Ele sabe que somente Deus tem poder para lidar com a loucura da paixão. Ele reza assim: : . . livra-me da dor da paixão não satisfeita e da dor muito maior da paixão satisfeita".

Todo mundo sabe que paixão não satisfeita dói. Mas poucos sabem que a paixão só existe se não for satisfeita. A paixão é fome. Ela só floresce na ausência do objeto amado. Mais precisamente, ela vive da ausência do objeto amado. Não se trata de ausência física, do objeto amado distante, longe. A dor da ausência física tem o nome de saudade.

Saudade tem cura. A saudade é curada quando o seu objeto volta. A dor da paixão é diferente. Não tem cura. A saudade do objeto amado, mesmo quando ele está presente, é o perfume característico da paixão. Cassiano Ricardo sabia disso e escreveu. "Por que tenho saudade / de você, no retrato, ainda que o mais recente? / E por que um simples retrato /mais que você, me comove, se você mesma está presente?"

Que coisa mais esquisita! Como pode ser isso? Como se pode sentir saudade de algo que está presente? A resposta é simples: a gente sente saudade de uma pessoa presente quando ela está se despedindo. Cecilia Meireles, desenhando sua avó morta, a quem ela muito amava, disse: "Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se". Dirão "É natural; um dia ela possuirá o objeto da sua paixão. Mas a 'dor muito maior', da paixão satisfeita, não tem mais esperanças. O objeto se desfez. Ela vive na tristeza do objeto perdido".

Escrevi uma história sobre isso. A Menina era apaixonada pelo Pássaro Encantado. Mas ela sofria porque o Pássaro era livre, O Pássaro Encantado era sempre uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se. O Pássaro lhe disse que era preciso que fosse assim, para que eles continuassem apaixonados. Ele sabia que a paixão não ama pássaros em vôo. Mas a Menina não acreditou. Prendeu-o numa gaiola.

Gaiola? Há as feitas com ferro e cadeados. Mas as mais sutis são feitas com desejos. Esquisito o que vou dizer: a alma é uma biblioteca. Nela se encontram as estórias que amamos "Romeu e Julieta", "Abelardo e Heloisa", "O paciente Inglês", 'As Pontes de Madison", "O Amor nos Tempos Cólera", "A Menina e o Pássaro Encantado". As estórias que amamos revelam a forma do nosso desejo. Delas escolhemos uma, é a nossa gaiola. Gaiola na mão, saímos pela vida à procura do nosso Pássaro. Quando imaginamos havê-lo encontrado, uh, que felicidade!" Ficará feliz em nossa gaiola. Será o amante da nossa estória de amor: eu prá você, você prá mim. . . Nós colocamos lá dentro e pedimos que nos cante canções de amor.

Acontece que o Pássaro também tinha a sua estória. E era outra. Todo Pássaro deseja voar. Ele bate suas asas contra as grades, suas penas perdem as cores e o seu canto se transforma em choro. E, de repente, ele se transforma. Não mais o reconhecemos, é um outro. Essa é a razão por que a dor da paixão satisfeita é muito maior.

Contada assim, a estória parece ter um vilão e uma vítima. A verdade é que os dois são vilões, os dois são vítimas. O desejo da gente é sempre engaiolar o outro e levá-lo pelos caminhos que são nossos. Isso vale para tudo: marido-mulher, pai-filha, mãe- filho, patrão-empregado, professor-aluno... Não admira que Sartre tenha dito que "o inferno é o outro" Não haverá uma saída.

Lembro-me de um pequeno poema de Perls, que sugere uma relação sem gaiolas:

"Eu sou eu.
Você é você.
Eu não estou nesse mundo para atender às suas expectativas
E você não está nesse mundo para atender às minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos
É muito bom".


[levemente tirado do fotolog da minha prima Bárbara. bom a crônica é linda por isso decidi postar]

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

So Unsexy
Alanis Morissette


Oh these little rejections how they add up quickly
One small sideways look and I feel so ungood
Somewhere along the way I think I gave you the power to make
Me feel the way I thought only my father could

Oh these little rejections how they seem so real to me
One forgotten birthday I'm all but cooked
How these little abandonments seem to sting so easily
I'm 13 again am I 13 for good?

I can feel so unsexy for someone so beautiful
So unloved for someone so fine
I can feel so boring for someone so interesting
So ignorant for someone of sound mind

Oh these little protections how they fail to serve me
One forgotten phone call and I'm deflated
Oh these little defenses how they fail to comfort me
Your hand pulling away and I'm devastated

When will you stop leaving baby?
When will I stop deserting baby?
When will I start staying with myself?

Oh these little projections how they keep springing from me
I jump my ship as I take it personally
Oh these little rejections how they disappear quickly
The moment I decide not to abandon me

terça-feira, 6 de setembro de 2005

¬¬

e ri-se ela da desgraça alheia de não tê-la ao lado. e riem todos da desgraça dela de não ter lado. porque se sentir bem não é assim tão fácil quanto chorar entende. e nem todo mundo sofre da facilidade de saber o que se passa em cada célula do seus pensamentos. já viu quando alguém fica parado, olhando pro tempo? todo mundo sempre acha que é tristeza, e nem sempre é assim. você já teve que ficar feliz em silêncio? conter felicidade é a coisa mais dificil do mundo! conter tristeza também não é lá das coisas mais fáceis mas... alguma vez já te falaram que quanto mais alto maior o tombo? então...viver uma montanha russa não deve ser fácil...não é fácil. fervilham pensamentos, borbulham sentimentos...mas o nome da receita ela ainda não sabe. pode ser..."last night à parmegiana" ou "the blue future com frutas". fica claro e evidente qual aí tem preferência, mas já ouviu falar de "gosto não se descute" ?!? é que tem coisas que simplesmente assombram uma vida, e a gente sempre pensa que os fantasmas são eternos, mas você já viu algum fantasma? então, eles podem nem existir e ser tudo coisa da nossa imaginção, ou coração, que seja, ou podem ser tão mortais quanto uma borboleta. tudo uma questão de ..cada um ?!. e de repente não mais que de repente, o céu clareia em um azul intenso e completamente inexperado; como o mundo é mundo e murphy nos ama, na manhã seguinte nuvens nubladas e levemente posicionadas em cima de nossas cabeças aparecem pra nos tirar aquele gosto de domingo-infantil-de-verão. mas a previsão da personalidade, ops, a previsão do tempo já tinha avisado. há séculos atrás. milhões de caminhos existem, milhões de portas pra se abrir, mais mil e poucas possiblidades por aí. mas é que o coraçao ainda não é de mãe sabe, e mal consegue repartir espaços meio-a-meio. hora chega mais pra lá, hora expreme de cá. e ela, assim, ainda se recuperando da grande gargalhada que deu ao sentar no rabicó, teve que sorrir, falar, ouvir, travar e.... pensar.... mais uma vez. você acha que nunca vai ser humilde e sincero o suficiente pra ser real? será mesmo que a incapacidade perante ao "ser normal" é assim tão...tão...insuperável?! o ser humano é algo muito dificil de entender. a galera na torcida grita por mais tempo, muito mais tempo, mas a líder da torcida só quer ser salva. ela está sendo pisoteada por torcedores adversários que invadem o campo com uma fome...e uma capacidade para mudar pessoas e conquistá-las, que o pobre time da casa, que sempre sonhou em ganhar troféu lá dentro, e quem sabe um dia ser feliz longe dali vendo fotos e rindo das próprias besteiras, tirou seu corpo de campo e foi jogar em outra freguesia. deixou o juíz lá, sem saber o que quer, sem querer o que sabe, e procurou não mais adivinhar se o próximo cartão verde era seu ou do de trás. um time sem casa, um time quase sem torcida, um time que não sabe se ainda quer jogar esse jogo de sofrer ou se resolve de uma só vez engolir as lembranças de campeonatos e mudar de modalidade, o time faz agora seu pedido :"i'm begging you to save me"! é, você, que nos fez acreditar na vitória, que nos fez susperar a cada amistoso, mas que agora abaixou os pompons e cancelou a 'ola' e só de vez em quando faz visita ao coração da galera aqui de dentro.

e se ninguém mais se dedicar a salvar o mundo da creepice...eu juro...eu juro... eu juro que crio um tópico esculachando quem quer que seja que tenha inventado essa história de pedestal. e eu não tô falando do Thibes não, quero já começar com peixe grande! estamos avisados!

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

Elisa Lucinda

Texto para uma separação

Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co'a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

Elisa Lucinda

Aviso da Lua que Menstrua


Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

contos utópicos

a moça chegou na casa como em qualquer um dos outros dias em que ela visitava, cumprimentou quem estava na sala, conversou um pouco, mas naquele dia ela carregava um pedido, um favor. então foi ao quarto, assim meio que tentando desfarçar e entregou, pra menina que via televisão, um envelope daqueles pardos de tamanho médio, e não disse nada além de: "pediram pra entregar". o sujeito oculto era sabido pela garota esparramada na cama. o conteúdo do envelope era sonhado, mas inesperado. de repente a tv já perdia a cor, e a menina despejou sobre as flores cor de rosa do lençol aquele sentimento. via-se um souvenir colorido, macio e levemente gasto pelo tempo de gaveta e uma papel, dobrado, gasto como se existisse há algum tempo. ela, ainda tonta, olhava aquelas bolinhas vermelhas, despenteadas, e sentia um cheiro, cheiro antigo, que há muito não se fazia presente. então, criou coragem, e foi desdobrando o papel. aos poucos aquela letra que ela mal conhecia, mas que sabia, formava palavras soltas, que ela leu sem querer, antes do primeiro parágrafo. a carta começava com uma lágrima, dela, pois nunca havia visto seu nome escrito com aquela mão...
...o papel dizia sobre um dos anos passados, um tempo que fez frio, fez história. falava das mudanças que teriam ocorrido desde então, contava sobre os pensamentos que ela não tinha presenciado. dizia coisas que ela queria ouvir, mas também assumia palavras que ela no fundo já sabia, mas não eram agradáveis. no fim da folha, acabou que ela percebeu que a pedra que a machucava, estourou mais rápido por lá. no fim das contas, remetente e destinatario, no fundo no fundo, não estavam preparados pra nada...ou um estava mais que o outro. enfim, não que não tenha sido sincero, era o que dizia a tinta da bic, não que não tenha feito falta, não que não fosse desejado. foi. deixou de ser por causa do tempo, novo demais, mas poderia voltar a ser se o tempo mandasse. as reticências no fim da última frase ("dá voltas...") são as reticências que sempre existiram, sempre formaram lacunas, sempre fizeram permanecer...as reticências que são característica principal dos dois.
bom, àquela altura, ela ja tinha seus caminhos novos, mesmo que sempre com a memória intacta; ele já havia feito muitas coisas, vivido mais outras, mas acabou que não conseguiu esquecer aqueles olhos. talvez tivessem nascido um pro outro, talvez a carta fosse só esclarecimento, talvez eles casem, talvez eles nunca mais se falem, talvez eles aindam saiam pra jantar entre amigos, como amigos, com seus "amigos".
mas nenhum dos dois irá esquecer aquele envelope pardo, que a propósito foi devolvido mas havia apenas um pedaço de borracha preta dentro, nada de cartas. ele vai sentir falta do souvenir, ela vai lembrar sempre daquilo que por muito foi quase uma segunda pele. mas cada um dos dois, vai poder saber dali pra frente, que valeu a pena de certa forma. cada um em seu canto, vai saber viver mais tranquilo a partir daquele dia.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

pequeno manual de AUTO-ajuda

Você já pensou em quantas coisas você já deixou passar?
Quantos amores, quantos amigos, quantos sábado na casa da vó, quantos domingos tomando sorvete... Já parou pra pensar?Já percebeu quantas manhãs você perde dormindo? Quantas Luas cheias você esqueceu de admirar, quantas estrelas você deixou de contar? Faz quanto tempo que você não lê um livro? Hein, quanto? Às vezes a gente vai vivendo muito preocupado com o que vai ser do futuro, ou muito apegado ao que aconteceu no passado. E o presente onde fica?
Às vezes você pode pensar que o tempo está passando rápido demais, e que as coisas não estão acontecendo, mas pode ser que você não esteja prestando atenção. Pode ser que esteja sonhando demais e aproveitando de menos, e fazendo de menos. Tem horas que tudo parece perfeito, e passa um tempo isso tudo cai a baixo e você acha que está num mar de problemas. E muitas vezes nada mudou, além de você mesmo.
Vive caindo em contradição, pensa muito e quando faz alguma coisa costuma extrapolar, pisar na bola. Ta na hora de você rever seus conceitos, diz o carro novo na TV, mas não custa nada rever de verdade. Acertar o juízo, entender os pensamentos, seguir bons conselhos, os de mãe talvez, os de amigos, o seus, aqueles que você finge que não conhece. Ficar olhando fotos e ver a alegria que não quis, ou ficar lembrando o que quer, e precisa, esquecer só vai fazer piorar as coisas. È melhor não se apegar à felicidade que deixou passar, nem aos problemas que se evitou. Concentre-se em evitar novos problemas e aproveitar as felicidades. Cada um tem sua felicidade...seus momentos felizes...não adianta achar que o momento de um poderia ser seu, ou que o seu corre o risco de ser de outro. Ninguém fica feliz vivendo o que não quer, vivendo a felicidade que não lhe pertence. O que é feliz pro outro pode ser a angústia pra você. E ninguém fica feliz sozinho, nem que seja o passarinho de estimação, mas algum outro elemento sempre vai existir num sentimento de felicidade. Prestar atenção nas coisas de verdade, nos livros pela metade, nas manhãs de céu azul. Saber que a gente sempre pode relembrar bons momentos, e construir alguns bem melhores. Saber, principalmente, que não se pode adivinhar pensamentos alheios, nem julgá-los por palavras soltas, nunca se saberá o que o outro pensa verdadeiramente, mas a gente pode perguntar, e chegar mais rápido à conclusão mais confiável que se pode ter. Não vale sofrer por antecipação, na verdade nem ser feliz com o incerto. Ou se perde tempo sofrendo enquanto poderia aproveitar, ou se perde tempo sofrendo pelo tombo que se poderia evitar. Saber ser sem desesperar. Sendo bom ou ruim, é isso que se tem que fazer, ou pelo menos tentar.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

homenagem de amigo.jpg....
Vipnip...mto obrigada!

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Faz tempo que não escrevo. Faz tempo que penso pouco, ou demais, e deixo pra lá. As coisas acontecem, vão se atropelando pelo caminho. Pelo meu caminho. Não vai nada ruim não, pode acreditar, as coisas vão até muito bem obrigada, diz quem a vê passar. Mas tem alguma coisa fora do lugar, tem alguma peça fora do encaixe. Faz frio lá fora e parece que ele congela aqui dentro . E só por hoje (ou amanha e depois....) não quero esse frio ingrato.
É o quê? Lerdeza, burrice, teimosia? Coisa boa não pode ser, não faz bem mesmo.
É o quê? Lerdeza, burrice, teimosia? Coisa ruim não é...faz tão bem.
Assim se divide desigualmente um coração, um sentimento (dois, três...), uma idéia fixa. Talvez o Alaska fosse uma alternativa, mas com a cotação de inverno em baixa pode ser o Hawaí. Tá, não precisa exagerar. Acho que não tem lugar pra creeps-em-estado-não-creep-com-crise-creep, ou pra mim, no mundo. É que não venta, não chove, não relampeja. Mas também não tira aquela manchinha negra do Sol que está nascendo. Pelo amor de Deus, passa um paninho com veja-multi-uso nessa macha...
Sabe quando dormir, e acordar só quando o corpo pedir, é a única coisa que pode te salvar de uma semana de stress, mal-humor e tristeza? Esse Sol pode salvar uma vida se salvar essa fase. Não se pode viver pensando que muito não é o bastante e que você nunca vai conseguir ser. Recuse-se. E se já se recusou e alguma coisa ainda insiste em não se recusar, peça ajuda ao Sol. Eu digo e repito: eu me recuso. Agora Sol, dá uma ajudinha aí... Esse Sol já vem salvando faz um tempo, esquentando nos dias mais frios, alegrando nos mais tristes. Sem o Sol o mundo acaba, já teria acabado. Por dias...por tempos...pra sempre talvez. Por isso Sol, não some não. Mesmo que nas noites mais frias você durma longe dos grandes olhos...Vê se volta toda manhã, e faz a vida aqui amanhecer sorrindo.

quarta-feira, 29 de junho de 2005


sim ela estava falando (como se isso fosse novidade), falando e mexendo as mãos (outra novidade). pq ela fala, fala, e fala mais um pouco....e de tanto que falou...esqueceu o que escrever.
=/
Posted by Hello

domingo, 26 de junho de 2005

And so,
He forgot
He forgot
Maybe not
Maybe he's been
seriously hurt
Would that be worse?


Annie Waits_Ben Folds

terça-feira, 14 de junho de 2005

Head Over Feet

I had no choice but to hear you
You stated your case time and again
I thought about it

You treat me like I'm a princess
I'm not used to liking that
You ask how my day was

(chorus)
You've already won me over in spite of me
Don't be alarmed if I fall head over feet
Don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault

Your love is thick and it swallowed me whole
You're so much braver than I gave you credit for
That's not lip service

(repeat chorus)

You are the bearer of unconditional things
You held your breath and the door for me
Thanks for your patience

You're the best listener that I've ever met
You're my best friendBest friend with benefits
What took me so long
I've never felt this healthy before
I've never wanted something rational
I am aware now
I am aware now

(repeat chorus)

Alanis Morissette

quarta-feira, 1 de junho de 2005

Existe um aperto no peito de cada um. Existe um assunto que trava, uma palavra que engasga, um sentimento que assombra. Mas como curar o sentimento engasgado, que nem mesmo sabe onde engasgou? Os sentimentos que se foram, apenas tinha ido, e voltam à tona quando passarinho sopra no ouvido. A questão não é querer, é nao ter tido, é nao saber ter sido, é nunca ter tido certeza....e mesmeo assim, ter desejado.
Certas coisas nunca devem ser ignoradas, nunca podem ser deixadas pra depois. O tempo, o cheiro, o som, o vento, a cor do céu, fica tudo marcado, guardado.
Aqueles atos, aquelas dúvidas, os silêncios, ausências, é tudo coisa que fica. E se não resolvida, ou mal-resolvida vai apertando, consumindo devagar. Até o dia que se sente o coração, agonizando, implorar por arrumação, explicação, e te mandar correr atrás do prejuízo.
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, há aqueles que se resolvem com tanta facilidade que os desavisados se assustam. E há os que simplesmente não consegeum esquecer. Mas pra tudo existe um meio termo, gente que pelo simples fato de ter memória, não faz questão de apagar o passado. Querem apenas resolvê-lo.

quarta-feira, 25 de maio de 2005

Take care,
I hope never to see you here,
bye, bye,
I promise not to cry,
bye, bye..

sexta-feira, 20 de maio de 2005

porque já era hora

Já era hora de escrever de novo, já tá na hora de falar de novo. Chega um momento que a gente tem plena consciencia do que sente, ao contrário daqueles momentos cheios de dúvidas e incertezas.
As pessoas dizem que já tá mais do que na hora de não precisar fugir nem se preparar, e realmente está. Sinceramente, já está acontecendo isso, mas como de tudo fica um pouco, acho que pra sempre certas coisas vão ficar, até que se resolva os mal-entendidos, os mal-resolvidos, os mal-acabados, ou não. O resíduo fica ali no canto, despertado por algumas coisas, provocado por outras, ou adormecido por muitas coisas.
Mas nada como um conselho de vó, e um dito popular...verdade.
Às vezes a gente pára e pensa por que não eu? E outra hora a gente sabe que não simplesmente porque não. E vê o outro lado, e enxerga outros horizontes, e canta novas músicas, vive novas coisas....mas aquela música nunca vai deixar de tocar, aqueles tempos nunca vão poder ser apagados, certas lembranças e fatos nunca vão ser esquecidos, e isso é bom. É bom ter passado, todo mundo tem, é bom ter história pra contar aos netos décadas depois. Mas também é bom seguir em frente, não tropeçar no caminho. É muito importante conhecer pessoas. É essencial.
Enfim, o mundo realmente dá muitas voltas, mas nem sempre pára nas mesmas arestas, às vezes até pode parar, isso pode ate demorar, mas às vezes ele descobre arestas novas, prontas pra serem trilhadas, construídas. É bom saber que tudo acontece no seu próprio tempo, mas isso não significa cruzar os braços e sentar no sofá pra assistir tv. É bom que se corra atrás também, seja do prejuízo, ou do lucro certo.


O texto aí em baico, do Arnaldo Jabour, recebi hoje da minha irmã no email, e acho que vale à pena postar, por seu valor de utilidade pública e não porque seja algo essencialmente expressivo no momento, o que não é, pelo menos não compeltamente.


"Amores mal resolvidos"

(Arnaldo Jabor)

Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo. Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um Amor Mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação. Por que isso acontece? Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto. Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim. Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que Não. Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: Lembranças, amizade, parceira, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim. Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim. Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores. Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez. Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente.